Composição da sessão: Des. Mario Crespo Brum, Desa. Maria de Lourdes Galvão Braccini de Gonzalez, Des. Eleitoral Nilton Tavares da Silva, Des. Eleitoral Francisco Thomaz Telles, Desa. Eleitoral Caroline Agostini Veiga, Des. Federal Leandro Paulsen e Desa. Eleitoral Madgéli Frantz Machado

Exibir:  Não Julgados JULGADOS
CASSAÇÃO DO REGISTRO DA CANDIDATURA. ABUSO - DE PODER POLÍTICO/AUTORIDADE. ABUSO - USO INDEVIDO DE MEIO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL.
1 REl - 0600827-32.2024.6.21.0032

Des. Federal Leandro Paulsen

São José das Missões-RS

COLIGAÇÃO JUNTOS POR SÃO JOSÉ - PP/PDT/FEDERAÇÃO BRASIL DA ESPERANÇA-FÉ BRASIL (PT/PC do B/PV) (Adv(s) MICHELE SOBOLESKI CAVALHEIRO OAB/RS 70974), DOUGLAS MAFALDA MULLER (Adv(s) MICHELE SOBOLESKI CAVALHEIRO OAB/RS 70974), WANDERLEI TADEU MACHADO DE MACHADO JUNIOR (Adv(s) MICHELE SOBOLESKI CAVALHEIRO OAB/RS 70974) e ELEICAO 2024 DOUGLAS MAFALDA MULLER PREFEITO (Adv(s) MICHELE SOBOLESKI CAVALHEIRO OAB/RS 70974)

ELEICAO 2024 GILMAR WEBER TOLFO PREFEITO (Adv(s) MARITANIA LUCIA DALLAGNOL OAB/RS 25419 e MARCIO ANTONIO CARDOSO OAB/RS 32199), ELEICAO 2024 MARCOS ANTONIO DAL PUPPO VICE-PREFEITO (Adv(s) MARCIO ANTONIO CARDOSO OAB/RS 32199), ELEICAO 2024 FABIANO FAOTTO DA FONSECA VEREADOR (Adv(s) MARCIO ANTONIO CARDOSO OAB/RS 32199), EDISON LUIS BUENO DE QUADROS (Adv(s) MARCIO ANTONIO CARDOSO OAB/RS 32199) e PAULO RICARDO STURMER (Adv(s) MARCIO ANTONIO CARDOSO OAB/RS 32199)

Tipo Desembargador(a)
Não conheço Des. Federal Leandro Paulsen
(relator)
Acompanho o relator Des. Mario Crespo Brum
Desa. Maria de Lourdes Galvão Braccini de Gonzalez
Des. Eleitoral Nilton Tavares da Silva
Des. Eleitoral Francisco Thomaz Telles
Desa. Eleitoral Caroline Agostini Veiga
Desa. Eleitoral Madgéli Frantz Machado

RELATÓRIO

Cuida-se de recurso eleitoral interposto pela COLIGAÇÃO JUNTOS POR SÃO JOSÉ (PP/PDT/Federação Brasil da Esperança – Fé Brasil (PT/PC do B/PV) contra sentença proferida pelo Juízo da 032ª Zona Eleitoral (Palmeira das Missões/RS), que julgou extinto o feito, sem resolução de mérito, em relação ao representado Edison Luis Bueno de Quadros, e improcedente a ação proposta contra GILMAR WEBER TOLFO (prefeito reeleito de São José das Missões nas eleições de 2024), MARCOS ANTONIO DAL PUPPO (vice-prefeito reeleito de São José das Missões nas eleições de 2024), FABIANO FAOTTO DA FONSECA (vereador reeleito de São José das Missões nas eleições de 2024) e PAULO RICARDO STURMER

A inicial denominada na origem de “AÇÃO DE INVESTIGAÇÃO JUDICIAL ELEITORAL (AIJE) POR ABUSO DE PODER PÚBLICO C/C ABUSO DE PODER POLÍTICO E ECONÔMICO E CONDUTA VEDADA C/C COM CAPTAÇÃO ILÍCITA DE SUFRÁGIO” imputou aos então investigados como atos ilícitos, em síntese: uso da máquina pública e a divulgação em redes sociais/WhatsApp para promover obras e serviços públicos em período eleitoral (com pedido de votos), inclusive com inauguração/propaganda de asfaltamento; pedido de votos antes do início formal da campanha e perseguição política a servidores (remoção de motorista e exonerações por falta de apoio); “compra de votos” por meio de nomeações em cargos comissionados e pagamento de aluguel, inclusive com suposto descumprimento de ordem judicial que vedava novas contratações; transferência de títulos eleitorais de pessoas de outros municípios, com promessa de manutenção em cargos; almoço e outras ações voltadas a eleitores de fora, com alegações de falsificação de comprovante de residência e entrega de bens/valores em troca de voto; jantas/churrascos com bebidas em pavilhões que seriam bens públicos, com episódio de conflito envolvendo padre; episódios de violência e coação eleitoral atribuídos a apoiadores (com registros de ocorrência), além de caso de acompanhante votando pela eleitora; por fim, descreve episódio específico de captação ilícita envolvendo pagamento em dinheiro (R$ 1.000,00) e promessa/entrega de bens/valores (máquina de lavar, R$ 2.517,00 e conserto de veículo), com conversas e comprovantes anexados. Postulou tutela de urgência para cassar registros e suspender a diplomação de Gilmar, Marcos e Fabiano e, no mérito, declaração de inelegibilidade, cassação de diploma/registro (prefeito, vice e vereador) e aplicação das demais sanções legais, além de multa do art. 41-A da Lei n. 9.504/97 e produção de todas as provas admitidas.

A sentença extinguiu o feito sem resolução de mérito em relação a Edison Luis Bueno de Quadros e julgou improcedente a ação quanto aos demais investigados.

Em suas razões, a recorrente sustenta, em síntese, que há elementos suficientes a demonstrar a gravidade dos ilícitos narrados e pugna pela reforma do julgado.

Com contrarrazões, nesta instância, os autos foram com vista à Procuradoria Regional Eleitoral, que opinou pela anulação da sentença, de ofício, por violação ao devido processo legal, para que se oportunize a juntada dos documentos indevidamente excluídos e a reabertura da instrução.

É o relatório.

 

 

DIREITO ELEITORAL. ELEIÇÕES 2024. RECURSO. AÇÃO DE INVESTIGAÇÃO JUDICIAL ELEITORAL (AIJE). IMPROCEDENTE. MATÉRIA PRELIMINAR. NÃO CARACTERIZADO CERCEAMENTO DE DEFESA. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE. RECURSO NÃO CONHECIDO. 

I. CASO EM EXAME

1.1. Recurso eleitoral interposto contra sentença que extinguiu o feito, sem resolução de mérito, em relação a um dos representados, e julgou improcedente a Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) proposta para apuração de abuso de poder político e econômico, condutas vedadas e captação ilícita de sufrágio nas Eleições 2024.

II. QUESTÕES EM DISCUSSÃO

2.1. Há duas questões em discussão: (i) saber se houve cerceamento de defesa apto a ensejar a nulidade da sentença; (ii) saber se o recurso atende ao princípio da dialeticidade recursal.

III. RAZÕES DE DECIDIR

3.1. A decretação de nulidade no processo eleitoral sancionatório exige demonstração concreta de prejuízo, em observância ao princípio da instrumentalidade das formas, o que não se verifica quando as partes deixam de requerer, oportunamente, a produção de provas.

3.2. O desentranhamento de documento apresentado de forma intempestiva e irrelevante ao objeto da ação não configura cerceamento de defesa, nem viola o contraditório ou a ampla defesa. No caso, o documento constitui declaração unilateral (registro de ocorrência policial) sobre suposta compra de votos que sequer constou como causa de pedir na inicial.

3.3. Violação ao princípio da dialeticidade, em função da generalidade dos argumentos lançados no recurso. As razões apresentadas são mera reiteração dos argumentos expostos na inicial e não atacam nenhum dos fundamentos da sentença. Incidência do art. 932, inc. III, do Código de Processo Civil. Inviabilizado o conhecimento do recurso.

IV. DISPOSITIVO E TESE

4.1. Recurso não conhecido.

Teses de julgamento: " 1. O indeferimento da produção de provas consideradas inúteis ou protelatórias pelo magistrado não caracteriza cerceamento do direito de defesa, nem violação aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. 2. O princípio da dialeticidade recursal impõe ao recorrente o ônus de evidenciar os motivos de fato e de direito capazes de infirmar todos os fundamentos da decisão que se pretende modificar, sob pena de vê-la mantida."

Dispositivos relevantes citados: Código de Processo Civil, art. 932, inc. III; Resolução TSE n. 23.608/19, art. 47-B, inc. III.

Jurisprudência relevante citada: REspe n. 1310–64/MG, Rel. Min. Maria Thereza, DJe 14.12.2015 e REspe n. 1–44/MS, Rel. Min. Henrique Neves, DJe de 15.8.2014; AgR–REspe n. 59–46/PR, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 08.8.2017; AgR–AI n. 12–27/PE, rel. Min. Tarcisio Vieira de Carvalho Neto, julgado em 07.5.2019, DJe de 31.5.2019; TSE - AI: 06027252520186090000 GOIÂNIA - GO, Relator: Min. Og Fernandes, Data de Julgamento: 13.8.2020, Data de Publicação: DJe - Diário de justiça eletrônico, Tomo n. 175, Data 01.9.2020; TSE - AI: n. 06000438920196260000 SÃO PAULO - SP, Relator: Min. Alexandre de Moraes, Data de Julgamento: 20.8.2020, Data de Publicação: DJe - Diário de justiça eletrônico, Tomo n. 177, Data 03.9.2020.


 

Parecer PRE - 46119683.pdf
Enviado em 2026-03-17 08:42:38 -0300
Autor
MARITANIA LUCIA DALLAGNOL
Autor
Márcio Antônio Cardoso
Autor
MARITANIA LUCIA DALLAGNOL
Autor
Sustentação oral por videoconferência
Autor
MARITANIA LUCIA DALLAGNOL
Autor
Sustentação oral por videoconferência

Por unanimidade, não conheceram do recurso.

Dra. MARITANIA LUCIA DALLAGNOL, pelo recorrido Gilmar Weber Tolfo.
CASSAÇÃO DO REGISTRO DA CANDIDATURA. CARGO - VEREADOR. ELEIÇÕES - ELEIÇÃO PROPORCIONAL. ABUSO - DE PODER ECONÔMICO. ABUSO - DE PODER POLÍTICO/AUTORIDADE. CANDIDATURA FICTÍCIA.
2 REl - 0600610-31.2024.6.21.0115

Desa. Eleitoral Caroline Agostini Veiga

Condor-RS

PARTIDO LIBERAL - CONDOR - RS - MUNICIPAL (Adv(s) EMANUELE DALLABRIDA MORI OAB/RS 126546, JOSE LUIS BLASZAK OAB/MT 10778 e MARIO ANTONIO GLONVEZYNSKI JUNIOR OAB/RS 47966), ANA CLAUDIA MEWS BUENO (Adv(s) EMANUELE DALLABRIDA MORI OAB/RS 126546, JOSE LUIS BLASZAK OAB/MT 10778 e MARIO ANTONIO GLONVEZYNSKI JUNIOR OAB/RS 47966), RODRIGO SCHINDLER (Adv(s) EMANUELE DALLABRIDA MORI OAB/RS 126546, JOSE LUIS BLASZAK OAB/MT 10778 e MARIO ANTONIO GLONVEZYNSKI JUNIOR OAB/RS 47966), ISRAEL BAIRROS PIMENTEL (Adv(s) EMANUELE DALLABRIDA MORI OAB/RS 126546, JOSE LUIS BLASZAK OAB/MT 10778 e MARIO ANTONIO GLONVEZYNSKI JUNIOR OAB/RS 47966), ANTONIO CARLOS DIAS DE OLIVEIRA (Adv(s) EMANUELE DALLABRIDA MORI OAB/RS 126546, JOSE LUIS BLASZAK OAB/MT 10778 e MARIO ANTONIO GLONVEZYNSKI JUNIOR OAB/RS 47966), ITAMAR MACHADO (Adv(s) EMANUELE DALLABRIDA MORI OAB/RS 126546, JOSE LUIS BLASZAK OAB/MT 10778 e MARIO ANTONIO GLONVEZYNSKI JUNIOR OAB/RS 47966), VALDIR LINN (Adv(s) EMANUELE DALLABRIDA MORI OAB/RS 126546, JOSE LUIS BLASZAK OAB/MT 10778 e MARIO ANTONIO GLONVEZYNSKI JUNIOR OAB/RS 47966), ALIARA SABRINA OLIVEIRA CAMILIO (Adv(s) EMANUELE DALLABRIDA MORI OAB/RS 126546, JOSE LUIS BLASZAK OAB/MT 10778 e MARIO ANTONIO GLONVEZYNSKI JUNIOR OAB/RS 47966) e TATIANE REIS (Adv(s) EMANUELE DALLABRIDA MORI OAB/RS 126546, JOSE LUIS BLASZAK OAB/MT 10778 e MARIO ANTONIO GLONVEZYNSKI JUNIOR OAB/RS 47966)

MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL

Tipo Desembargador(a)
Dou provimento Desa. Eleitoral Caroline Agostini Veiga
(relator)
Acompanho o relator Des. Mario Crespo Brum
Desa. Eleitoral Madgéli Frantz Machado
Des. Federal Leandro Paulsen
Des. Eleitoral Francisco Thomaz Telles
Des. Eleitoral Nilton Tavares da Silva
Desa. Maria de Lourdes Galvão Braccini de Gonzalez

RELATÓRIO

Cuida-se de recurso eleitoral interposto pelo PARTIDO LIBERAL DE CONDOR/RS e pelos candidatos ANA CLÁUDIA MEWS BUENO, RODRIGO SCHINDLER, ISRAEL BAIRROS PIMENTEL, ANTÔNIO CARLOS DIAS DE OLIVEIRA, ITAMAR MACHADO, VALDIR LINN, ALIARA SABRINA OLIVEIRA CAMILIO e TATIANE REIS contra sentença proferida pelo Juízo da 115ª Zona Eleitoral de Panambi que, nos autos de ação de investigação judicial eleitoral ajuizada pelo MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL, reconheceu a ocorrência de fraude à cota de gênero nas Eleições Municipais de 2024, em razão de suposta candidatura fictícia de Tatiane Reis ao cargo de vereadora.

A sentença julgou procedentes os pedidos para: a) reconhecer a fraude à cota de gênero; b) determinar a cassação dos candidatos vinculados ao Demonstrativo de Regularidade de Atos Partidários (DRAP) do Partido Liberal (PL), independentemente de prova de participação, ciência ou anuência; c) cassar o diploma e declarar a inelegibilidade de RODRIGO SCHINDLER para as eleições a se realizarem nos oito anos subsequentes ao pleito de 2024, na forma do art. 22, inc. XIV, da Lei Complementar n. 64/90; d) declarar a nulidade dos votos obtidos pelo PL ao cargo de vereador nas Eleições 2024, com a recontagem dos quocientes eleitoral e partidário; e e) declarar a invalidação de todas as candidaturas elencadas no DRAP.

Nas razões recursais, o PL e os candidatos suscitam as preliminares de violação ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa, sob o argumento de que o depoimento prestado por Tatiane Reis em fase pré-processual, no âmbito de procedimento preparatório instaurado pelo MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL, teria sido colhido sem a presença de advogado e não foi posteriormente confirmado em juízo, de modo que não poderia fundamentar a procedência da ação. Alegam não ter sido demonstrada fraude à cota de gênero, pois a candidata teria realizado atos efetivos de campanha, participado de eventos partidários, gravado material para propaganda em rádio e distribuído santinhos, havendo inclusive movimentação financeira regular em sua prestação de contas, com utilização de recursos do FEFC em patamar equivalente ao dos demais candidatos da agremiação. Afirmam que os problemas de saúde enfrentados por Tatiane durante o período eleitoral justificam a limitação de sua atuação, a baixa exposição em redes sociais e o reduzido número de votos, que, por si só, não é suficiente para caracterizar fraude. Requerem, ao final, a reforma da sentença para julgar improcedente a ação.

O MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL foi intimado e não apresentou contrarrazões.

A Procuradoria Regional Eleitoral manifestou-se pelo provimento do recurso, com a reforma da sentença para julgar improcedentes os pedidos.

É o relatório.

DIREITO ELEITORAL. ELEIÇÕES 2024. RECURSO. AÇÃO DE INVESTIGAÇÃO JUDICIAL ELEITORAL (AIME). FRAUDE À COTA DE GÊNERO. CANDIDATURA FEMININA. INSUFICIÊNCIA PROBATÓRIA. AFASTADO O RECONHECIMENTO DO ILÍCITO. PRESERVAÇÃO DA VONTADE DO ELEITOR. RECURSO PROVIDO.

I. CASO EM EXAME

1.1. Recurso eleitoral interposto por partido político e candidatos contra sentença que, em Ação de Impugnação de Mandato Eletivo (AIME), reconheceu fraude à cota de gênero nas Eleições 2024, com cassação do Demonstrativo de Regularidade de Atos Partidários (DRAP), anulação dos votos da legenda, cassação de diploma e declaração de inelegibilidade.

1.2. Os recorrentes sustentam nulidade na valoração da prova pré-processual e ausência de demonstração robusta de fraude, apontando a realização de atos efetivos de campanha e limitações pessoais que teriam impactado o desempenho eleitoral.

1.3. A Procuradoria Regional Eleitoral manifestou-se pelo provimento do recurso, com a reforma da sentença para julgar improcedentes os pedidos.

II. QUESTÕES EM DISCUSSÃO

2.1. Saber se é possível reconhecer, de forma segura, a fraude na candidatura feminina, diante do conjunto probatório constante dos autos.

III. RAZÕES DE DECIDIR

3.1. Rejeitada a matéria preliminar. Alegação de nulidade na valoração da prova pré-processual por violação ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa. O procedimento investigatório pré-processual é, por natureza, destinado à colheita de elementos informativos, não de prova judicial em sentido estrito. A palavra da candidata, colhida em ambiente investigatório, deve ser lida em conjunto com os demais dados do processo, e não como prova isolada e conclusiva de que sua candidatura teria sido meramente fictícia.

3.2. Mérito. Matéria examinada à luz do art. 10, § 3º, da Lei n. 9.504/97, da disciplina específica da Resolução TSE n. 23.735/24, em especial do art. 8º e seus parágrafos, bem como da Súmula TSE n. 73. 

3.3. A configuração de fraude à cota de gênero exige prova robusta de que a candidatura feminina foi lançada apenas para cumprimento formal do percentual legal, sem efetiva participação na disputa. Na hipótese, a sentença atribuiu peso determinante ao depoimento prestado pela candidata em procedimento preparatório, para concluir que teria havido candidatura fictícia. Os elementos destacados na sentença, tomados individualmente e em conjunto, revelam fragilidades e limitações da campanha, mas não atingem o patamar probatório necessário para concluir que se tratava de candidatura meramente formal, destinada exclusivamente a cumprir a cota de gênero.

3.4. Votação inexpressiva, baixa atuação em redes sociais ou fragilidades na condução da campanha não caracterizam, por si sós, candidatura fictícia, especialmente quando há registro de atos de campanha e utilização regular de recursos, como na espécie.

3.5. As contas indicam utilização de recursos em patamar compatível com o dos demais candidatos da agremiação, revelando que o partido destinou verbas e estrutura à candidatura, afastando o cenário de completo abandono típico de candidaturas meramente formais.

3.6. A inexpressiva votação obtida, embora seja elemento que pode integrar o mosaico probatório, não conduz, automaticamente, à conclusão de fraude à cota de gênero. Votação baixa ou mesmo zerada não configura, isoladamente, prova de candidatura fictícia, pois ela precisa ser lida em conjunto com outros indícios robustos de ausência de campanha, o que não se verifica no caso concreto com a intensidade exigida.

3.7. A existência de problema de saúde, conjugada com a prova de atos efetivos de campanha, reforça a conclusão de que se está diante de candidatura real, ainda que fragilizada, e não de mera candidatura de fachada destinada exclusivamente a cumprir formalmente o percentual de gênero.

3.8. Demonstrado atos efetivos de campanha, como participação da candidata em eventos partidários, divulgação de material de propaganda, produção de conteúdo para inserções em rádio e utilização de santinhos. Não se trata, portanto, de candidatura absolutamente inerte ou desconhecida da militância e do eleitorado.

3.9. Em cenário de dúvida razoável, inclusive quanto à real extensão de sua atuação de campanha e aos impactos da condição de saúde da candidata, impõe-se a aplicação do princípio da preservação do voto e da vontade do eleitor, evitando-se a cassação da chapa em contexto probatório inconclusivo. 

3.10. Reforma da sentença. Afastado o reconhecimento do ilícito. Ausente quadro probatório suficientemente robusto para caracterizar a fraude à cota de gênero, nos termos exigidos pela legislação e pela jurisprudência, o que impõe a preservação da vontade do eleitor e da validade do DRAP.

IV. DISPOSITIVO E TESE

4.1. Recurso provido. Improcedentes os pedidos. Afastado o reconhecimento de fraude à cota de gênero e todas as sanções impostas na origem.

Tese de julgamento: "O reconhecimento de fraude à cota de gênero exige quadro probatório suficientemente robusto, nos termos da legislação e da jurisprudência, incidindo o princípio da preservação do voto e da vontade do eleitor quando houver cenário de dúvida razoável quanto ao cometimento do ilícito."

Dispositivos relevantes citados: Lei n. 9.504/97, art. 10, § 3º; Lei Complementar n. 64/90, art. 22, inc. XIV; Resolução TSE n. 23.735/24, art. 8º.

Jurisprudência relevante citada: Súmula n. 73 do TSE. TSE, REspEl n. 0602016-38.2018.6.18.0000, Rel. Min. Tarcisio Vieira de Carvalho Neto, DJe 01.9.2020.


 

Parecer PRE - 46111151.pdf
Enviado em 2026-03-17 08:42:42 -0300
Não há memoriais para este processo
Autor
JOSE LUIS BLASZAK
Autor
Sustentação oral por videoconferência

Por unanimidade, rejeitaram a matéria preliminar e deram provimento ao recurso, a fim de julgar improcedentes os pedidos, afastando o reconhecimento de fraude à cota de gênero e todas as sanções impostas na origem.

Dr. JOSE LUIS BLASZAK, pelos recorrentes Partido Liberal - PL de Condor, Ana Claudia Mews Bueno, Rodrigo Schindler, Israel Bairros Pimentel, Antonio Carlos Dias de Oliveira, Itamar Machado, Valdir Linn, Aliara Sabrina Oliveira Camilio e Tatiane Reis;
Dr. CLÁUDIO DUTRA FONTELLA, pelo recorrido Ministério Público Eleitoral.
CASSAÇÃO DE MANDATO. CARGO - PREFEITO. CARGO - VEREADOR. CARGO - VICE-PREFEITO. ABUSO - DE PODER ECONÔMICO. ABUSO - DE PODER POLÍTICO/AUTORIDADE. CAPTAÇÃO ILÍCITA DE SUFRÁGIO. CANDIDATO ELEITO.
3 REl - 0600257-52.2024.6.21.0127

Desa. Eleitoral Caroline Agostini Veiga

Giruá-RS

GIRUA MERECE MAIS [PSD/Federação BRASIL DA ESPERANÇA - FE BRASIL(PT/PC do B/PV)/PDT] - GIRUÁ - RS (Adv(s) ANGELO FABIAM DUARTE THOMAS OAB/RS 50314 e JOAO CARLOS GARZELLA MICHAEL OAB/RS 70793)

DARI PAULO PRESTES TABORDA (Adv(s) RENE CARLOS SCHUBERT JUNIOR OAB/RS 82431, RENATA LUKRAFKA KOWALCZUK OAB/RS 137319, JULIANA MARQUES SCHUBERT OAB/RS 114290 e JAIRO LUIZ BRANDELERO MARQUES OAB/RS 24252), LUIZ CESAR MELLO (Adv(s) RENE CARLOS SCHUBERT JUNIOR OAB/RS 82431, JULIANA MARQUES SCHUBERT OAB/RS 114290, RENATA LUKRAFKA KOWALCZUK OAB/RS 137319 e JAIRO LUIZ BRANDELERO MARQUES OAB/RS 24252), ADALTO VIEIRA DA SILVA (Adv(s) RODRIGO PRESTES OAB/RS 106701), AGEU GODOY GONCALVES (Adv(s) RODRIGO PRESTES OAB/RS 106701), CARLOS FERREIRA DA SILVA (Adv(s) RODRIGO PRESTES OAB/RS 106701), JAIR CEDINEI DESSBESELL (Adv(s) RODRIGO PRESTES OAB/RS 106701), LUIZ FERNANDO COPETTI DESBESELL (Adv(s) RODRIGO PRESTES OAB/RS 106701), PEDRO NIRTON DUARTE (Adv(s) RODRIGO PRESTES OAB/RS 106701), PARTIDO PROGRESSISTA -PP - GIRUÁ - RS - MUNICIPAL (Adv(s) RENE CARLOS SCHUBERT JUNIOR OAB/RS 82431, RENATA LUKRAFKA KOWALCZUK OAB/RS 137319, JULIANA MARQUES SCHUBERT OAB/RS 114290 e JAIRO LUIZ BRANDELERO MARQUES OAB/RS 24252), MOVIMENTO DEMOCRÁTICO BRASILEIRO - MDB - GIRUÁ - RS - MUNICIPAL (Adv(s) RENE CARLOS SCHUBERT JUNIOR OAB/RS 82431, RENATA LUKRAFKA KOWALCZUK OAB/RS 137319, JULIANA MARQUES SCHUBERT OAB/RS 114290 e JAIRO LUIZ BRANDELERO MARQUES OAB/RS 24252), PARTIDO LIBERAL - GIRUA- RS- MUNICIPAL (Adv(s) JULIANA MARQUES SCHUBERT OAB/RS 114290, RENE CARLOS SCHUBERT JUNIOR OAB/RS 82431, RENATA LUKRAFKA KOWALCZUK OAB/RS 137319 e JAIRO LUIZ BRANDELERO MARQUES OAB/RS 24252) e ARLINDO NELSON PAZINI (Adv(s) RODRIGO PRESTES OAB/RS 106701)

CLAUDIA REGINA SCHUH AMARAL (Adv(s) RODRIGO PRESTES OAB/RS 106701), DAILCE MIRANDA DA SILVA (Adv(s) RODRIGO PRESTES OAB/RS 106701), SIMONE BONFANTI (Adv(s) RODRIGO PRESTES OAB/RS 106701) e FEDERAÇÃO PSDB CIDADANIA (PSDB/CIDADANIA) - GIRUÁ - RS (Adv(s) RENE CARLOS SCHUBERT JUNIOR OAB/RS 82431, RENATA LUKRAFKA KOWALCZUK OAB/RS 137319, JULIANA MARQUES SCHUBERT OAB/RS 114290 e JAIRO LUIZ BRANDELERO MARQUES OAB/RS 24252)

Tipo Desembargador(a)
Nego provimento Desa. Eleitoral Caroline Agostini Veiga
(relator)
Acompanho o relator Des. Mario Crespo Brum
Desa. Eleitoral Madgéli Frantz Machado
Des. Federal Leandro Paulsen
Des. Eleitoral Francisco Thomaz Telles
Des. Eleitoral Nilton Tavares da Silva
Desa. Maria de Lourdes Galvão Braccini de Gonzalez

RELATÓRIO

Trata-se de recurso eleitoral interposto pela COLIGAÇÃO GIRUÁ MERECE MAIS (PSD, Federação Brasil da Esperança – PT/PCdoB/PV – e PDT) contra a sentença que julgou improcedente a ação de impugnação de mandato eletivo (AIME) proposta em face de DARI PAULO PRESTES TABORDA, LUIZ CESAR MELLO, CLAUDIA REGINA SCHUH AMARAL, ADALTO VIEIRA DA SILVA, AGEU GODOY GONÇALVES, ARLINDO NELSON PAZINI, CARLOS FERREIRA DA SILVA, DAILCE MIRANDA DA SILVA, JAIR CEDINEI DESSBESELL, LUIZ FERNANDO COPETTI DESBESELL, PEDRO NIRTON DUARTE, SIMONE BONFANTI, bem como dos partidos PROGRESSISTAS, MDB, PL E DA FEDERAÇÃO PSDB/CIDADANIA DE GIRUÁ, declarando a ilicitude da gravação clandestina em ambiente privado e entendendo não comprovada captação ilícita de sufrágio por entrega de dinheiro e cestas básicas, abuso de poder econômico e político, além de “caixa dois” mediante contratação e pagamento não declarados de cabos eleitorais.

Sustenta que a sentença não valorou corretamente o conjunto probatório, pois teria sido praticada captação ilícita de sufrágio por oferta e entrega de dinheiro em troca de votos e "apoio político”, descrevendo episódio envolvendo a candidata Claudia e eleitores, e invocando atas notariais, gravação ambiental, registros de mensagens e depoimentos como suporte. Alega a existência de “caixa 2” mediante contratação e pagamento não declarado de aproximadamente 150 cabos eleitorais, em valores muito superiores aos declarados nas contas, e o abuso de poder político pelo uso da máquina administrativa, destacando a “distribuição massiva e desproporcional de cestas básicas” no período crítico, supostamente coordenada para favorecer a chapa majoritária. Requer o provimento do recurso para reformar a sentença e julgar procedente a ação, com a consequente cassação dos mandatos dos investigados, reiterando integralmente os fatos, fundamentos e pedidos da inicial.

Os recorridos, em contrarrazões, requerem o desprovimento do recurso e a manutenção integral da sentença. Defendem que inexiste prova robusta das imputações, enfatizando a ilicitude da gravação ambiental e de seu espelho em ata notarial, por violação à privacidade e à intimidade, e apontando que a exceção só se admite em local público sem controle de acesso, o que não se configuraria no caso. Apontam a ausência da testemunha arrolada pela autora para confronto em audiência, o comparecimento e esclarecimentos prestados pelas testemunhas dos impugnados, e a conclusão de primeiro grau pela insuficiência probatória para a condenação. Afirmam inexistirem elementos concretos de “caixa 2” ou de abuso político/econômico, rechaçando qualquer compra de votos, boca de urna ou distribuição irregular de cestas básicas imputada à candidata ou aos demais investigados.

A Procuradoria Regional Eleitoral opinou pelo desprovimento do recurso.

É o relatório.

DIREITO ELEITORAL. ELEIÇÕES 2024. RECURSO. AÇÃO DE IMPUGNAÇÃO DE MANDATO ELETIVO (AIME). IMPROCEDENTE. PREFACIAL DE ILEGITIMIDADE PASSIVA. PARTIDOS E FEDERAÇÃO RECORRIDOS EXCLUÍDOS DA LIDE. MÉRITO. CAPTAÇÃO ILÍCITA DE SUFRÁGIO. ABUSO DE PODER ECONÔMICO E POLÍTICO. PRÁTICA DE “CAIXA DOIS”. CONJUNTO PROBATÓRIO INSUFICIENTE. RECURSO DESPROVIDO.

I. CASO EM EXAME

1.1. Recurso eleitoral interposto por coligação contra sentença que julgou improcedente Ação de Impugnação de Mandato Eletivo (AIME) ajuizada em face de candidatos eleitos e partidos políticos, afastando alegações de captação ilícita de sufrágio, abuso de poder econômico e político e prática de “caixa dois”.

1.2. A sentença reconheceu a ilicitude de gravação ambiental clandestina realizada em ambiente privado e concluiu pela insuficiência do conjunto probatório para a desconstituição dos mandatos.

1.3. No recurso, a coligação sustenta que houve incorreta valoração da prova, reiterando os fatos e fundamentos da inicial e requerendo a procedência da ação.

II. QUESTÕES EM DISCUSSÃO

2.1. Há três questões em discussão: (i) legitimidade passiva de partidos políticos em AIME; (ii) licitude de gravação ambiental clandestina em ambiente privado; (iii) suficiência probatória para a cassação de mandatos.

III. RAZÕES DE DECIDIR

3.1. Prefacial. A legitimidade passiva ad causam em AIME se limita aos candidatos eleitos ou diplomados, podendo os suplentes figurarem como litisconsortes meramente facultativos, uma vez que detentores de mera expectativa de direito. Declarada, de ofício, a ilegitimidade passiva dos partidos e federação recorridos. Extinto o feito, sem resolução de mérito, quanto a essas partes, com fundamento no art. 485, inc. VI, do CPC.

3.2. Mérito. As razões recursais reproduzem a exordial sem infirmar, de modo específico, os fundamentos da sentença: ilicitude e correção na exclusão da gravação clandestina em ambiente privado; insuficiência do acervo remanescente para tipificar captação ilícita de sufrágio; ausência de prova documental e contábil idônea do alegado “caixa dois”; inexistência de prova incontroversa para abuso político na política de cestas básicas.

3.3. É ilícita a prova colhida por meio de gravação ambiental clandestina, sem autorização judicial, quando viole a privacidade e a intimidade dos interlocutores, ainda que realizada por um dos participantes, conforme a tese fixada pelo STF no Tema 979.

3.4. Excluída a prova ilícita e seus desdobramentos, não remanesce acervo probatório robusto, convergente e independente capaz de demonstrar captação ilícita de sufrágio por entrega de dinheiro ou benefícios.

3.5. As alegações de “caixa dois” e abuso do poder econômico não se sustentam sem prova documental mínima que comprove contratações, pagamentos ou dispêndios paralelos à contabilidade oficial de campanha. No caso, não foram carreados comprovantes de vínculos, recibos, folhas de pagamento, ordens de serviço, listas nominais ou qualquer documentação minimamente apta a materializar a alegação.

3.6. A distribuição de cestas básicas mostrou-se inserida em política pública continuada, sem demonstração de desvio de finalidade, personalização da ação estatal ou uso promocional em favor da chapa ou incremento atípico no período eleitoral apto a caracterizar abuso de poder político.

3.7. Em AIME, exige-se prova qualificada da ocorrência e da gravidade dos ilícitos, com efetiva repercussão no pleito, o que não se verificou no caso concreto.

IV. DISPOSITIVO E TESE

4.1. Preliminar acolhida para extinguir o feito, sem resolução de mérito, quanto aos partidos políticos e à federação. No mérito, recurso desprovido.

Teses de julgamento: "1. A legitimidade passiva ad causam em Ação de Impugnação de Mandato Eletivo (AIME) se limita aos candidatos eleitos ou diplomados, uma vez que o resultado da procedência do pedido deduzido restringe-se à desconstituição do mandato. 2. No processo eleitoral, é ilícita a prova colhida por meio de gravação ambiental clandestina, sem autorização judicial, quando viole a privacidade e a intimidade dos interlocutores, ainda que realizada por um dos participantes. 3. A procedência da Ação de Impugnação de Mandato Eletivo (AIME) exige provas robustas da ocorrência e da gravidade dos ilícitos nela descritos. A gravidade é elemento típico das práticas abusivas, que se desdobra em um aspecto qualitativo (alto grau de reprovabilidade da conduta) e outro quantitativo (significativa repercussão em um determinado pleito), sendo que seu exame exige a análise contextualizada da conduta, que deve ser avaliada conforme as circunstâncias da prática, a posição das pessoas envolvidas e a magnitude da disputa."

Dispositivos relevantes citados: Código de Processo Civil, art. 485, inc. VI.

Jurisprudência relevante citada: AgR–REspe n. 162/RS, Rel. Min. Tarcisio Vieira de Carvalho Neto, DJe 29.6.2020; RESPEl n. 133, Rel. Min. Luís Roberto Barroso, DJe 03.5.2021; AgR–REspEl n. 0600541–10.2020.6.20.0004/RN, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, DJe 13.3.2023; AIJE n. 0600814–85.2022.6.00.0000/DF, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe 02.8.2023.


 

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Enviado em 2026-03-17 08:42:46 -0300
Não há memoriais para este processo
Autor
Renê Carlos Schubert Junior
Autor
Sustentação oral por videoconferência
Autor
Renê Carlos Schubert Junior
Autor
Sustentação oral por videoconferência




Por unanimidade, extinguiram o feito, sem resolução de mérito, em relação aos partidos e federação recorridos, por ilegitimidade passiva e, no mérito, negaram provimento ao recurso.


Dr. RENE CARLOS SCHUBERT JUNIOR, pelos recorridos Dari Paulo Prestes Taborba, Luiz Cesar Mello, Partido Progressista - PP de Giruá, Movimento Democrático Brasileiro - MDB de Giruá, Partido Liberal - PL de Giruá, Federação "PSDB CIDADANIA" (PSDB/CIDADANIA) de Giruá.
CASSAÇÃO DO REGISTRO DA CANDIDATURA. CARGO - VEREADOR. ABUSO - DE PODER POLÍTICO/AUTORIDADE. CANDIDATURA FICTÍCIA.
4 REl - 0600531-42.2024.6.21.0086

Des. Federal Leandro Paulsen

Três Passos-RS

ARLEI LUIS TOMAZONI (Adv(s) ANA PAULA FORMENTON OAB/RS 95441 e JHON MATHEUS KRUMMENAUER OAB/RS 94397)

SANDRO GEOVANI RADAELLI (Adv(s) SERGIO LUIZ FERNANDES PIRES OAB/RS 17295 e CLEUSA MARISA FRONER OAB/RS 42852), JUAREZ PAULO BRAGA ZAMBERLAN (Adv(s) SERGIO LUIZ FERNANDES PIRES OAB/RS 17295 e CLEUSA MARISA FRONER OAB/RS 42852), CLAUDIOMIRO VIEIRA CHAVALES (Adv(s) SERGIO LUIZ FERNANDES PIRES OAB/RS 17295 e CLEUSA MARISA FRONER OAB/RS 42852), DIEGO HIDER MACIEL (Adv(s) SERGIO LUIZ FERNANDES PIRES OAB/RS 17295 e CLEUSA MARISA FRONER OAB/RS 42852), NELSON DA SILVA (Adv(s) SERGIO LUIZ FERNANDES PIRES OAB/RS 17295 e CLEUSA MARISA FRONER OAB/RS 42852) e EDIO JOSE WESCHENFELDER (Adv(s) SERGIO LUIZ FERNANDES PIRES OAB/RS 17295 e CLEUSA MARISA FRONER OAB/RS 42852)

NOEMIA DOLORES DAUVE (Adv(s) SERGIO LUIZ FERNANDES PIRES OAB/RS 17295 e CLEUSA MARISA FRONER OAB/RS 42852), CLAIR DE FATIMA CARVALHO (Adv(s) SERGIO LUIZ FERNANDES PIRES OAB/RS 17295 e CLEUSA MARISA FRONER OAB/RS 42852), GILMAR MAIER (Adv(s) SERGIO LUIZ FERNANDES PIRES OAB/RS 17295 e CLEUSA MARISA FRONER OAB/RS 42852), JOSIELI NECKEL (Adv(s) SERGIO LUIZ FERNANDES PIRES OAB/RS 17295 e CLEUSA MARISA FRONER OAB/RS 42852) e SANDRA REGINA PIRES (Adv(s) SERGIO LUIZ FERNANDES PIRES OAB/RS 17295 e CLEUSA MARISA FRONER OAB/RS 42852)

Tipo Desembargador(a)
Nego provimento Des. Federal Leandro Paulsen
(relator)
Acompanho o relator Des. Mario Crespo Brum
Desa. Maria de Lourdes Galvão Braccini de Gonzalez
Des. Eleitoral Nilton Tavares da Silva
Des. Eleitoral Francisco Thomaz Telles
Desa. Eleitoral Caroline Agostini Veiga
Desa. Eleitoral Madgéli Frantz Machado

RELATÓRIO

Trata-se do RECURSO ELEITORAL interposto por ARLEI LUIS TOMAZONI, candidato eleito a prefeito de Três Passos/RS, nas Eleições 2024, contra a sentença de IMPROCEDÊNCIA da AÇÃO DE INVESTIGAÇÃO JUDICIAL ELEITORAL ajuizada em face dos candidatos a vereador da Federação Brasil da Esperança - FE Brasil (PT / PCdoB / PV), NOEMIA DOLORES DAUVE, JUAREZ PAULO BRAGA ZAMBERLAN, CLAUDIOMIRO VIEIRA CHAVALES, CLAIR DE FATIMA CARVALHO, DIEGO HIDER MACIEL, NELSON DA SILVA, GILMAR MAIER, JOSIELI NECKEL, EDIO JOSE WESCHENFELDER, SANDRA REGINA PIRES e SANDRO GEOVANI RADAELLI, sob o fundamento de que a candidatura de NOEMIA DOLORES DAUVE ao cargo de vereador foi levada a efeito apenas para cumprimento da quota mínima do sexo feminino, determinada no art. 10, § 3º, da Lei n. 9.504/97.

Em seu recurso, o recorrente alega que a candidatura de Noemia Dolores Dauve foi fictícia, apresentando votação irrisória (4 votos), ausência de atos efetivos de campanha, prestação de contas genérica e inatividade em redes sociais, configurando desvirtuamento do propósito da norma de incentivo à participação feminina na política. Aponta que a candidata não participou diretamente da campanha, não teve apoio da coligação majoritária e, supostamente, recebeu valores para formalizar sua candidatura, sem registro na prestação de contas. Requer a cassação do DRAP da federação e dos diplomas dos eleitos vinculados, com base na Súmula do TSE n. 73 e nas disposições da Resolução TSE n. 23.735/24, por caracterização de fraude à legislação eleitoral.

Foram apresentadas contrarrazões pelos recorridos (ID 46031633).

Nesta instância, a Procuradoria Regional Eleitoral opinou pelo desprovimento do recurso (ID 46119322). 

É o relatório.

 

DIREITO ELEITORAL. ELEIÇÕES 2024. RECURSO. AÇÃO DE INVESTIGAÇÃO JUDICIAL ELEITORAL (AIJE). IMPROCEDENTE. FRAUDE À COTA DE GÊNERO. MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA E ATOS DE CAMPANHA COMPROVADOS. AUSÊNCIA DE PROVA ROBUSTA. IN DUBIO PRO SUFFRAGIO. RECURSO DESPROVIDO.

I. CASO EM EXAME

1.1. Recurso eleitoral interposto por candidato eleito ao cargo de prefeito contra sentença que julgou improcedente Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) ajuizada em face de candidatos a vereador de federação partidária, na qual se alegou fraude à cota de gênero, em razão da suposta candidatura fictícia. O recorrente requer a cassação do Demonstrativo de Regularidade de Atos Partidários (DRAP) e dos diplomas dos eleitos.

II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO

2.1. Definir se é possível o reconhecimento de fraude à cota de gênero dados os elementos de prova constantes nos autos.

III. RAZÕES DE DECIDIR

3.1. A fraude à cota de gênero exige prova robusta e análise do conjunto das circunstâncias fáticas, não sendo suficientes meros indícios, conforme jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No caso, embora a candidata tenha obtido votação inexpressiva (quatro votos), esse dado isoladamente não comprova a ficcionalidade da candidatura.

3.2. Prestação de contas. Não procede a afirmação de inexistência de movimentação relevante. As contas da candidata foram aprovadas e registram despesas e receitas de campanha, incluindo recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) aplicados em serviços e materiais (como criação de página na internet e impressos), além de arrecadação de doações de pessoas físicas destinadas ao custeio de despesas formais de campanha e de regularidade contábil.

3.3. Atos efetivos de campanha. A prova produzida não confirma que a candidata se absteve totalmente de pedir votos ou que tenha atuado apenas em favor de terceiros, tendo a prova testemunhal revelado versões distintas, existindo depoimentos indicando a ocorrência de propaganda em rádio e a confecção de material gráfico, além de elementos documentais que corroboram esses pontos.

3.4. Manutenção da sentença. Embora presente o elemento da votação inexpressiva, os demais aspectos do conjunto probatório (movimentação financeira registrada, existência de material de campanha, registros de participação e pedidos de voto, ausência de prova do suposto pagamento e explicações plausíveis para menor intensidade de campanha) não permitem concluir, com a segurança necessária, pela ocorrência de fraude à cota de gênero. Incidência do princípio do in dubio pro suffragio.

IV. DISPOSITIVO E TESE

4.1. Recurso desprovido.

Tese de julgamento: “A caracterização de fraude à cota de gênero demanda prova robusta do propósito de burlar o percentual mínimo de candidaturas femininas, sendo que a ocorrência de votação inexpressiva, isoladamente considerada, não configura candidatura fictícia.”

Dispositivos relevantes citados: Lei n. 9.504/97, art. 10, § 3º; Resolução TSE n. 23.735/24, art. 8º, § 2º; Código Eleitoral, arts. 222 e 224.

Jurisprudência relevante citada: TSE, Súmula n. 73; TSE, RO n. 060169322, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, DJe 22.4.2021; TSE, REspEl n. 060000172-20.2021.6.25.0008, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe 07.4.2022.


 

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Enviado em 2026-03-17 08:42:50 -0300
Não há memoriais para este processo
Autor
SERGIO LUIZ FERNANDES PIRES
Autor
Sustentação oral por videoconferência

Por unanimidade, negaram provimento ao recurso.

Dr. SERGIO LUIZ FERNANDES PIRES, pela recorrida Noemia Dolores Dauve.
CASSAÇÃO DO REGISTRO DA CANDIDATURA. CARGO - VEREADOR. ABUSO - DE PODER ECONÔMICO. CAPTAÇÃO ILÍCITA DE SUFRÁGIO.
5 REl - 0600728-98.2024.6.21.0020

Desa. Eleitoral Madgéli Frantz Machado

Aratiba-RS

ELEICAO 2024 AMARILDO ANTONIO RACHELLE VEREADOR (Adv(s) FRANCIANE MOMO OAB/RS 65023)

ELEICAO 2024 JANDIR TAMANHO VEREADOR (Adv(s) FELIPE LAGUE MACHADO CARRION OAB/RS 73814) e MARCO ANTONIO MACHADO (Adv(s) MARCOS LAERTE GRITTI OAB/RS 39411 e JACSON ANGELO COMARELLA OAB/RS 122581)

Tipo Desembargador(a)
Não conheço Desa. Eleitoral Madgéli Frantz Machado
(relator)
Acompanho o relator Des. Mario Crespo Brum
Desa. Maria de Lourdes Galvão Braccini de Gonzalez
Des. Eleitoral Nilton Tavares da Silva
Des. Eleitoral Francisco Thomaz Telles
Desa. Eleitoral Caroline Agostini Veiga
Des. Federal Leandro Paulsen

RELATÓRIO

Trata-se de recurso interposto por Amarildo Antônio Rachelle, suplente ao cargo de vereador no Município de Aratiba/RS, contra sentença proferida pelo Juízo da 020ª Zona Eleitoral de Erechim/RS, que julgou improcedente Ação de Investigação Judicial Eleitoral ajuizada em face de Jandir Tamanho, também suplente, na qual se imputou a prática de captação ilícita de sufrágio (art. 41-A da Lei n. 9.504/97) e abuso de poder econômico (art. 22 da LC n. 64/90), em razão de suposta distribuição de vales-combustível a eleitores.

A decisão concluiu, em síntese, pela insuficiência do conjunto probatório quanto à autoria e ao dolo específico exigido para a configuração do ilícito, bem como pela ausência de gravidade apta a caracterizar abuso de poder econômico.

Em suas razões recursais, o recorrente sustenta que houve cerceamento de defesa diante do indeferimento da prova grafotécnica requerida; afirma que a prova documental e testemunhal seria suficiente para demonstrar a prática ilícita; argumenta que, em município de pequeno porte, mesmo valores reduzidos possuem potencial para influenciar o resultado do pleito; aduz que os depoimentos foram indevidamente desqualificados pelo juízo de origem; refuta a hipótese de lide simulada; e sustenta a existência de interferência político-partidária local no desfecho da demanda.

Foram apresentadas contrarrazões.

Subiram os autos e, com vista, a Procuradoria Regional Eleitoral manifestou-se pelo não conhecimento do recurso, ante o erro grosseiro na via eleita e a ausência de dialeticidade recursal. Ainda, posicionou-se no sentido de que, caso superados tais óbices, o recurso não merece provimento.

Após a manifestação ministerial, a parte recorrente apresentou nova petição, com argumentos.

Vieram conclusos.

É o relatório.

 

DIREITO ELEITORAL. ELEIÇÕES 2024. RECURSO. IMPROCEDÊNCIA DE AÇÃO DE INVESTIGAÇÃO JUDICIAL ELEITORAL. ERRO GROSSEIRO NA VIA RECURSAL ESCOLHIDA. AUSÊNCIA DE DIALETICIDADE. RECURSO NÃO CONHECIDO.

I. CASO EM EXAME

1.1. Recurso interposto por suplente ao cargo de vereador contra sentença que julgou improcedente Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) ajuizada por suposta captação ilícita de sufrágio e abuso de poder econômico, em razão de alegada distribuição de vales-combustível a eleitores.

1.2. A Procuradoria Regional Eleitoral manifestou-se pelo não conhecimento do recurso, ante o erro grosseiro na via eleita e a ausência de dialeticidade recursal.

II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO

2.1. Definir se é cabível o recurso.

III. RAZÕES DE DECIDIR

3.1. Admissibilidade. A insurgência foi manejada sob a denominação de “Recurso Ordinário”, com fundamento no art. 265 do Código Eleitoral, em face de sentença proferida por Juízo Eleitoral de primeiro grau.

3.2. Erro grosseiro. O recurso ordinário, nos termos do art. 276, inc. II, do Código Eleitoral, é cabível contra acórdãos dos Tribunais Regionais Eleitorais nas hipóteses legais, não se destinando à impugnação de sentença. Afastada a aplicação do princípio da fungibilidade recursal, conforme orientação consolidada do Tribunal Superior Eleitoral.

3.3. Ausência de dialeticidade. As razões recursais deixam de impugnar especificamente os fundamentos determinantes da sentença — ausência de prova robusta da origem e autenticidade dos vales-combustível, inexistência de confirmação independente de utilização, fragilidade dos depoimentos e ausência de gravidade — limitando-se à reiteração de argumentos expedidos na inicial e nas alegações finais.

3.4. Incidência da Súmula TSE n. 26, segundo a qual "é inadmissível o recurso que deixa de impugnar especificamente fundamento da decisão recorrida que é, por si só, suficiente para a manutenção desta".

IV. DISPOSITIVO E TESE

4.1. Recurso não conhecido, em razão de erro grosseiro na via recursal escolhida e da ausência de dialeticidade.

Teses de julgamento: "1. Nos termos do art. 276, II, do Código Eleitoral, o recurso ordinário é cabível contra acórdãos dos Tribunais Regionais Eleitorais nas hipóteses legalmente previstas, não se destinando à impugnação de sentença; 2. É inadmissível o recurso que deixa de impugnar especificamente fundamento da decisão recorrida que é, por si só, suficiente para a manutenção desta."

Dispositivos relevantes citados: Código Eleitoral, arts. 265 e 276, inc. II."

Jurisprudência relevante citada: Súmula n. 26 do TSE. TSE, Agr-RO-EL n. 0601404-74, Rel. Min. Edson Fachin, j. 20.10.2020; TRE-MG, REl n. 0600526-93.2020.6.13.0276, Rel. Des. Marcos Lourenço Capanema de Almeida, j. 11.10.2022.

 

Parecer PRE - 46027850.pdf
Enviado em 2026-03-17 08:43:02 -0300
Não há memoriais para este processo
Não há sustentações orais para este processo

Por unanimidade, não conheceram do recurso.

ABUSO - DE PODER POLÍTICO/AUTORIDADE. CORRUPÇÃO OU FRAUDE.
6 REl - 0600370-85.2024.6.21.0036

Desa. Eleitoral Madgéli Frantz Machado

Quaraí-RS

CLAUDIOMIRO GOROSTIDE MENNA BARRETO (Adv(s) RODRIGO DE OLIVEIRA VIEIRA OAB/RS 39456)

ALEXIA JARDIM VIEIRA (Adv(s) AMANDA SMOLA SUAREZ OAB/RS 118663 e LUCAS LOPES RIBEIRO OAB/RS 116291) e SIMONE GONZALEZ VIEIRA (Adv(s) LUCAS LOPES RIBEIRO OAB/RS 116291)

Tipo Desembargador(a)
Nego provimento Desa. Eleitoral Madgéli Frantz Machado
(relator)
Acompanho o relator Des. Mario Crespo Brum
Desa. Maria de Lourdes Galvão Braccini de Gonzalez
Des. Eleitoral Nilton Tavares da Silva
Des. Eleitoral Francisco Thomaz Telles
Desa. Eleitoral Caroline Agostini Veiga
Des. Federal Leandro Paulsen

RELATÓRIO

Trata-se de recurso eleitoral (ID 46035458) interposto por CLAUDIOMIRO GOROSTIDE MENNA BARRETO em face da sentença proferida pelo Juízo da 036ª Zona Eleitoral, sediada no Município de Quaraí, que julgou improcedente a Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), por ele ajuizada contra ALEXIA JARDIM VIEIRA e SIMONE GONZALEZ VIEIRA, candidatas ao cargo de vereadora pelo AVANTE daquele município, ao argumento de fraude à cota de gênero.

A decisão recorrida julgou ausentes provas robustas e elementos com envergadura significativa e suficiente para macular as candidaturas e consequentemente o Demonstrativo de Regularidade de Atos Partidários (DRAP) do 70 – AVANTE, com anulação dos votos de todos os candidatos do partido, além da suspensão de direitos políticos, conforme a legislação.

Em suas razões, o recorrente entende haver comprovação do preenchimento dos requisitos caracterizadores da fraude à cota de gênero, conforme dispõe a Súmula n. 73 do TSE. Sustenta não haver prova dos atos de campanha e aponta a inexpressiva votação alcançada pelas recorridas. Destaca a padronização das prestações de contas e as movimentações financeiras irrelevantes. Requer a procedência da ação, para declarar a nulidade dos votos atribuídos ao AVANTE, com a cassação do DRAP, determinar o recálculo dos quocientes eleitoral e partidário, a  nova totalização e redistribuição das vagas ao cargo proporcional, além da aplicação da sanção de inelegibilidade por 8 (oito) anos às recorridas.

O prazo de apresentação de contrarrazões não fora aproveitado (ID 46035463).

Fora determinada a regularização da representação processual (ID 46037746), diligência atendida (ID 46045231).

Na presente instância, a Procuradoria Regional Eleitoral opina por negar provimento ao recurso (ID 46159247).

Vieram conclusos.

É o relatório.

DIREITO ELEITORAL. ELEIÇÕES 2024. RECURSO. AÇÃO DE INVESTIGAÇÃO JUDICIAL ELEITORAL (AIJE). IMPROCEDENTE. ALEGAÇÃO DE FRAUDE À COTA DE GÊNERO. AUSÊNCIA DE PROVA ROBUSTA. RECURSO DESPROVIDO

I. CASO EM EXAME

1.1. Recurso eleitoral interposto contra sentença que julgou improcedente Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) ajuizada em face de candidatas ao cargo de vereadora, por alegada fraude à cota de gênero nas Eleições 2024.

1.2. O recorrente sustenta votação inexpressiva, ausência de atos efetivos de campanha e padronização das prestações de contas, requerendo a nulidade dos votos da legenda e a aplicação de inelegibilidade. A Procuradoria Regional Eleitoral opina por negar provimento ao recurso.

II. QUESTÕES EM DISCUSSÃO

2.1. Saber se as peculiaridades do caso concreto configuram fraude à cota de gênero.

III. RAZÕES DE DECIDIR

3.1. O entendimento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é pacífico ao exigir um acervo probatório robusto para a caracterização de candidatura fictícia. A Súmula TSE n. 73 refere a necessidade de consideração dos fatos e as circunstâncias do caso concreto. 

3.2. A votação reduzida, isoladamente considerada, não configura fraude, sobretudo quando contextualizada em município de pequeno porte e diante da existência de outros candidatos com desempenho semelhante ou inferior.

3.3. Demonstrada a confecção de material gráfico, registro de despesas e, quanto a uma das candidatas, divulgação em rede social no período eleitoral, não se verificando ausência absoluta de atos de campanha apta a caracterizar simulação.

3.4. A identidade dos valores recebidos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) não evidencia padronização fraudulenta, mas tratamento isonômico, inexistindo prova de movimentação fictícia ou ausência total de despesas, observada, ainda, a orientação de julgamento com perspectiva de gênero.

3.5. A análise da ocorrência de fraude deve ponderar o cenário local, a trajetória da candidata e a jornada dupla/tripla (doméstica, familiar e profissional) da maioria das mulheres. Na espécie, a situação se mostra compatível com candidaturas de base, de mulheres iniciantes na carreira política e sem inserção comunitária anterior, em município de pequeno porte. Inexistente conjunto probatório consistente a demonstrar burla deliberada à política afirmativa, impõe-se a manutenção da improcedência.

IV. DISPOSITIVO E TESE

4.1. Recurso desprovido.

Teses de julgamento: "1. A votação inexpressiva não caracteriza, por si só, fraude à cota de gênero; 2. A existência de atos mínimos de campanha e de movimentação financeira comprovada afasta a conclusão de candidatura fictícia; 3. A padronização de receitas decorrente de repasse isonômico do FEFC, desacompanhada de prova robusta de simulação, não demonstra burla ao art. 10, § 3º, da Lei n. 9.504/97."

Dispositivos relevantes citados: Resolução TSE n.23.735/24, art. 8º, § 5º;
Súmula TSE n. 73; Recomendação CNJ n. 128/23.

Jurisprudência relevante citada: TSE, AREspEl n. 0601028-71, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, j. 12.8.2022; TRE-RS, RE n. 0600347-43.2024.6.21.0068, Rel. Des. Volnei dos Santos Coelho, j. 16.12.2025.


 

Parecer PRE - 46159247.pdf
Enviado em 2026-03-17 08:43:29 -0300
Não há memoriais para este processo
Não há sustentações orais para este processo


Por unanimidade, negaram provimento ao recurso.

PRESTAÇÃO DE CONTAS - DE EXERCÍCIO FINANCEIRO.
7 REl - 0600014-58.2025.6.21.0100

Desa. Maria de Lourdes Galvão Braccini de Gonzalez

Água Santa-RS

PARTIDO PROGRESSISTAS - AGUA SANTA - RS - MUNICIPAL (Adv(s) ELIANE RODRIGUES CORREA OAB/RS 92032)

<Não Informado>

Tipo Desembargador(a)
Nego provimento Desa. Maria de Lourdes Galvão Braccini de Gonzalez
(relator)
Acompanho o relator Des. Eleitoral Nilton Tavares da Silva
Des. Eleitoral Francisco Thomaz Telles
Desa. Eleitoral Caroline Agostini Veiga
Des. Federal Leandro Paulsen
Desa. Eleitoral Madgéli Frantz Machado

RELATÓRIO

Trata-se de recurso eleitoral interposto pelo DIRETÓRIO MUNICIPAL DO PARTIDO PROGRESSISTAS (PP) DE ÁGUA SANTA/RS contra sentença proferida pelo Juízo Eleitoral da 100ª Zona Eleitoral, que desaprovou as contas do exercício financeiro de 2024 da agremiação recorrente e determinou o recolhimento ao Tesouro Nacional da quantia de R$ 1.120,00, em razão de depósito em espécie acima do limite permitido pela Resolução TSE n. 23.604/19 (ID 46142072).

Em suas razões, o recorrente sustenta que a irregularidade apontada possui natureza meramente formal, uma vez que o doador se encontra devidamente identificado (sr. Martinho Rodigheri), com CPF informado no SPCA, emissão de recibo eleitoral e correspondente lançamento contábil. Requer, assim, a aprovação das contas com ressalvas ou, subsidiariamente, que eventual recolhimento ao Tesouro Nacional se limite à parcela excedente ao teto legal, correspondente a R$ 55,90, afastando-se a devolução da integralidade do valor recebido (ID 46142078).

A Procuradoria Regional Eleitoral opina pelo desprovimento do recurso (ID 46147199).

É o relatório.

DIREITO ELEITORAL. RECURSO. PRESTAÇÃO DE CONTAS ANUAL. PARTIDO POLÍTICO. DIRETÓRIO MUNICIPAL. EXERCÍCIO FINANCEIRO DE 2024. DEPÓSITO EM ESPÉCIE ACIMA DO LIMITE LEGAL. DEVER DE RECOLHIMENTO AO TESOURO NACIONAL. DESAPROVAÇÃO. RECURSO DESPROVIDO.

I. CASO EM EXAME

1.1. Recurso eleitoral interposto contra sentença que desaprovou as contas do exercício financeiro de 2024 de diretório municipal e determinou o recolhimento ao Tesouro Nacional de valor recebido por depósito em espécie acima do limite regulamentar.

1.2. A agremiação sustenta que o doador estaria devidamente identificado, constando o número do CPF ao lado do crédito em dinheiro no extrato bancário da conta partidária. Requer a aprovação com ressalvas ou, subsidiariamente, o recolhimento apenas da parcela excedente.

II. QUESTÕES EM DISCUSSÃO

2.1. Saber se o depósito em espécie acima do limite legal configura irregularidade, ainda que identificado o CPF do depositante.

III. RAZÕES DE DECIDIR

3.1. O art. 8º, § 3º, da Resolução TSE n. 23.604/19 exige que doações acima do limite sejam realizadas mediante transferência eletrônica entre as contas bancárias do doador e do beneficiário ou cheque cruzado e nominal, vedando o depósito em espécie.

3.2. A mera identificação do CPF no depósito não comprova a origem do recurso, por possuir natureza declaratória, conforme entendimento do TSE.

3.3. Configurada a irregularidade pela inobservância objetiva da forma legal de ingresso do recurso, sendo irrelevante a alegação de boa-fé ou a identificação do suposto doador. O valor irregular não comporta fracionamento, devendo ser integralmente recolhido ao Tesouro Nacional.

3.4. A irregularidade corresponde a aproximadamente 31% da receita arrecadada pelo partido no exercício de 2024, percentual expressivo que afasta a aplicação dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, conforme entendimento consolidado desta Corte.

3.5. Inviável a imposição da penalidade de multa prevista no art. 48 da Resolução TSE n. 23.604/19, não aplicada na sentença, ante a vedação à reformatio in pejus.

IV. DISPOSITIVO E TESE

4.1. Recurso desprovido.

Tese de julgamento: "A realização de depósitos em espécie identificados por determinada pessoa é incapaz, por si só, de comprovar sua origem, haja vista a ausência de trânsito prévio dos recursos pelo sistema bancário”.

Dispositivos relevantes citados: Resolução TSE n. 23.604/19, arts. 8º, §§ 3º e 10º

Jurisprudência relevante citada: TSE, AgR-REspEl n. 0600359-66, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe 17.10.2023; TRE-RS, REl n. 0600027-81, Rel. Des. Nilton Tavares da Silva, DJE 25.4.2024; TRE-RS, REl n. 0600091-66.2021.6.21.0081, Rel. Des. Voltaire de Lima Moraes, DJe 23.10.2023; TRE-RS, RE n. 1460, Rel. Des. Marilene Bonzanini, j. 21.1.2019.


 

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Não há memoriais para este processo
Não há sustentações orais para este processo


Por unanimidade, negaram provimento ao recurso.

CASSAÇÃO DO REGISTRO DA CANDIDATURA. CARGO - VEREADOR. ABUSO - DE PODER ECONÔMICO. CAPTAÇÃO ILÍCITA DE SUFRÁGIO. CANDIDATO ELEITO.
8 REl - 0600326-36.2024.6.21.0046

Des. Eleitoral Nilton Tavares da Silva

Caraá-RS

FABIANO SANTOS DA SILVA (Adv(s) GERSON FISCHMANN OAB/RS 10495, ANTONIO CESAR PERES DA SILVA OAB/RS 27816, RICARDO ZULLMANN PIRES OAB/RS 101301, GUSTAVO GIL TERRES PERES DA SILVA OAB/RS 76875 e LUCAS ZULLMANN PIRES OAB/RS 101280)

MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL

Tipo Desembargador(a)
Nego provimento Des. Eleitoral Nilton Tavares da Silva
(relator)
Acompanho o relator Des. Mario Crespo Brum
Desa. Maria de Lourdes Galvão Braccini de Gonzalez
Des. Eleitoral Francisco Thomaz Telles
Desa. Eleitoral Caroline Agostini Veiga
Des. Federal Leandro Paulsen
Desa. Eleitoral Madgéli Frantz Machado

RELATÓRIO

Trata-se de recurso eleitoral interposto por FABIANO SANTOS DA SILVA, vereador do Município de Caraá, em face de sentença que julgou procedente Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) cumulada com representação por captação ilícita de sufrágio, reconhecendo a prática de captação ilícita (art. 41-A da Lei n. 9.504/97) pelo recorrente e de abuso de poder econômico (art. 22, inc. XIV, da LC n. 64/90) por FABIANO e seu irmão LIZANDRO SANTOS DA SILVA, com a consequente cassação do registro e diploma, aplicação de multa, declaração de inelegibilidade pelo prazo de oito anos e nulidade dos votos, com redistribuição nos termos da legislação eleitoral.

Em embargos de declaração opostos pelo Ministério Público Eleitoral, o Juízo de origem aclarou o dispositivo para incluir expressamente o art. 22, inc. XIV, da LC n. 64/90 também em relação a FABIANO, bem como para consignar que a nulidade dos votos alcança todos os efeitos, inclusive a legenda, com recálculo do quociente eleitoral e partidário, nos termos do art. 222 do Código Eleitoral, mantidos os demais termos da sentença.

Nas razões recursais, o recorrente suscita preliminares de juntada intempestiva de documentos, extemporaneidade das alegações finais ministeriais e julgamento extra petita quanto à nulidade dos votos. No mérito, sustenta fragilidade da prova, ausência de dolo e o caráter meramente assistencialista das condutas, desvinculadas de pedido de voto.

Culmina por pugnar pelo provimento do recurso, ao efeito de julgar improcedente a ação.

Em 12/3/2026, o recorrente peticionou noticiando ocorrência de fato superveniente, consistente em decisão proferida nos autos da Ação Penal Eleitoral n. 0600001-90.2026.6.21.0046, na qual foi rejeitada denúncia por suposta prática do crime de coação no curso do processo (ID 46183270).

A Procuradoria Regional Eleitoral opinou pela rejeição das preliminares e, no mérito, pelo desprovimento do recurso.

É o relatório.

DIREITO ELEITORAL. ELEIÇÕES 2024. RECURSO. AÇÃO DE INVESTIGAÇÃO JUDICIAL ELEITORAL - AIJE. REPRESENTAÇÃO. PROCEDÊNCIA. MATÉRIA PRELIMINAR REJEITADA. MÉRITO. RECONHECIDA A PRÁTICA DE CAPTAÇÃO ILÍCITA DE SUFRÁGIO E ABUSO DE PODER ECONÔMICO. CASSAÇÃO DO DIPLOMA. MULTA. INELEGIBILIDADE. RECURSO DESPROVIDO.

I. CASO EM EXAME

1.1. Recurso eleitoral interposto contra sentença que julgou procedente Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) cumulada com representação por captação ilícita de sufrágio, reconhecendo a prática do ilícito previsto no art. 41-A da Lei n. 9.504/97 e de abuso de poder econômico (art. 22, inc. XIV, da LC n. 64/90).

1.2. Determinada a cassação do registro e do diploma, aplicação de multa, declaração de inelegibilidade por oito anos e nulidade dos votos, com recálculo do quociente eleitoral e partidário.

II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO

2.1. Determinar se o conjunto probatório é suficiente para caracterizar captação ilícita de sufrágio e abuso de poder econômico.

III. RAZÕES DE DECIDIR

3.1. Matéria preliminar rejeitada.

3.1.1. Ausência de nulidade por juntada extemporânea de documentos, pois foi expressamente deferido ao Ministério Público Eleitoral prazo para complementação probatória, sem oposição da defesa, o que atrai a preclusão.

3.1.2. Não procede a alegação de intempestividade das alegações finais do Ministério Público. Consta nos autos que o órgão foi intimado pessoalmente, com prazo final em 14.4.2025, tendo apresentado suas razões em 11.4.2025. Observada a forma de intimação exigida pela jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral, inexiste irregularidade.

3.1.3. Inocorrência de julgamento extra petita. A nulidade dos votos decorre diretamente da procedência da AIJE, nos termos do art. 10, inc. I, al. “a”, da Resolução TSE n. 23.735/24, efeito legal que foi devidamente explicitado em sede de embargos de declaração, com referência expressa ao art. 222 do Código Eleitoral.

3.2. Mérito. O acervo probatório é denso, coerente e harmônico. As provas técnicas e documentais demonstram de forma segura que o recorrente praticou captação ilícita de sufrágio e abuso de poder econômico.

3.3. As extrações de dados de telefones celulares revelam tratativas reiteradas para oferta de dinheiro, cargas de saibro e horas-máquina a eleitores, vinculadas à obtenção de voto, circunstância corroborada por comprovantes de transferências bancárias e registros de PIX coincidentes com os diálogos.

3.4. A quebra de sigilo bancário evidencia movimentações atípicas no período eleitoral, compatíveis com as vantagens ofertadas, formando conjunto probatório coeso, harmônico e suficiente para a condenação, independentemente de eventuais fragilidades testemunhais.

3.5. O Tribunal Superior Eleitoral entende que a oferta de bens, valores ou serviços configura captação ilícita de sufrágio sempre que vinculada à intenção de obter voto, ainda que sob a aparência de auxílio. No caso, o elemento subjetivo está plenamente caracterizado pelas mensagens em que o recorrente monitora o comportamento dos eleitores beneficiados, evidenciando o propósito de corromper a liberdade de escolha.

3.6. Configurado abuso de poder econômico. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, basta a potencialidade lesiva da conduta para a configuração do abuso. No caso, uso reiterado e desproporcional de recursos patrimoniais com finalidade eleitoral, a comprometer a paridade de armas e a normalidade das eleições. 

3.7. Alegação de fato superveniente (juntada de decisão proferida em autos de ação penal). Inexistência de relevância jurídica capaz de alterar a conclusão já alcançada, razão pela qual não há modificação no entendimento ora firmado.

3.8. Dolo configurado. As mensagens demonstram a participação direta do recorrente nas tratativas e o cuidado em disfarçar a origem das vantagens, inclusive com referências à emissão de notas fiscais “para esquentar” os serviços. O agir consciente e deliberado reforça a gravidade do ilícito e afasta qualquer hipótese de conduta culposa ou de responsabilidade reflexa.

3.9. Manutenção da sentença. A decisão enfrentou todas as teses defensivas, reconhecendo com acerto a prática de captação ilícita de sufrágio e de abuso de poder econômico.

IV. DISPOSITIVO E TESE

4.1. Recurso desprovido. Cassação do diploma. Multa. Inelegibilidade. Nulidade dos votos. Recálculo do quociente eleitoral e partidário.

Teses de julgamento: "1. A oferta de bens, valores ou serviços configura captação ilícita de sufrágio sempre que vinculada à intenção de obter voto, ainda que sob a aparência de auxílio assistencial. 2. O uso reiterado e desproporcional de recursos patrimoniais com finalidade eleitoral compromete a paridade de armas e a normalidade das eleições e configura abuso de poder econômico, sendo suficiente a potencialidade lesiva da conduta para aplicação das sanções do art. 22, inc. XIV, da LC n. 64/90."

Dispositivos relevantes citados: LC n. 64/90, art. 22, inc. XIV; Código Eleitoral, art. 222; CPC, art. 435; Resolução TSE n. 23.735/24, art. 10, inc. I, al. “a”.


 

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Enviado em 2026-03-17 08:42:53 -0300
Autor
GERSON FISCHMANN
Autor
GERSON FISCHMANN
Autor
Sustentação oral por videoconferência


Por unanimidade, rejeitaram a matéria preliminar e, no mérito, negaram provimento ao recurso.

Dr. GERSON FISCHMANN, pelo recorrente Fabiano Santos da Silva;
Dr. CLÁUDIO DUTRA FONTELLA, pelo recorrido Ministério Público Eleitoral.
CASSAÇÃO DE MANDATO. CANDIDATURA FICTÍCIA.
9 REl - 0600002-63.2025.6.21.0029

Des. Eleitoral Nilton Tavares da Silva

Lajeado-RS

ANTONIO MARCOS SILVA DE OLIVEIRA (Adv(s) PAULO ROBERTO CARDOSO MOREIRA DE OLIVEIRA OAB/RS 27026, DANIEL PAULO FONTANA OAB/RS 35057 e FERNANDA GOERCK OAB/RS 70266) e PODEMOS - LAJEADO - RS - MUNICIPAL (Adv(s) PAULO ROBERTO CARDOSO MOREIRA DE OLIVEIRA OAB/RS 27026, DANIEL PAULO FONTANA OAB/RS 35057 e FERNANDA GOERCK OAB/RS 70266)

FEDERAÇÃO PSDB CIDADANIA (PSDB/CIDADANIA) - LAJEADO - RS (Adv(s) RENATA AGUZZOLLI PROENCA OAB/RS 99949 e EVERSON ALVES DOS SANTOS OAB/RS 104318)

Tipo Desembargador(a)
Nego provimento Des. Eleitoral Nilton Tavares da Silva
(relator)
Acompanho o relator Des. Mario Crespo Brum
Desa. Maria de Lourdes Galvão Braccini de Gonzalez
Des. Eleitoral Francisco Thomaz Telles
Desa. Eleitoral Caroline Agostini Veiga
Des. Federal Leandro Paulsen
Desa. Eleitoral Madgéli Frantz Machado

RELATÓRIO

Trata-se de recurso eleitoral interposto por ANTONIO MARCOS SILVA DE OLIVEIRA, candidato eleito ao cargo de vereador no Município de Lajeado/RS, pelo partido PODEMOS – Lajeado/RS, em face da sentença proferida pelo Juízo da 029ª Zona Eleitoral que julgou procedente a Ação de Impugnação de Mandato Eletivo ajuizada pela FEDERAÇÃO PSDB/CIDADANIA.

A sentença reconheceu a ocorrência de fraude à cota de gênero em razão do indeferimento definitivo da candidatura de Luciana Caussi, sem substituição ou ajuste da nominata, em afronta ao art. 10, § 3º, da Lei n. 9.504/97. Em consequência, determinou a cassação do mandato do recorrente, a anulação dos votos do partido e a retotalização do pleito proporcional.

Em suas razões, os recorrentes suscitam, em preliminar, a inadequação da via eleita, por entenderem que a Ação de Impugnação de Mandato Eletivo (AIME) não se prestaria a apurar fraude à cota de gênero. No mérito, sustentam ausência de fraude ou má-fé, alegando que acreditavam na viabilidade de reversão do indeferimento do registro da candidata, que esta realizou atos de campanha e que havia parecer ministerial favorável. Apontam, ainda, ofensa aos princípios da proporcionalidade e da soberania popular.

Culminam por pugnar pelo provimento do recurso para que a ação seja julgada extinta ou, subsidiariamente, improcedente.

Com contrarrazões, os autos foram remetidos à Procuradoria Regional Eleitoral que opinou pelo desprovimento do recurso.

É o relatório.

 

 

DIREITO ELEITORAL. ELEIÇÕES 2024. RECURSO. AÇÃO DE IMPUGNAÇÃO DE MANDATO ELETIVO - AIME. PROCEDENTE. PRELIMINARES AFASTADAS. NULIDADE. INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. MÉRITO. FRAUDE À COTA DE GÊNERO. MANUTENÇÃO DE CANDIDATA INELEGÍVEL NA NOMINATA. ANULAÇÃO DOS VOTOS DA LEGENDA. RETOTALIZAÇÃO. RECURSO DESPROVIDO.

I. CASO EM EXAME

1.1. Recurso eleitoral interposto contra sentença que julgou procedente Ação de Impugnação de Mandato Eletivo (AIME), reconhecendo fraude à cota de gênero pela manutenção de candidatura feminina definitivamente indeferida, sem substituição ou ajuste da nominata. Determinada cassação do mandato, anulação dos votos da legenda e retotalização.

1.2. O recorrente sustenta, preliminarmente, a inadequação da via eleita, afirmando que a AIME não seria meio apto para apurar fraude à cota de gênero. No mérito, afirma inexistência de fraude ou má-fé, argumentando que havia expectativa de reversão da inelegibilidade da candidata, que esta realizou atos de campanha e que havia parecer ministerial favorável. Alega ofensa aos princípios da proporcionalidade e da soberania popular. Requer o provimento do recurso para extinguir a ação ou julgá-la improcedente.

II. QUESTÕES EM DISCUSSÃO

2.1. Há duas questões em discussão: (i) se a AIME é via adequada para apurar fraude à cota de gênero; (ii) se a manutenção de candidata inelegível configura fraude apta a ensejar cassação do mandato e anulação dos votos.

III. RAZÕES DE DECIDIR

3.1. Preliminares afastadas.

3.1.1. O Tribunal Superior Eleitoral firmou entendimento de que a AIME é via adequada para apurar fraude à cota de gênero, por se tratar de fraude constitucionalmente relevante que compromete a legitimidade do pleito.

3.1.2. A alegação de nulidade por julgamento extra petita não prospera, pois a sentença limitou-se a aplicar jurisprudência consolidada, notadamente o art. 224 do Código Eleitoral e o enunciado da Súmula n. 73 do TSE, segundo o qual a fraude à cota de gênero implica anulação dos votos da legenda e retotalização.

3.2. No mérito, restou comprovado nos autos que a candidata feminina foi declarada inelegível com fundamento no art. 1º, inc. I, al. “e”, da LC n. 64/90, com trânsito em julgado, sem interposição de recurso. Ciente dessa circunstância, o partido a manteve no DRAP sem providenciar a substituição ou readequação da nominata, reduzindo o percentual de candidaturas femininas, que ficou abaixo do mínimo legal de 30%.

3.3. Ainda que a candidata tenha realizado atos de campanha, tal circunstância é irrelevante para afastar a caracterização de fraude, conforme art. 8º da Resolução TSE n. 23.735/24 e Súmula n. 73 do TSE. Demonstrado que o partido agiu com dolo, pois tinha conhecimento da inelegibilidade, não recorrendo da decisão e deixando de promover a substituição ou ajuste da nominata. Correta a sentença ao reconhecer a fraude e aplicar as consequências legais.

IV. DISPOSITIVO E TESE

4.1. Recurso desprovido, mantendo-se a sentença de procedência da Ação de Impugnação de Mandato Eletivo.

Tese de julgamento: "A manutenção de candidata definitivamente inelegível na nominata, sem substituição ou ajuste para atendimento do percentual mínimo de gênero, configura fraude à cota de gênero apta a ensejar cassação do mandato e anulação dos votos da legenda, sendo a AIME o meio processual adequado para impugnar mandato obtido mediante tal fraude."

Dispositivos relevantes citados: Lei n. 9.504/97, art. 10, § 3º; Código Eleitoral, art. 224; Lei Complementar n. 64/90, art. 1º, inc. I, al. “e”; Resolução TSE n. 23.735/24, art. 8º e § 5º.

Jurisprudência relevante citada: TSE, REspE n. 1-62.2017.6.21.0012; Súmula n. 73 do TSE; STF, ADI n. 6338.

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Everson Alves dos Santos
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Por unanimidade, rejeitaram as preliminares e, no mérito, negaram provimento ao recurso.

Dr. PAULO ROBERTO CARDOSO MOREIRA DE OLIVEIRA, pelos recorrentes Antonio Marcos Silva de Oliveira e PODEMOS de Lajeado;
Dr. EVERSON ALVES DOS SANTOS, pela recorrida Federação "PSDB CIDADANIA" (PSDB/CIDADANIA) de Lajeado.
PRESTAÇÃO DE CONTAS - DE CANDIDATO. CARGO - VEREADOR.
10 REl - 0600621-51.2024.6.21.0021

Des. Federal Leandro Paulsen

Estrela-RS

ELEICAO 2024 ELOAH MORAES VEREADOR (Adv(s) FABIO ANDRE GISCH OAB/RS 71942) e ELOAH MORAES (Adv(s) FABIO ANDRE GISCH OAB/RS 71942)

<Não Informado>

Tipo Desembargador(a)
Dou parcial provimento Des. Federal Leandro Paulsen
(relator)
Acompanho o relator Desa. Maria de Lourdes Galvão Braccini de Gonzalez
Desa. Eleitoral Madgéli Frantz Machado
Desa. Eleitoral Caroline Agostini Veiga
Des. Eleitoral Francisco Thomaz Telles
Des. Eleitoral Nilton Tavares da Silva

RELATÓRIO

Cuida-se de recurso eleitoral interposto por ELOAH MORAES, candidata a vereadora no Município de Estrela/RS pelo partido PDT, contra sentença do Juízo da 021ª Zona Eleitoral de Estrela, que julgou aprovadas com ressalvas suas contas relativas à arrecadação e aos gastos de campanha nas Eleições Municipais de 2024, determinando o recolhimento de R$ 900,00 ao Tesouro Nacional, em razão da aplicação irregular de recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), e aplicando multa por excesso de autofinanciamento, equivalente a 28% do patamar máximo (R$ 451,29), o que corresponde a R$ 126,36 (cento e vinte e seis reais e trinta e seis centavos).

Em suas razões recursais, a recorrente sustenta que, com relação ao excesso de autofinanciamento (R$ 451,29), deve ser afastada do cômputo para a averiguação da obediência ao teto a doação estimada de material de campanha realizada pelo candidato à eleição majoritária (Elmar Schneider), no valor de R$ 142,16 (ID 46053631). Isso porque “as doações estimáveis não se sujeitam ao limite previsto no art. 27, § 1º, da Resolução TSE n. 23.607/19 e § 2º e art. 38, devendo, pois, subsumir-se à regra contida no § 3º do mesmo artigo”. Já no que diz respeito às despesas com pessoal, sustenta que “foram anexados, para fins de comprovação de contratação de pessoal e gastos, além do contrato de prestação de serviços, comprovante bancário de pagamento". Requer a aprovação das contas sem ressalvas e, subsidiariamente, requer sejam as contas eleitorais aprovadas com ressalvas, porém sem o recolhimento de valores ao Tesouro Nacional (ID 46053686).

Nesta instância, a Procuradoria Regional Eleitoral opinou pelo desprovimento do recurso (ID 46104901).

É o relatório.

 

 

 

DIREITO ELEITORAL. ELEIÇÕES 2024. RECURSO. PRESTAÇÃO DE CONTAS. DESPESAS COM PESSOAL. MILITÂNCIA. FALHAS FORMAIS. AFASTADA A ORDEM DE RECOLHIMENTO. CONFIGURADO EXCESSO DE AUTOFINANCIAMENTO. APLICAÇÃO DE MULTA. APROVAÇÃO COM RESSALVAS. PARCIAL PROVIMENTO.

I. CASO EM EXAME

1.1. Recurso eleitoral interposto contra sentença que julgou aprovadas com ressalvas as contas de campanha de candidata ao cargo de vereadora nas Eleições 2024 e determinou a devolução de valores ao Tesouro Nacional por irregularidade na comprovação de despesas com pessoal, custeadas com recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), e aplicou multa por excesso de autofinanciamento.

II. QUESTÕES EM DISCUSSÃO

2.1. Há duas questões em discussão: (i) saber se a documentação apresentada comprova adequadamente as despesas com pessoal; (ii) saber se é devida a multa aplicada em razão do excesso de autofinanciamento e se adequada sua fixação.

III. RAZÕES DE DECIDIR

3.1. Ausência de comprovação dos gastos com recursos do Fundo de Financiamento de Campanha (FEFC). O art. 35, § 12, da Resolução TSE n. 23.607/19 estabelece requisitos formais para a contratação de pessoal, exigindo a especificação das atividades desenvolvidas, da carga horária e do local de prestação dos serviços.

3.2. No caso, foram juntados contrato de prestação de serviços, recibo e comprovante bancário de pagamento, demonstrando a efetiva contratação e quitação das despesas com militância.

3.3. Embora a documentação apresente falhas formais em relação às exigências do art. 35, § 12, da Resolução TSE n. 23.607/19, não se evidenciam irregularidades capazes de comprometer a confiabilidade das contas ou que indiquem a prática de fraude ou a má aplicação de recursos públicos, de modo que suficiente a aposição de ressalvas sobre a contabilidade, sem a determinação de recolhimento de valores ao Tesouro Nacional.

3.4. Excesso de autofinanciamento. Doação de recursos financeiros próprios da candidata, confirmados pelos extratos bancários disponibilizados pelo TSE, que supera limite previsto no art. 27, § 1º, da Resolução TSE n. 23.607/19. A alegada exclusão de doação estimável não afasta a irregularidade. 

3.5. Fixação da multa. Ainda que reduzido o valor do excesso, mostra-se adequada a fixação da multa em 28% do patamar máximo, dada a necessidade de preservação do caráter punitivo da sanção.

3.6. O valor da irregularidade é inferior ao limite de R$ 1.064,10, considerado parâmetro jurisprudencial para aplicação dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade com fins a aprovar as contas com ressalvas.

IV. DISPOSITIVO E TESE

4.1. Recurso parcialmente provido. Afastada a devolução ao Tesouro Nacional referente a despesas com contratação de pessoal. Mantida a aprovação das contas com ressalvas e a multa aplicada pelo excesso de autofinanciamento.

Tese de julgamento: "1. A apresentação de contrato, recibo e comprovante de pagamento, ainda que com falhas formais, pode comprovar despesas com militância custeadas com recursos do FEFC. 2. Uma vez extrapolado o limite legal de autofinanciamento, é devida a multa prevista em lei, que deve ser fixada com observância aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade."

Dispositivos relevantes citados: Lei n. 9.504/97, art. 23, § 3º; Resolução TSE n. 23.607/19, art. 27, § 1º; art. 35, § 12.

Jurisprudência relevante citada: TRE-RS, REl n. 060060075, Rel. Des. Maria De Lourdes Galvao Braccini De Gonzalez, pub. 23.9.2025; TRE-RS, REl n. 060085280, Rel. Des. Nilton Tavares da Silva, DJe 20.6.2025; TRE-RS, REl n. 060086510, Rel. Des. Volnei dos Santos Coelho, Acórdão de 25.7.2025; TRE-RS, REl n. 0600636-86.2024.6.21.0096, Rel. Des. Federal Cândido Alfredo Silva Leal Junior, DJe 18.6.2025.


 


 

 

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Não há memoriais para este processo
Não há sustentações orais para este processo



Por unanimidade, deram parcial provimento ao recurso para, mantida a aprovação das contas com ressalvas, bem como a  multa pelo excesso de autofinanciamento no valor de  R$ 126,26,  afastar a determinação de recolhimento de R$ 900,00 ao Tesouro Nacional.

REGULARIZAÇÃO DE CONTAS ANUAIS.
11 RROPCO - 0600341-12.2025.6.21.0000

Des. Eleitoral Francisco Thomaz Telles

Porto Alegre-RS

AVANTE - RIO GRANDE DO SUL - RS - ESTADUAL (Adv(s) OTAVIO TONELLO OAB/RS 89496), JOSE FERNANDO DE SOUZA COSTA, CARMEN BEATRIZ SILVA DOS SANTOS, MARIO LUIS CARDOSO (Adv(s) OTAVIO TONELLO OAB/RS 89496), OTAVIO TONELLO (Adv(s) OTAVIO TONELLO OAB/RS 89496), LEANDRO RAMON CAMPOS GUSMAO (Adv(s) LUCAS AMARAL GONCALVES OAB/MG 168301), LUIS HENRIQUE DE OLIVEIRA RESENDE (Adv(s) LUCAS AMARAL GONCALVES OAB/MG 168301) e AVANTE - BRASIL - BR - NACIONAL (Adv(s) LUCAS AMARAL GONCALVES OAB/MG 168301)

<Não Informado>

Tipo Desembargador(a)
Defiro Des. Eleitoral Francisco Thomaz Telles
(relator)
Acompanho o relator Desa. Maria de Lourdes Galvão Braccini de Gonzalez
Des. Eleitoral Nilton Tavares da Silva
Desa. Eleitoral Caroline Agostini Veiga
Des. Federal Leandro Paulsen
Desa. Eleitoral Madgéli Frantz Machado

RELATÓRIO

Trata-se de requerimento de regularização de situação de prestação de contas julgadas não prestadas, relativamente ao exercício financeiro de 2021, formulado pelo Diretório Estadual do AVANTE do Rio Grande do Sul.

Constatada, inicialmente, a ausência de capacidade postulatória do órgão regional e intimado o respectivo diretório nacional, este veio a integrar a demanda, passando a postular a regularização das contas, decorrente do acórdão prolatado no processo PC-PP n. 0600275-37.2022.6.21.0000, e o levantamento da suspensão do órgão, imposta a partir da decisão proferida nos autos do processo de Suspensão de Órgão Partidário (SuspOP n. 0600429-21.2023.6.21.0000).

A Secretaria de Auditoria Interna (SAI) exarou informação dando conta da ausência de peças obrigatórias, cuja falta não prejudicou a análise contábil, e, examinados os extratos bancários eletrônicos disponibilizados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a documentação apresentada no processo, indicou não haver indícios de irregularidades relativas a recebimento de recursos provenientes de fontes vedadas ou de origem não identificada, restando observados os arts. 12 e 13 da Resolução TSE n. 23.604/19 (ID 46140930).

A agremiação apresentou documentos complementares (balanço patrimonial, demonstrativo de resultado do exercício, livro-diário e livro-razão) (ID 46142708).

A Procuradoria Regional Eleitoral, em parecer, se manifestou pelo deferimento do pedido de regularização (ID 46145964).

Em petição de ID 46179041, o Órgão Nacional do AVANTE postulou a concessão de tutela antecipada incidental para determinar a imediata reativação do órgão partidário no sistema SGIP, com afastamento temporário do óbice decorrente da situação de “contas não prestadas” (Exercício 2021), até o julgamento final do presente pedido de regularização.

O pedido foi negado na decisão de ID 46179964, sob fundamento de que a tutela pretendida assumiria caráter nitidamente antecipatório e satisfativo, sem demonstração de risco concreto de dano grave e irreparável no curto interregno até a sessão de julgamento designada, não bastando alegações genéricas de prejuízos institucionais, visto que os demais processos de regularização indicados pelo peticionante encontram-se em distintas fases processuais, razão pela qual o deferimento de medida provisória nestes autos não teria o condão de afastar eventual suspensão decorrente de processo diverso.

É o relatório.

DIREITO ELEITORAL. REQUERIMENTO DE REGULARIZAÇÃO DE OMISSÃO DE PRESTAÇÃO DE CONTAS ANUAL. EXERCÍCIO FINANCEIRO DE 2021. INEXISTÊNCIA DE VALORES A RECOLHER OU IRREGULARIDADES. LEVANTAMENTO DAS SANÇÕES. PEDIDO DEFERIDO.

I. CASO EM EXAME

1.1. Requerimento de regularização de situação de inadimplência decorrente de contas partidárias julgadas não prestadas, relativas ao exercício financeiro de 2021, formulado por órgão partidário hierarquicamente superior em favor do diretório estadual.

1.2. A unidade técnica informou a ausência inicial de algumas peças obrigatórias, sem prejuízo à análise contábil, indicando inexistirem indícios de recebimento de recursos de fonte vedada ou de origem não identificada.

II. QUESTÕES EM DISCUSSÃO

2.1. Saber se a ausência inicial de algumas peças documentais impede a regularização das contas.

III. RAZÕES DE DECIDIR

3.1. O art. 58 da Resolução TSE n. 23.604/19 admite a regularização de contas julgadas não prestadas mediante apresentação da documentação necessária e submissão a exame técnico.

3.2. A análise técnica confirmou que a ausência de alguns documentos obrigatórios não afetou a execução dos procedimentos técnicos de exame, já que foi possível verificar a origem e a aplicação dos recursos por meio dos extratos eletrônicos disponibilizados pelo Tribunal Superior Eleitoral; que apurou-se que o diretório e não recebeu recursos oriundos do Fundo Partidário; que o valor total das receitas apuradas do órgão partidário foi procedente de “Outros Recursos”; e que não há indícios de irregularidades relativas a recebimento de recursos procedentes de fontes vedada ou de origem não identificada.

3.3. Regularizada a situação de inadimplência. Levantamento da sanção de suspensão do repasse de quotas do Fundo Partidário e do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), com o consequente restabelecimento do recebimento de verbas. Levantamento da suspensão da anotação do órgão partidário no que se refere ao exercício financeiro 2021.

IV. DISPOSITIVO E TESE

4.1. Pedido deferido.

Tese de julgamento: “A ausência inicial de algumas peças documentais não impede a regularização de situação de prestação de contas julgadas não prestadas quando não comprometer a fiscalização das contas e inexistirem indícios de irregularidades ou valores a recolher.”

Dispositivos relevantes citados: Resolução TSE n. 23.604/19, arts. 12; 13; 47; 58.

 


 

 

Parecer PRE - 46145964.pdf
Enviado em 2026-03-17 08:43:19 -0300
Não há memoriais para este processo
Não há sustentações orais para este processo



Por unanimidade, deferiram o pedido de regularização e determinaram diligências a fim de levantar a sanção de suspensão do repasse de quotas do Fundo Partidário e do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, bem como a suspensão da anotação do órgão partidário no que se refere ao exercício financeiro 2021.

PRESTAÇÃO DE CONTAS - DE CANDIDATO. CARGO - VEREADOR. CONTAS - DESAPROVAÇÃO/REJEIÇÃO DAS CONTAS.
12 REl - 0600055-20.2024.6.21.0016

Desa. Eleitoral Madgéli Frantz Machado

Caxias do Sul-RS

ELEICAO 2024 JOAO LUIS DE OLIVEIRA DUTRA VEREADOR (Adv(s) EVERTON LUIS CORREA DA SILVA OAB/RS 107391) e JOAO LUIS DE OLIVEIRA DUTRA (Adv(s) EVERTON LUIS CORREA DA SILVA OAB/RS 107391)

<Não Informado>

Tipo Desembargador(a)
Dou parcial provimento Desa. Eleitoral Madgéli Frantz Machado
(relator)
Acompanho o relator Desa. Maria de Lourdes Galvão Braccini de Gonzalez
Des. Federal Leandro Paulsen
Desa. Eleitoral Caroline Agostini Veiga
Des. Eleitoral Francisco Thomaz Telles
Des. Eleitoral Nilton Tavares da Silva

RELATÓRIO

JOAO LUIS DE OLIVEIRA DUTRA, candidato não eleito ao cargo de vereador no Município de Caxias do Sul/RS, interpõe recurso contra a sentença proferida no ID 46033407, que desaprovou suas contas de campanha referentes às Eleições 2024 e determinou o recolhimento ao Tesouro Nacional da quantia de R$ 2.559,80, com fundamento no art. 30, inc. III, da Lei n. 9.504/97 e art. 74, inc. III, da Resolução TSE n. 23.607/19.

A sentença reconheceu como irregularidades (1) a omissão de despesa no valor de R$ 59,90, configurando recurso de origem não identificada; (2) a ausência de documentos fiscais referentes a gastos nos valores de R$ 50,00 e R$ 39,90, custeados com recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), bem como (3) a não comprovação da execução dos serviços de militância, nos valores de R$ 1.000,00 e R$ 1.410,00, totalizando as irregularidades o montante de R$ 2.559,80, equivalentes a 38,53% da receita arrecadada.

O recorrente sustenta ter sanado as falhas mediante a juntada de documentos em sede de embargos de declaração contra a sentença (ID 46033412). Afirma que todas as despesas foram efetivamente realizadas para a campanha. Requer a reforma integral da sentença para aprovação das contas ou, subsidiariamente, a aprovação com ressalvas e o afastamento da devolução de valores (ID 46033425).

Nesta instância, a Procuradoria Regional Eleitoral, em parecer, opinou pelo parcial provimento do recurso, para aprovar as contas com ressalvas e reduzir o valor a ser recolhido ao Tesouro Nacional para R$ 149,80 (ID 46119175).

Vieram conclusos.

É o relatório.

 

 

DIREITO ELEITORAL. ELEIÇÕES 2024. RECURSO. PRESTAÇÃO DE CONTAS. PRELIMINAR. JUNTADA DE DOCUMENTOS CONHECIDA. MÉRITO. REGULARIZAÇÃO DE DESPESA COM PESSOAL.  MILITÂNCIA. OMISSÃO DE DESPESA. RECURSO DE ORIGEM NÃO IDENTIFICADA. REDUZIDO O VALOR A SER RECOLHIDO AO ERÁRIO. APROVAÇÃO COM RESSALVAS. PARCIAL PROVIMENTO.

I. CASO EM EXAME

1.1. Recurso eleitoral interposto por candidato não eleito ao cargo de vereador contra sentença que desaprovou suas contas de campanha referentes às Eleições 2024 e determinou o recolhimento de valores ao Tesouro Nacional, em razão de omissão de despesa, ausência de documentos fiscais relativos a gastos custeados com recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) e não comprovação da execução de serviços de militância.

II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO

Determinar se o montante das irregularidades permitem a aprovação das contas.

III. RAZÕES DE DECIDIR

3.1. Matéria preliminar. Juntada de documentos em sede recursal conhecida, pois este Tribunal tem o entendimento no sentido de que a apresentação de novos documentos com o recurso não apresenta prejuízo à tramitação do processo quando se trata de documentos de simples conferência.

3.2. Mérito. Os documentos juntados regularizam as despesas com pessoal, pois atendem às exigências mínimas de identificação do contratado, valor acordado e aceitação expressa dos termos do contrato, permitindo aferir a existência da relação jurídica e a efetiva prestação dos serviços.

3.3. Nota fiscal emitida contra o CNPJ da campanha e não registrada na escrituração. Caracterizado recurso de origem não identificada, nos termos dos arts. 14 e 32 da Resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) n. 23.607/19. Dever de recolhimento.

3.4. Existência de despesa sem documento fiscal idôneo e sem comprovação e de despesa cuja nota fiscal apresentada foi emitida fora do período de campanha. Impedimento de controle sobre a execução da despesa. Violação do art. 60 da Resolução TSE n. 23.607/19.

3.5. O montante irregular é módico em perspectiva absoluta, não sendo apto a comprometer a confiabilidade do conjunto das contas, admitindo-se, assim, nos termos da jurisprudência consolidada deste Tribunal, a aprovação com ressalvas.

IV. DISPOSITIVO E TESE

4.1. Recurso parcialmente provido. Aprovação com ressalvas. Reduzido o valor a ser recolhido ao Tesouro Nacional.

Tese de julgamento: "É admitida a aprovação das contas com ressalvas quando a irregularidade, embora relativa a recurso de origem não identificada ou a gasto irregular com recursos do FEFC, envolva valor inferior ao parâmetro jurisprudencial de R$ 1.064,10, por aplicação dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade."

Dispositivos relevantes citados: Resolução TSE n. 23.607/19, arts. 14, 32 e 60.

 

Parecer PRE - 46119175.pdf
Enviado em 2026-03-17 08:43:22 -0300
Não há memoriais para este processo
Não há sustentações orais para este processo



Por unanimidade, conheceram dos documentos juntados ao recurso e, no mérito, deram-lhe parcial provimento, a fim de aprovar as contas com ressalvas e reduzir para R$ 149,80 o recolhimento ao Tesouro Nacional.

PRESTAÇÃO DE CONTAS - DE CANDIDATO. CARGO - VEREADOR. CONTAS - APROVAÇÃO DAS CONTAS COM RESSALVAS.
13 REl - 0600564-33.2024.6.21.0021

Desa. Eleitoral Madgéli Frantz Machado

Estrela-RS

ELEICAO 2024 MARCIA FABIANE FERRAO LINN VEREADOR (Adv(s) ALAN BUCKER OAB/RS 73851) e MARCIA FABIANE FERRAO LINN (Adv(s) ALAN BUCKER OAB/RS 73851)

<Não Informado>

Tipo Desembargador(a)
Dou provimento Desa. Eleitoral Madgéli Frantz Machado
(relator)
Acompanho o relator Desa. Maria de Lourdes Galvão Braccini de Gonzalez
Des. Eleitoral Nilton Tavares da Silva
Des. Eleitoral Francisco Thomaz Telles
Desa. Eleitoral Caroline Agostini Veiga
Des. Federal Leandro Paulsen

RELATÓRIO

MÁRCIA FABIANE FERRÃO LINN, candidata ao cargo de vereadora nas Eleições de 2024 no Município de Estrela/RS, interpôs recurso eleitoral contra a sentença que julgou aprovadas com ressalvas suas contas de campanha e determinou o recolhimento de R$ 1.000,00 ao Tesouro Nacional, em razão da não comprovação de despesa referente à contratação de serviço de cabo eleitoral/panfletagem custeada com recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) (ID 46026064).

Irresignada, a recorrente sustenta que as irregularidades apontadas configuram meras formalidades, sem gravidade suficiente para macular a regularidade das contas. Argumenta que o contrato de prestação de serviço foi devidamente juntado e contém os elementos essenciais exigidos pela legislação, comprovando a efetiva execução dos serviços de panfletagem. Requer o provimento do recurso para que as contas sejam aprovadas sem ressalvas, afastando-se a determinação de recolhimento de valores ao Tesouro Nacional (ID 46026069).

Nesta instância, a Procuradoria Regional Eleitoral, em parecer, opinou pelo provimento do recurso (ID 46098927).

Vieram conclusos.

É o relatório.

DIREITO ELEITORAL. ELEIÇÕES 2024. RECURSO. PRESTAÇÃO DE CONTAS. VEREADOR. DESPESA COM PESSOAL. CONTRATO DE PANFLETAGEM. DETALHAMENTO DAS ATIVIDADES DEMONSTRADA. DEVOLUÇÃO AO ERÁRIO AFASTADA. APROVAÇÃO SEM RESSALVAS. RECURSO PROVIDO.

I. CASO EM EXAME

1.1. Recurso eleitoral interposto por candidata ao cargo de vereadora contra sentença que aprovou com ressalvas suas contas de campanha das Eleições 2024 e determinou o recolhimento de valores ao Tesouro Nacional, ao fundamento de que o contrato de prestação de serviços de panfletagem e militância não conteria detalhamento suficiente dos locais e horários de trabalho, contrariando o art. 35, § 12, da Resolução TSE n. 23.607/19.

II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO

2.1. Definir se o contrato de prestação de serviços comprova adequadamente a despesa.

III. RAZÕES DE DECIDIR

3.1. A Resolução TSE n. 23.607/19 exige que as despesas com pessoal sejam comprovadas mediante documentos que indiquem a identificação do prestador, a especificação das atividades executadas, a justificativa do preço contratado, os locais de trabalho e as horas trabalhadas.

3.2. No caso, o contrato revela que constam as informações essenciais para aferição da regularidade da despesa. O documento indica a atividade contratada de panfletagem, a duração do serviço, os bairros de atuação, identificando a área de circulação dos cabos eleitorais, o período de trabalho indicado, e o valor contratado e sua justificativa.

3.3. A carga horária diária indicada como “horário comercial”, mesmo que genérica, permite a compreensão mínima da jornada de trabalho, de forma a atender em termos razoáveis a exigência normativa, conforme precedentes desta Corte.

3.4. Ainda que o contrato não contenha todas as informações de forma exaustiva, resta demonstrado que as atividades de militância foram suficientemente especificadas e são compatíveis com a prática ordinária das campanhas proporcionais em municípios de pequeno porte.

3.5. Não há indício de desvio de finalidade, de enriquecimento ilícito ou de utilização indevida de verbas públicas, circunstância que reforça a aplicação dos princípios da boa-fé, razoabilidade e proporcionalidade, afastando a necessidade de devolução de valores ao erário.

IV. DISPOSITIVO E TESE

4.1. Recurso provido. Aprovação das contas. Afastado o dever de recolhimento.

Tese de julgamento: “O contrato de prestação de serviços que contenha identificação do prestador, atividade desempenhada, período de execução, local de atuação, jornada de trabalho e justificativa do preço atende, em termos razoáveis, às exigências legais para se considerar comprovada a despesa."

Dispositivos relevantes citados: Resolução TSE n. 23.607/19, arts. 35, § 12; 53, inc. II, al. “c”; 60.

Jurisprudência relevante citada: TRE-RS, REl n. 0600600-75.2024.6.21.0021, Rel. Desa. Maria de Lourdes Braccini de Gonzalez, DJe 23.9.2025.


 

Parecer PRE - 46098927.pdf
Enviado em 2026-03-17 08:43:25 -0300
Não há memoriais para este processo
Não há sustentações orais para este processo



Por unanimidade, deram provimento ao recurso, a fim de aprovar as contas e afastar a determinação de recolhimento ao Tesouro Nacional.

DIVULGAÇÃO DE FATOS INVERÍDICOS NA PROPAGANDA ELEITORAL. PROPAGANDA POLÍTICA - PROPAGANDA ELEITORAL - INTERNET. PROPAGANDA POLÍTICA - PROPAGANDA ELEITORAL - DIVULGAÇÃO DE NOTÍCIA SABIDAMENTE FALSA.
14 ED no(a) REl - 0600227-05.2024.6.21.0034

Desa. Eleitoral Madgéli Frantz Machado

Pelotas-RS

ELEICAO 2024 MARCIANO PERONDI PREFEITO (Adv(s) ALVARO MATA LARA OAB/RS 108109 e PEDRO CHAVES DE SOUZA OAB/RS 102969)

NN&A PRODUCOES JORNALISTICAS LTDA (Adv(s) YANEE BADY BENTO RODRIGUES AGAMALIAN OAB/SP 542311, FRANCISCO RAMOS OAB/SP 328177, CAROLINE NARCON PIRES DE MORAES RAMOS OAB/SP 345730, RACHEL GONCALVES PACHECO OAB/SP 408497 e HELEN SOBRAL OAB/SP 383951) e VINICIUS CAETANO SEGALLA (Adv(s) YANEE BADY BENTO RODRIGUES AGAMALIAN OAB/SP 542311, FRANCISCO RAMOS OAB/SP 328177, CAROLINE NARCON PIRES DE MORAES RAMOS OAB/SP 345730, RACHEL GONCALVES PACHECO OAB/SP 408497 e HELEN SOBRAL OAB/SP 383951)

Tipo Desembargador(a)
Rejeito Desa. Eleitoral Madgéli Frantz Machado
(relator)
Acompanho o relator Desa. Maria de Lourdes Galvão Braccini de Gonzalez
Des. Eleitoral Nilton Tavares da Silva
Des. Eleitoral Francisco Thomaz Telles
Desa. Eleitoral Caroline Agostini Veiga
Des. Federal Leandro Paulsen

RELATÓRIO

Cuida-se de embargos de declaração, acompanhados de pedido de concessão de efeitos infringentes, opostos por NN&A PRODUÇÕES JORNALÍSTICAS LTDA, ao argumento de ocorrência de omissões. Requer o aclaramento dos vícios, efeito infringente (afastamento da multa e da ordem de remoção da matéria), bem como prequestionamento. 

O recorrido MARCIANO PERONDI não aproveitou o prazo concedido para o oferecimento de contrarrazões. 

Vieram conclusos. 

É o relatório. 

 

DIREITO ELEITORAL. ELEIÇÕES 2024. RECURSO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PROPAGANDA ELEITORAL IRREGULAR. OFENSA À HONRA E IMAGEM. REMOÇÃO DE MATÉRIA JORNALISTICA E MULTA. INEXISTÊNCIA DE OMISSÕES. INOVAÇÃO RECURSAL. TENTATIVA DE REDISCUSSÃO DO MÉRITO. REJEIÇÃO.

I. CASO EM EXAME

1.1. Embargos de declaração, com pedido de efeitos infringentes e prequestionamento, opostos contra acórdão que manteve a aplicação de multa e a ordem de remoção de matéria jornalística eleitoral, sob o fundamento de deturpação de fatos e violação à honra e à imagem de candidato, em contexto de propaganda eleitoral irregular.

II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO

2.1. Definir se o acórdão embargado incorreu em omissão por destoar dos seus fundamento.

2.2. Estabelecer se houve omissão quanto à vedação de censura prévia à luz da ADPF n. 130.

2.3. Determinar se houve ausência de fundamentação quanto à proporcionalidade das sanções aplicadas.

2.4. Verificar se o Tribunal deixou de distinguir ou superar precedente supostamente divergente, em afronta ao art. 926 do CPC.

2.5. Apurar se o encerramento do período eleitoral configura fato superveniente relevante não apreciado.

III. RAZÕES DE DECIDIR

3.1. Os embargos de declaração só podem ser opostos com o objetivo específico de esclarecer obscuridade ou contradição, sanar omissão ou corrigir erro material existente na decisão judicial, conforme expressamente estabelece o art. 1.022 do Código de Processo Civil.

3.2. Consta expressamente no acórdão que a condenação ocorrera porque a embargante deturpara fatos e adentrara a questões ainda não resolvidas judicialmente (indenização e vínculo entre a morte por atropelamento e o posterior suicídio), inexistindo a alegada omissão em razão de a decisão ter destoado dos próprios fundamentos.

3.3. Inexistência de omissão por desobediência à ADPF n. 130. As medidas judiciais a partir do ajuizamento da demanda foram tomadas a posteriori em relação à manifestação da embargada, não se podendo argumentar, até mesmo por uma questão de lógica, a proteção de vedação de censura prévia. Tentativa de rediscussão da decisão de mérito tomada pelo Tribunal.

3.4. Alegada omissão por ausência de ponderação da sanção imposta. Inovação recursal. Em momento algum houve a apresentação de um argumento que fosse relativo à proporcionalidade das sanções aplicadas. O acórdão, ao negar provimento ao recurso, logicamente concorda com os termos da multa e da determinação de remoção de conteúdo.  

3.5. Alegação de "ausência de esforços argumentativos para distinguir os fundamentos de precedente ou justificar sua superação”. Não há no corpo do voto vencedor qualquer manifestação no sentido afirmado pela embargante, mas sim o apontamento de precedente que corrobora o posicionamento lançado. A decisão embargada se deu exatamente em respeito ao art. 926 do CPC, não havendo omissão por ausência de esforços argumentativos.

3.6. Alegação de fim do período eleitoral. Trata-se de inovação recursal a alegação de que o acórdão embargado não apreciou a alegação de fato superveniente, qual seja, o encerramento do período eleitoral. O novo argumento trazido é indiferente para fins de julgamento, sendo despicienda a sua análise para o deslinde do feito. 

3.7. O prequestionamento ocorre nos termos do art. 1.025 do CPC.

IV. DISPOSITIVO E TESE

4.1. Embargos de declaração rejeitados.

Teses de julgamento: “1. A liberdade de imprensa não autoriza a deturpação de fatos nem a imputação de condutas não confirmadas judicialmente a candidato em período eleitoral. 2. Todas as medidas judiciais tomadas a partir do ajuizamento da demanda foram tomadas a posteriori em relação à manifestação da embargada, inviabilizando o argumento de proteção de vedação de censura prévia. 3. Inexiste ausência de fundamentação quando a matéria suscitada se trata de inovação recursal. 4. Não há omissão por ausência de esforços argumentativos quando a decisão se deu exatamente em respeito ao art. 926 do CPC. 5. O término do período eleitoral não afasta a responsabilização por ilícitos praticados durante sua vigência.”

Dispositivos relevantes citados: CPC, arts. 1.022, 1.025 e 926.

Jurisprudência relevante citada: STJ, EDcl no REsp n. 440.106/RJ, 6ª Turma, Rel. Min. Celso Limongi, DJe 23.8.2010; TSE, AgR no AREspE n. 0600124-51/SP, Rel. Min. Isabel Gallotti, j. 27.02.2025, DJe 10.3.2025; STF, ADPF n. 130.


 

Parecer PRE - 45820782.pdf
Enviado em 2026-03-17 08:43:33 -0300
Parecer PRE - 45801574.pdf
Enviado em 2026-03-17 08:43:33 -0300
Não há memoriais para este processo
Não há sustentações orais para este processo

Por unanimidade, rejeitaram os embargos de declaração.

Próxima sessão: qui, 19 mar às 00:00

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