Composição da sessão: Des. Arminio José Abreu Lima da Rosa, Des. Francisco José Moesch, Des. Eleitoral Silvio Ronaldo Santos de Moraes , Des. Eleitoral Gerson Fischmann, Des. Eleitoral Amadeo Henrique Ramella Buttelli, Des. Eleitoral Oyama Assis Brasil de Moraes e Des. Federal Luís Alberto D`Azevedo Aurvalle

Exibir:  Não Julgados JULGADOS
CARGO - PREFEITO. CARGO - VICE-PREFEITO. ELEIÇÕES - ELEIÇÃO MAJORITÁRIA. ABUSO - DE PODER ECONÔMICO.
1 REl - 0600589-33.2020.6.21.0103

Des. Eleitoral Silvio Ronaldo Santos de Moraes

Tupanci do Sul-RS

UNIDOS POR MAIS CONQUISTAS 22-PL / 40-PSB / 45-PSDB (Adv(s) RENATA DAVILA ESMERALDINO OAB/RS 81556 e RAFAEL SCHERER POLITANO OAB/RS 0063723)

FERNANDO LUIS FAVRETTO (Adv(s) PAULO ROBERTO CARDOSO MOREIRA DE OLIVEIRA OAB/RS 0027026, TIAGO GHELLAR FURST OAB/RS 0054690 e LUCAS BITTENCOURT SEVERO OAB/RS 0065360) e MIKAEL WILIAN REISTACKE PINTO (Adv(s) PAULO ROBERTO CARDOSO MOREIRA DE OLIVEIRA OAB/RS 0027026, TIAGO GHELLAR FURST OAB/RS 0054690 e LUCAS BITTENCOURT SEVERO OAB/RS 0065360)

RELATÓRIO

Trata-se de recurso eleitoral interposto pela COLIGAÇÃO UNIDOS POR MAIS CONQUISTAS (PL / PSB / PSDB) em face da sentença do Juízo da 103ª Zona Eleitoral que julgou extinta, sem resolução de mérito, a Ação de Investigação Judicial Eleitoral oferecida pela ora recorrente em desfavor de FERNANDO LUIZ FAVRETTO e MIKAEL WILIAN RESTACKE PINTO, candidatos eleitos, respectivamente, aos cargos de prefeito e vice-prefeito do Município da Tupanci do Sul, entendendo o magistrado a quo pela ilegitimidade ativa da demandante, uma vez que Charlene Parpinelli, candidata a vice-prefeita, subscritora da procuração outorgada aos advogados, não detinha poderes de representação da coligação (ID 40322033).

Em suas razões, a recorrente sustenta que Charlene Parpinelli, então candidata a vice-prefeita pela coligação demandante, “já tinha legitimidade para a interposição da ação”, nos termos da legislação de regência. Junta com as razões do recurso declaração dos presidentes partidários do PL, PSB e PSDB, lavrada por escritura pública, conferindo legitimidade de representação em nome da coligação a Charlene. Reafirma a legitimidade da candidata para a propositura da ação, que pode prosseguir somente em seu nome. No mérito, sustenta que os fatos narrados na exordial são graves e merecem apuração. Requer, ao final, o provimento do recurso, a fim de que seja dado prosseguimento à ação (ID 40322183).

Com contrarrazões (ID 40322483), foram os autos com vista à Procuradoria Regional Eleitoral, que opinou pelo conhecimento e desprovimento do recurso, bem como, na hipótese de provimento, pelo retorno dos autos à origem (ID 42985483).

Após, sobreveio a juntada de novo instrumento de procuração, outorgada por Charlene Parpinelli, em seu próprio nome, aos advogados atuantes no feito (IDs 44049183 e 44049233).

É o relatório.

RECURSO. ELEIÇÕES 2020. AÇÃO DE INVESTIGAÇÃO JUDICIAL ELEITORAL – AIJE. EXTINTA A DEMANDA SEM RESOLUÇÃO DE MÉRITO. AFASTADA A PRELIMINAR DE VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE. ILEGITIMIDADE ATIVA. DEFEITO DE REPRESENTAÇÃO. AUSÊNCIA DE OUTORGA NA CONVENÇÃO PARTIDÁRIA OU PELOS PARTIDOS INTEGRANTES DA COLIGAÇÃO. CORREÇÃO EXTEMPORÂNEA DO VÍCIO. DOCUMENTO PRODUZIDO APÓS SENTENÇA DE EXTINÇÃO DO FEITO. AÇÃO NÃO AJUIZADA OU IMPULSIONADA EM NOME PRÓPRIO. AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTO DE CONSTITUIÇÃO E DE DESENVOLVIMENTO VÁLIDO E REGULAR DO PROCESSO. DESPROVIMENTO.

1. Insurgência contra sentença que julgou extinta, sem resolução de mérito, Ação de Investigação Judicial Eleitoral – AIJE interposta em desfavor de candidatos eleitos aos cargos de prefeito e vice-prefeito, ao entendimento de ilegitimidade ativa da coligação demandante, uma vez que a subscritora da procuração outorgada aos advogados não detinha poderes de representação da coligação.

2. Afastada a preliminar de violação do princípio da dialeticidade. Incabível a alegação de que o recurso não aborda os argumentos necessários para a superação da sentença, violando o art. 1.010, inc. III, do Código de Processo Civil, uma vez que o juízo de primeiro grau entendeu pela ilegitimidade ativa ad causam da coligação ante a falta de representação. Trata-se de questão especificamente impugnada no recurso, que, justamente, tece argumentos buscando demonstrar a legitimidade para a propositura e o prosseguimento da demanda.

3. Nos termos do art. 6º, § 3º, incs. III e IV, da Lei n. 9.504/97, a coligação será representada perante a Justiça Eleitoral por seus representantes ou por delegados indicados pelos partidos que a compõem. Na hipótese, constata-se que a subscritora da procuração concedida aos advogados não detinha poderes de representação outorgados em convenção partidária ou pelos partidos integrantes da coligação, uma vez que, em consulta ao Demonstrativo de Regularidade dos Atos Partidários (DRAP) não consta sua designação. Ainda, inexistindo previsão legal ou autorização convencional em sentido diverso, os poderes para a outorga de procurações judiciais conferidos ao representante da coligação não podem ser transferidos a terceiros cujos nomes não foram submetidos à deliberação da convenção partidária.

4. Acostada, em sede de razões recursais, escritura pública em que os presidentes dos partidos coligados conferem poderes de representação da coligação à citada subscritora da procuração. No entanto, a aludida tentativa de correção do vício de representação é manifestamente extemporânea, uma vez que o documento somente foi produzido após a sentença que julgou extinta a demanda, não havendo justificativa para demora na realização da medida.

5. A subscritora da procuração outorgada aos advogados não possui legitimidade própria para o ajuizamento e continuidade da ação, em vista de sua condição de candidata. Ainda que o art. 22, caput, da LC n. 64/90 garanta a legitimidade de qualquer candidato para a propositura da Ação de Investigação Judicial Eleitoral, a presente AIJE não foi ajuizada ou impulsionada em nome próprio.

6. O defeito de representação da parte autora, não saneado na forma e no tempo apropriados, acarreta a ausência de pressuposto de constituição e de desenvolvimento válido e regular do processo, nos termos do art. 485, inc. IV, do CPC, impondo a confirmação da sentença que julgou extinta a demanda sem resolução de mérito, embora por fundamento legal diverso.

7. Desprovimento.

Parecer PRE - 42985483.pdf
Enviado em 2021-09-21 00:09:20 -0300
Não há memoriais para este processo
Não há sustentações orais para este processo

Por unanimidade, rejeitaram a matéria preliminar e negaram provimento ao recurso.

DRA. RENATA ESMERALDINO, pelo recorrente Coligação Unidos por Mais Conquistas.
Dr. PAULO ROBERTO CARDOSO MOREIRA OLIVEIRA, pelos recorridos Fernando Luis Favretto e Mikael Willian Reistacke Pinto.
PRESTAÇÃO DE CONTAS - DE CANDIDATO. CARGO - VEREADOR. CONTAS - DESAPROVAÇÃO/REJEIÇÃO DAS CONTAS.
2 REl - 0600558-68.2020.6.21.0020

Des. Federal Luís Alberto D`Azevedo Aurvalle

Itatiba do Sul-RS

ELEICAO 2020 ANTONIA MODZEL DE MEDEIROS VEREADOR (Adv(s) JESSICA SOFIA NAZZARI OAB/RS 108855) e ANTONIA MODZEL DE MEDEIROS (Adv(s) JESSICA SOFIA NAZZARI OAB/RS 108855)

<Não Informado>

Votos
Não há votos para este processo
Não há relatório para este processo
Não há ementa para este processo
Parecer PRE - 39264783.html
Enviado em 2021-10-14 14:04:39 -0300
Não há memoriais para este processo
Não há sustentações orais para este processo

Suspenso o julgamento a pedido do Relator.

DRA. JÉSSICA SOFIA NAZZARI, pela recorrente Antonia Modzel de Medeiros.
CONDUTA VEDADA AO AGENTE PÚBLICO. PROPAGANDA POLÍTICA - PROPAGANDA INSTITUCIONAL.
3 REl - 0600297-81.2020.6.21.0092

Des. Francisco José Moesch

Arroio Grande-RS

VAMOS GOVERNAR JUNTOS 10-REPUBLICANOS / 12-PDT (Adv(s) DAGOBERTO PINTO RIBEIRO OAB/RS 0044266) e LUIS HENRIQUE PEREIRA DA SILVA (Adv(s) LUANA DA SILVA SOARES OAB/RS 0089411)

LUIS HENRIQUE PEREIRA DA SILVA (Adv(s) LUANA DA SILVA SOARES OAB/RS 0089411), IVAN ANTONIO GUEVARA LOPEZ (Adv(s) DIEGO MATEUS FERMINO DA SILVA OAB/RS 99159, CARLA BEATRIZ VIANNA BRASIL OAB/RS 0078735 e ROBERTO VIRISSIMO DE BRITTO CUNHA OAB/RS 0048346), JOSE CLAUDIO AVILA DA SILVA (Adv(s) DIEGO MATEUS FERMINO DA SILVA OAB/RS 99159, CARLA BEATRIZ VIANNA BRASIL OAB/RS 0078735 e ROBERTO VIRISSIMO DE BRITTO CUNHA OAB/RS 0048346) e VAMOS GOVERNAR JUNTOS 10-REPUBLICANOS / 12-PDT (Adv(s) DAGOBERTO PINTO RIBEIRO OAB/RS 0044266)

RELATÓRIO

A COLIGAÇÃO “VAMOS GOVERNAR JUNTOS – PARTIDO DEMOCRÁTICO TRABALHISTA/REPUBLICANOS” e LUIS HENRIQUE PEREIRA DA SILVA interpõem recursos (ID 12516833 e 12516933) contra a sentença proferida pelo Juízo da 92ª Zona Eleitoral – Arroio Grande (ID 12516533), que julgou parcialmente procedente a representação e condenou o segundo recorrente ao pagamento de multa no valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais) pela prática das condutas vedadas previstas nos incs. II e VI, als. "b" e "c", do art. 73 da Lei das Eleições.

Em suas razões recursais, a COLIGAÇÃO sustenta que o então prefeito LUIS HENRIQUE PEREIRA DA SILVA utilizou o espaço em programa de rádio contratado pelo município para fazer propaganda institucional sobre obras, programas, projetos e feitos, em período vedado pela legislação eleitoral. Aduz que tal manifestação adentrou na disputa eleitoral ao rebater críticas e posições políticas dos adversários, representando comício e campanha eleitoral. O agente público teria abusado de sua condição ao enaltecer a atuação da administração e ao falar de projetos futuros, reforçando a ideia de continuidade que favorece o candidato da situação. Afirma que a conduta maculou a integridade, liberdade, normalidade e legitimidade do processo eleitoral e beneficiou os demais representados, que devem se sujeitar à cassação do registro ou diploma. Requer o provimento do recurso para condenação de IVAN ANTONIO GUEVARA LOPEZ e JOSÉ CLAUDIO AVILA DA SILVA, nos termos da inicial.

LUIS HENRIQUE PEREIRA DA SILVA defende que a conduta em exame não se amolda à proibição legal que trata da “propaganda de produtos e serviços” e da “publicidade institucional” e que, na situação concreta, limitou-se apenas a “um esclarecimento que buscou refutar inverdades que atingiam diretamente a Administração Municipal”. Diz que as declarações efetuadas não objetivavam enaltecer qualquer ato do governo, fazer campanha, ou mesmo publicidade institucional, mas apenas levar ao conhecimento da população a verdade acerca de fatos referentes a contratos de locação de prédios e demais atos de gestão, o que legitimaria o exercício do direito à informação, exceção prevista pela própria legislação eleitoral (art. 73, inc. VI, al. “c”, da Lei n. 9.504/97). Afirma a existência de evidente interesse público e social na manifestação, a qual combatia a desmoralização do poder público municipal. Aponta que os esclarecimentos foram transmitidos por uma única emissora, não havendo falar em pronunciamento em cadeia de rádio e televisão, tampouco em utilização de materiais e serviços custeados pelo erário que excedessem as prerrogativas das funções do gestor municipal. Sustenta que a manutenção da decisão importaria em impedir qualquer espécie de divulgação de informação de conotação governamental de interesse da comunidade durante o período eleitoral. Postula a reforma da sentença para que seja julgada improcedente a ação proposta e, alternativamente, seja afastada ou reduzida a multa fixada, já que não houve reincidência nas condutas, critério utilizado pela jurisprudência para fins de análise da sanção pecuniária.

Em contrarrazões (ID 12517183), além de defender o acerto da decisão, a COLIGAÇÃO VAMOS GOVERNAR JUNTOS postulou a investigação de possível improbidade administrativa e o aumento da multa fixada.

Nesta instância, a Procuradoria Regional Eleitoral emitiu parecer opinando pelo conhecimento de ambos os recursos, pelo provimento parcial do recurso de LUIS HENRIQUE PEREIRA DA SILVA e pelo desprovimento do recurso da COLIGAÇÃO VAMOS GOVERNAR JUNTOS (ID 24174033).

É o relatório.

 

RECURSOS. ELEIÇÃO 2020. REPRESENTAÇÃO. CONDUTAS VEDADAS. CARACTERIZADA PROPAGANDA INSTITUCIONAL EM PERÍODO VEDADO. PROGRAMA DE RÁDIO. ENTREVISTA. INDEFERIDO O PEDIDO DE RECEBIMENTO DE RECURSO COM DUPLO EFEITO (DEVOLUTIVO E SUSPENSIVO). CADEIA DE RÁDIO E TELEVISÃO. NÃO IDENTIFICADO BENEFÍCIO A TERCEIROS. REFORMA PARCIAL DA SENTENÇA. REDUÇÃO DE MULTA AO PATAMAR MÍNIMO. NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO DA COLIGAÇÃO. PROVIMENTO PARCIAL AO APELO REMANESCENTE.

1. Insurgências contra sentença que julgou parcialmente procedente representação e condenou um dos recorrentes ao pagamento de multa pela prática das condutas vedadas previstas nos incs. II e VI, als. "b" e "c", do art. 73 da Lei n. 9.504/97.

2. Indeferido o pedido de recebimento de recurso com duplo efeito (devolutivo e suspensivo). Em regra, os recursos eleitorais não possuem efeito suspensivo, para inibir que a decisão proferida produza eficácia imediata, salvo o “recurso ordinário interposto contra decisão proferida por juiz eleitoral ou por Tribunal Regional Eleitoral que resulte em cassação de registro, afastamento do titular ou perda de mandato eletivo” (art. 257, caput e § 2º, do Código Eleitoral).

3. Veiculação de entrevista concedida pelo então prefeito a programa de rádio. A ausência dos elementos “cadeia de rádio e televisão” e de indicação, na inicial, de quais seriam os materiais ou serviços custeados pelo poder público impõe que a caracterização das condutas vedadas previstas no art. 73, incs. II e VI, al. "c", da Lei n. 9.504/97 seja afastada.

4. Identificada publicidade institucional da gestão municipal, uma vez que a entrevista em rádio, concedida 25 dias antes da data da eleição, foi custeada pelo município e exaltava as obras e a atuação do entrevistado (realização de convênios, obras em estradas, melhorias diversas). Não incidência de qualquer das exceções à vedação, quais sejam, tratar-se de propaganda de produtos e serviços que tenham concorrência no mercado ou de situação de grave e urgente necessidade pública reconhecida pela Justiça Eleitoral. Caracterizada a propaganda institucional em período vedado, o que atrai sancionamento tão somente em face da al. "b" do inc. VI do art. 73 da Lei das Eleições.

5. Não identificado benefício ou prova de que os candidatos que recebiam o apoio do entrevistado na disputa majoritária, que não tiveram seus nomes mencionados no pronunciamento, tivessem ciência prévia da entrevista concedida pelo então prefeito, de forma que não é possível lhes atribuir responsabilidade objetiva pela conduta.

6. Reforma parcial da sentença para considerar tão somente a prática pelo agente público da conduta vedada prevista na al. "b" do inc. VI do art. 73 da Lei n. 9.504/97, com a condenação ao pagamento de multa no patamar mínimo, nos termos do § 4º do art. 73 da Lei das Eleições, c/c o § 4º do art. 83 da Resolução TSE n. 23.610/19. O processamento de pedido de parcelamento de débito cabe ao juiz eleitoral responsável pelo cumprimento de sentença.

7. Negado provimento ao recurso da coligação. Provimento parcial ao apelo remanescente.

Parecer PRE - 24174033.pdf
Enviado em 2021-09-21 00:09:38 -0300
Não há memoriais para este processo
Não há sustentações orais para este processo

Por unanimidade, negaram provimento ao recurso da Coligação “Vamos Governar Juntos” e deram parcial provimento ao recurso de Luis Henrique Pereira da Silva, para manter a condenação do agente público tão somente pela prática da conduta vedada descrita na al. "b" do inc. VI do art. 73 da Lei n. 9.504/97, reduzindo o valor da multa para o valor de R$ 5.320,50.

DR. DAGOBERTO PINTO RIBEIRO, pelo recorrente Coligação Vamos Governar Juntos.
PRESTAÇÃO DE CONTAS - DE CANDIDATO. CARGO - VEREADOR. CONTAS - DESAPROVAÇÃO/REJEIÇÃO DAS CONTAS.
4 REl - 0600701-03.2020.6.21.0135

Des. Francisco José Moesch

Itaara-RS

ELEICAO 2020 AIRTON RIBEIRO DA SILVA VEREADOR (Adv(s) ROBSON LUIS ZINN OAB/RS 53371) e AIRTON RIBEIRO DA SILVA (Adv(s) ROBSON LUIS ZINN OAB/RS 53371)

<Não Informado>

RELATÓRIO

Trata-se de recurso eleitoral interposto por AIRTON RIBEIRO DA SILVA (ID 39067383), candidato ao cargo de vereador no Município de Itaara, contra sentença do Juízo da 135ª Zona Eleitoral – Santa Maria (ID 39067183), que desaprovou suas contas relativas ao pleito de 2020, com fundamento no art. 74, inc. III, da Resolução TSE n. 23.607/19.

Em suas razões, o recorrente alega que a nota fiscal no valor de R$ 360,00 foi emitida sem o seu conhecimento, ressaltando que os pagamentos com despesas contábeis foram feitos com recursos próprios, sem a necessidade de fazer parte de seus gastos no processo eleitoral. Informa que a declaração da empresa GMC Contabilidade, juntada com o recurso, comprova o equívoco no lançamento da nota fiscal. Por derradeiro, requer a aprovação das contas com ressalvas, tendo em vista a ausência de má-fé.

Nas contrarrazões (ID 39067733), o Ministério Público Eleitoral sustenta a gravidade das inconsistências na prestação de contas de campanha. Alega que a declaração do escritório de contabilidade que emitiu a nota fiscal e organizou a prestação de contas é insuficiente para sanar a falha relativa à origem dos recursos. Aduz que a argumentação do recorrente consiste em confissão da irregularidade, visto que não nega a prestação do serviço, mas afirma que a nota fiscal não deveria ter sido emitida. Postula o desprovimento do recurso.

Nesta instância, com vista dos autos, a Procuradoria Regional Eleitoral manifestou-se pelo parcial provimento do recurso, para aprovar as contas com ressalvas e afastar o dever de recolhimento de valor ao Tesouro Nacional (ID 42274383).

É o relatório.

RECURSO. ELEIÇÕES 2020. PRESTAÇÃO DE CONTAS. CANDIDATO. VEREADOR. PRELIMINAR. JUNTADA DE DOCUMENTOS. ART. 266 DO CÓDIGO ELEITORAL. JURISPRUDÊNCIA TRE-RS. POSSIBILIDADE. OMISSÃO DE GASTOS. NOTA FISCAL EMITIDA. AUSENTE REGISTRO DA DESPESA. ART. 53 DA RESOLUÇÃO TSE N. 23.607/19. COMPROVADO O PAGAMENTO PARA EMPRESA DE CONTABILIDADE. ORIGEM DOS RECURSOS. IDENTIFICADA. DEVER DE RECOLHIMENTO AFASTADO. PERSISTÊNCIA DA IRREGULARIDADE DE OMISSÃO DE GASTOS. VALOR ABSOLUTO DIMINUTO. PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E DA RAZOABILIDADE. APROVAÇÃO COM RESSALVAS. PARCIAL PROVIMENTO.

1. Recurso eleitoral contra sentença que desaprovou as contas relativas ao pleito de 2020, com base em irregularidade proveniente de omissão de despesas relacionada a nota fiscal, cujo pagamento deu-se por meio de recursos que não transitaram na conta de campanha. Determinado o recolhimento da quantia ao Tesouro Nacional, por caracterizar-se recurso de origem não identificada, nos termos do art. 32 da Resolução TSE n. 23.607/19.

2. Preliminar. A apresentação de documentos na fase recursal encontra previsão no art. 266 do Código Eleitoral e está amparado pela reiterada jurisprudência desse Regional. Sempre em juízo de exceção, tem se pautado pela potencialização do direito de defesa no âmbito dos processos de prestação de contas, especialmente quando se trata de documento simples que dispense a necessidade de nova análise técnica ou de diligências complementares, não apresentando prejuízo à tramitação processual.

3. A emissão de nota fiscal sem o registro da despesa correspondente na prestação de contas revela indícios de omissão de gastos eleitorais, em violação ao art. 53, inc. I, al. “g”, da Resolução TSE n. 23.607/19. Demonstrado nos autos que o pagamento da quantia em análise foi realizada para empresa de contabilidade. Identificada a origem do recurso, afastado o dever de recolhimento da quantia equivalente ao Tesouro Nacional. Entretanto, a irregularidade permanece diante da ausência de declaração do gasto eleitoral com contador, nos termos do § 3º do art. 35 da Resolução TSE n. 23.607/19.

4. Embora o percentual da irregularidade seja superior ao utilizado (10%) como critério pela Justiça Eleitoral para aprovação com ressalvas, o seu valor absoluto deve ser considerado módico, pois inferior a R$ 1.064,10, possibilitando o juízo de aprovação com ressalvas.

5. Parcial provimento. Aprovação com ressalvas. Afastada a determinação de recolhimento ao Tesouro Nacional.

Parecer PRE - 42274383.html
Enviado em 2021-09-21 00:09:43 -0300
Não há memoriais para este processo
Não há sustentações orais para este processo

Por unanimidade, deram parcial provimento ao recurso, para aprovar com ressalvas as contas e afastar o dever de recolhimento ao Tesouro Nacional.

PRESTAÇÃO DE CONTAS - DE CANDIDATO. CARGO - VEREADOR. CONTAS - DESAPROVAÇÃO/REJEIÇÃO DAS CONTAS.
5 REl - 0600404-12.2020.6.21.0065

Des. Francisco José Moesch

Gramado-RS

ELEICAO 2020 RENAN SARTORI DE BORBA VEREADOR (Adv(s) FELIPE RIBAS DOURADO OAB/RS 0075451, SANDRO MARCELO FERREIRA DOS SANTOS OAB/RS 0025320 e FABIO ROCHA GARCIA OAB/RS 0111001) e RENAN SARTORI DE BORBA (Adv(s) SANDRO MARCELO FERREIRA DOS SANTOS OAB/RS 0025320 e FABIO ROCHA GARCIA OAB/RS 0111001)

<Não Informado>

RELATÓRIO

Trata-se de recurso eleitoral interposto por RENAN SARTORI DE BORBA, candidato ao cargo de vereador, contra sentença do Juízo da 065ª Zona Eleitoral de Canela (ID 28002333), que desaprovou as suas contas referentes ao pleito de 2020, com fundamento no art. 74, inc. III, da Resolução TSE n. 23.607/19, e determinou o recolhimento ao Tesouro Nacional do valor de R$ 350,00.

Em suas razões (ID 28002533), o prestador sustenta que houve equívoco no pagamento de impulsionamento contratado no Facebook com recursos próprios. Alega que procedeu imediatamente à correção do ato, mediante o reembolso no valor de R$ 350,00, afastando qualquer prejuízo ao processo de contas eleitorais. Argumenta que prestou esclarecimentos e que comprovou a origem dos recursos, bem como a execução dos serviços, conforme relatório de reembolso de despesas juntado aos autos. Postula pela aplicação dos princípios da razoabilidade proporcionalidade, aduzindo que a irregularidade é de valor irrisório e que agiu de boa-fé. Requer, por fim, a reforma da sentença, para que as contas sejam aprovadas ou, alternativamente, aprovadas com ressalvas.

Com vista dos autos, a Procuradoria Regional Eleitoral manifestou-se pelo conhecimento e provimento parcial do recurso (ID 39100183).

É o relatório.

 

RECURSO. ELEIÇÕES 2020. PRESTAÇÃO DE CONTAS. CANDIDATO. VEREADOR. PAGAMENTO DE DESPESA EM DESACORDO COM A RESOLUÇÃO TSE N. 23.607/19. RECURSOS DE ORIGEM NÃO IDENTIFICADA – RONI. PERCENTUAL INFERIOR A 10% DA ARRECADAÇÃO. PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE. APROVAÇÃO COM RESSALVAS. MANTIDO O RECOLHIMENTO AO TESOURO NACIONAL. PROVIMENTO.

1. Recurso contra sentença que desaprovou as contas referentes ao pleito de 2020. Reconhecida a irregularidade na contratação de impulsionamento de conteúdos no Facebook, realizada com recursos que não transitaram pela conta bancária da campanha, sendo determinado o recolhimento da quantia ao Tesouro Nacional, nos termos do art. 32, § 2º, da Resolução TSE n. 23.607/19.

2. Pagamento da despesa em desacordo com o disposto no art. 14 da Resolução TSE n. 23.607/19. Diante da necessidade do trânsito dos recursos para o pagamento de gastos eleitorais pela conta específica de campanha, o reembolso do valor efetuado pelo candidato para corrigir a movimentação financeira não tem o condão de regularizar a falha apontada.

3. Caracterizados como recursos de origem não identificada, devem ser recolhidos ao Tesouro Nacional, conforme art. 32 § 1º, inc. IV, da citada resolução. O alegado equívoco no pagamento do serviço com recursos particulares, sem a devida comprovação nos autos, não possui força probante para afastar a falha ou o dever de recolhimento ao Erário.

4. A irregularidade representa apenas 5,67% das receitas declaradas, ficando, portanto, abaixo do percentual de 10% utilizado como limite para permitir a aprovação das contas com ressalvas, na esteira da jurisprudência desta Corte e do TSE. Nesse contexto, em que envolvido percentual ínfimo dos recursos recebidos pelo candidato, viabiliza-se o juízo de aprovação com ressalvas, aplicando-se os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade.

5. Provimento.

Parecer PRE - 39100183.html
Enviado em 2021-09-21 10:25:15 -0300
Não há memoriais para este processo
Não há sustentações orais para este processo

Por unanimidade, deram provimento ao recurso, para aprovar com ressalvas as contas, mantendo a determinação de recolhimento da quantia de R$ 350,00 ao Tesouro Nacional.

PRESTAÇÃO DE CONTAS - DE CANDIDATO. CARGO - VEREADOR. CONTAS - DESAPROVAÇÃO/REJEIÇÃO DAS CONTAS.
6 REl - 0600410-28.2020.6.21.0062

Des. Eleitoral Silvio Ronaldo Santos de Moraes

Vila Maria-RS

ELEICAO 2020 ERICA VANESSA SANTORI VEREADOR (Adv(s) JAIR POLETTO LOPES OAB/RS 0036674, ANDRE BENEDETTI OAB/RS 0084249 e MARIA LUCIANA TONIAL LOPES OAB/RS 0071870) e ERICA VANESSA SANTORI (Adv(s) JAIR POLETTO LOPES OAB/RS 0036674, ANDRE BENEDETTI OAB/RS 0084249 e MARIA LUCIANA TONIAL LOPES OAB/RS 0071870)

<Não Informado>

RELATÓRIO

Trata-se de recurso interposto por ERICA VANESSA SANTORI, candidata ao cargo de vereadora no município de Vila Maria, contra a sentença proferida pelo Juízo da 62ª Zona Eleitoral – Marau, que julgou desaprovadas as suas contas de campanha relativas às eleições de 2020 e determinou-lhe o recolhimento de R$ 1.190,00 ao Tesouro Nacional, em razão da aplicação de verbas oriundas do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), com destinação específica, sem demonstração de que tenham revertido em favor de candidatura feminina (ID 39034733).

Em suas razões, a recorrente sustenta que “a decisão decorreu de uma presunção de irregularidade, vez que, efetivamente, no momento oportuno, por um lapso, não foram anexadas as publicações [santinhos] as notas fiscais comprovando os gastos. Nem mesmo se conseguiu obter os comprovantes no prazo deferido, em face da demora na localização dos mesmos”. Alega que as publicações ora juntadas confirmam as despesas espelhadas nas notas fiscais, o que permitiria a reforma da sentença. Defende que a juntada extemporânea de documento se trata de falha administrativa, não sendo apta a manter o decreto de rejeição das contas. Pugna, ao final, pelo provimento do recurso, para que as contas sejam aprovadas (ID 39034983), e junta documentos (ID 39035033).

A Procuradoria Regional Eleitoral manifestou-se pelo conhecimento e pelo parcial provimento do recurso, para que as contas sejam aprovadas com ressalvas, reduzindo-se para R$ 100,00 o valor a ser recolhido ao Tesouro Nacional. (ID 39775933).

É o relatório.

RECURSO. ELEIÇÕES 2020. PRESTAÇÃO DE CONTAS. CANDIDATA. CARGO DE VEREADORA. DESAPROVAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA UTILIZAÇÃO DE VERBAS DO FUNDO ESPECIAL DE FINANCIAMENTO DE CAMPANHA (FEFC) EM BENEFÍCIO DE CANDIDATURAS FEMININAS. RECOLHIMENTO DE VALORES AO TESOURO NACIONAL. VALOR IRRISÓRIO DA FALHA. APLICAÇÃO DOS PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE. APROVAÇÃO COM RESSALVAS. PARCIAL PROVIMENTO.

1. Insurgência contra sentença que julgou desaprovadas as contas de candidata ao cargo de vereadora, relativas às eleições de 2020, determinando-lhe o recolhimento de valores ao Tesouro Nacional em razão da aplicação de recursos oriundos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), com destinação específica, sem demonstração de que tenham revertido em favor de candidatura feminina.

2. Segundo o art. 17, §§ 4º, 6º e 7º, da Resolução TSE n. 23.607/19, devem ser destinados no mínimo 30% dos recursos do FEFC para campanhas femininas, cuja aplicação pela candidata há de se dar no direto interesse de sua campanha ou de outras candidaturas do mesmo sexo. No caso dos autos, a controvérsia gira em torno, unicamente, da falta de demonstração de que os gastos eleitorais, quitados com verbas do FEFC, transferidos com esta destinação específica, visaram efetivamente ao custeio de candidaturas femininas.

3. Comprovada a regularidade dos pagamentos realizados com recursos do FEFC relativos a dispêndios com confecção de santinhos, colinhas e veiculação de anúncio em jornal. No entanto, inexiste prova de que o gasto referente à “produção e montagem de programa de rádio” tenha sido concretizado em prol da candidata ou de outras campanhas femininas. Consequentemente, a importância referente a esta despesa deve ser recolhida ao Tesouro Nacional, nos termos do que dispõe o art. 79, § 1º, da Resolução TSE n. 23.607/19.

4. Tendo em vista que o valor absoluto da falha é irrisório, representando apenas 3,79% das receitas arrecadadas pela candidata, mostra-se cabível a aplicação dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, de modo que o ajuste contábil seja aprovado com ressalvas, em conformidade com a jurisprudência desta Corte firmada para irregularidades da mesma natureza no pleito de 2020.

5. Parcial provimento.

Parecer PRE - 39775933.html
Enviado em 2021-09-21 00:09:25 -0300
Não há memoriais para este processo
Não há sustentações orais para este processo

Por unanimidade, deram parcial provimento ao recurso, para aprovar com ressalvas as contas e reduzir para R$ 100,00 o montante a ser recolhido ao Tesouro Nacional.

PRESTAÇÃO DE CONTAS - DE CANDIDATO. CARGO - VEREADOR.
7 REl - 0600336-48.2020.6.21.0005

Des. Eleitoral Silvio Ronaldo Santos de Moraes

Alegrete-RS

ELEICAO 2020 JAIME ANTONIO PRATES DUARTE VEREADOR (Adv(s) MATHEUS BONENBERGER DOMINGUES OAB/RS 0081442) e JAIME ANTONIO PRATES DUARTE (Adv(s) MATHEUS BONENBERGER DOMINGUES OAB/RS 0081442)

<Não Informado>

RELATÓRIO

Trata-se de recurso interposto por JAIME ANTONIO PRATES DUARTE, candidato ao cargo de vereador no Município de Alegrete/RS, contra a sentença do Juízo da 005ª Zona Eleitoral que desaprovou suas contas referentes às eleições municipais de 2020 e determinou o recolhimento de R$ 3.300,00 ao Tesouro Nacional, em razão do recebimento de recursos de origem não identificada e da omissão de receitas e gastos eleitorais, (ID 23525583).

Em suas razões, o recorrente suscita, preliminarmente, a nulidade do processo, por não ter sido intimado a apresentar defesa ao parecer conclusivo por meio de publicação de nota de expediente no Diário da Justiça Eletrônico (DJe). No mérito, refere que as receitas eleitorais omitidas nos demonstrativos contábeis são derivadas do seu próprio patrimônio, à exceção da doação no valor de R$ 350,00, proveniente de apoiador que se equivocou no momento de informar o CPF. Sustenta que a contratação e o pagamento das despesas restaram esclarecidos nos autos, juntando prestação de contas retificadora e documentos complementares. Requer a declaração de nulidade da intimação lançada no sistema PJe em 18.01.2021, o recebimento das contas retificadoras e, ao final, a aprovação das contas (ID 23525883).

A Procuradoria Regional Eleitoral opina pelo conhecimento do recurso, pela rejeição da matéria preliminar e, no mérito, pelo seu desprovimento (ID 30416933).

É o relatório.

RECURSO. ELEIÇÕES 2020. PRESTAÇÃO DE CONTAS. VEREADOR. DESAPROVAÇÃO. AFASTADA PRELIMINAR DE NULIDADE DO ATO INTIMATÓRIO. PARCIALMENTE CONHECIDOS DOCUMENTOS NOVOS JUNTADOS AO RECURSO. OMISSÃO DE RECEITAS E GASTOS ELEITORAIS. RECURSO DE ORIGEM NÃO IDENTIFICADA. RECOLHIMENTO AO TESOURO NACIONAL. AFASTADA APLICAÇÃO DOS POSTULADOS DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE. DESPROVIMENTO.

1. Insurgência contra sentença que desaprovou prestação de contas, referente às eleições municipais de 2020, e determinou o recolhimento ao Tesouro Nacional da quantia irregular, em razão do recebimento de recursos de origem não identificada e da omissão de receitas e gastos eleitorais.

2. Matéria preliminar. 2.1. Afastada preliminar de nulidade do ato intimatório para manifestação acerca do parecer conclusivo. O candidato foi devidamente intimado do despacho judicial, para apresentar defesa ao parecer conclusivo, por intermédio de ato de comunicação no Processo Judicial Eletrônico. Regra expressa prevista no art. 51, caput, da Resolução TRE-RS n. 338/19, segundo a qual, realizado o ato de comunicação via sistema PJe, está dispensada a publicação no Diário da Justiça Eletrônico (DJe). Inexistência de nulidade processual a ser reconhecida. 2.2. Novos documentos juntados ao recurso. Inviável o conhecimento de prestação de contas retificadora oferecida com as razões recursais, porquanto demandaria o exame pormenorizado dos lançamentos contábeis em cotejo com os extratos bancários e demais batimentos integrantes dos procedimentos técnicos de exame, atividade de incumbência, nas eleições municipais, do juízo originário para o processamento do feito. Inteligência do art. 71 da Resolução TSE n. 23.607/19. 2.3. Admitida a documentação consistente em cópias de cheques, notas fiscais eletrônicas, extratos bancários e comprovantes de renda, por serem de fácil análise e pertinentes às falhas identificadas no presente caso.

3. Da omissão de receitas financeiras e da caracterização de recursos de origem não identificada. De acordo com o art. 53, inc. I, al. "g", da Resolução TSE n. 23.607/19, é obrigação do candidato informar a integralidade das receitas e despesas eleitorais nos registros contábeis, ainda que utilize recursos financeiros próprios para custear sua campanha. Ademais, as doações financeiras devem ser concretizadas mediante transação bancária cujo CPF do doador seja obrigatoriamente informado, sendo que sua inobservância caracteriza os respectivos recursos como de origem não identificada, os quais, acaso utilizados na campanha, necessitam ser recolhidos ao Tesouro Nacional. Descumprida a norma. A confiabilidade e a transparência das contas de campanha do candidato restaram severamente comprometidas pela irregularidade, impondo o recolhimento da quantia ao Tesouro Nacional.

4. Da omissão de despesas e de recursos estimáveis em dinheiro na prestação de contas. Identificadas omissões entre as informações relativas aos gastos informados nos demonstrativos contábeis e aquelas constantes na base de dados da Justiça Eleitoral, obtidas mediante o confronto com notas fiscais eletrônicas emitidas contra o CNPJ do candidato. De forma semelhante, o exame técnico verificou o recebimento de doações estimadas em dinheiro de pessoas físicas e não registradas na prestação de contas. Configurada, de modo inequívoco, a irregularidade pela ausência dos registros completos da movimentação de campanha no sistema SPCE.

5. Falhas de alto valor nominal, inviabilizando a aplicação dos postulados da razoabilidade e da proporcionalidade como forma de atenuar a gravidade perante o conjunto das contas, na esteira da jurisprudência do TSE e desta Corte.

6. Desprovimento.

 

Parecer PRE - 30416933.html
Enviado em 2021-09-21 00:09:31 -0300
Não há memoriais para este processo
Não há sustentações orais para este processo

Por unanimidade, rejeitaram a preliminar e negaram provimento ao recurso.

PRESTAÇÃO DE CONTAS - DE CANDIDATO. CARGO - PREFEITO.
8 REl - 0600634-93.2020.6.21.0052

Des. Eleitoral Gerson Fischmann

Caibaté-RS

ELEICAO 2020 AMAURI PIRES DA SILVA PREFEITO (Adv(s) JULIANO DALSOCHIO RIBAS FALCI OAB/RS 0096373), AMAURI PIRES DA SILVA (Adv(s) JULIANO DALSOCHIO RIBAS FALCI OAB/RS 0096373), ELEICAO 2020 DANIEL SEFFRIN HERTHER VICE-PREFEITO (Adv(s) JULIANO DALSOCHIO RIBAS FALCI OAB/RS 0096373) e DANIEL SEFFRIN HERTHER (Adv(s) JULIANO DALSOCHIO RIBAS FALCI OAB/RS 0096373)

<Não Informado>

RELATÓRIO

Trata-se de recurso interposto por AMAURI PIRES DA SILVA e DANIEL SEFFRIN HERTHER, eleitos aos cargos de prefeito e vice-prefeito do Município de Caibaté/RS, respectivamente, contra a sentença proferida pelo Juízo da 52ª Zona Eleitoral de São Luiz Gonzaga que aprovou com ressalvas suas contas relativas ao pleito de 2020, em virtude do excesso de aplicação de recursos próprios na campanha que superam em 13,89%, ou seja, R$ 4.792,26, o limite previsto no art. 27, § 1º, da Resolução TSE n. 23.607/19, fixando multa de 100% da quantia excedente a ser recolhida ao Tesouro Nacional (ID 24182533).

Em suas razões, sustentam que empregaram, individualmente, receitas pessoais na campanha da chapa na proporção de R$ 11.000,00, doados pelo candidato ao cargo de prefeito, e de R$ 6.100,00, doados pelo candidato a vice-prefeito, mas que a sentença concluiu que, para a análise do limite de gastos de R$ 12.307,74 de doação de recursos próprios, deveria ser considerada a soma das doações efetuadas pela chapa, no montante de R$ 17.100,00. Afirmam que a aplicação de recursos próprios deve ser considerada isoladamente e por cargo e que não extrapolaram o limite legal, circunstância que enseja a reforma da sentença. Invocam o princípio da proporcionalidade e defendem que o fato não compromete o julgamento de procedência das contas. Postulam o provimento do recurso para que as contas sejam aprovadas sem ressalvas (ID 24182683).

A Procuradoria Regional Eleitoral opina pelo desprovimento do recurso (ID 28563633).

É o relatório.

RECURSO. ELEIÇÕES 2020. PRESTAÇÃO DE CONTAS. PREFEITO E VICE ELEITOS. APROVAÇÃO COM RESSALVAS. UTILIZAÇÃO DE RECURSOS PRÓPRIOS EM MONTANTE SUPERIOR A 10% DO LIMITE LEGAL. CHAPA MAJORITÁRIA. INVIÁVEL O LIMITE INDIVIDUALIZADO. SOMA DOS RECURSOS PRÓPRIOS DOS CANDIDATOS TITULAR E VICE PARA AFERIÇÃO DO TETO DE AUTOFINANCIAMENTO DE CAMPANHA. ALTO PERCENTUAL. MANUTENÇÃO DA MULTA. CORREÇÃO DE OFÍCIO QUANTO À DESTINAÇÃO DA PENALIDADE. FUNDO PARTIDÁRIO. ART. 38, INC. I, DA LEI N. 9.096/95. DESPROVIMENTO.

1. Insurgência contra sentença que aprovou com ressalvas as contas relativas ao pleito de 2020 de candidatos eleitos ao cargo de prefeito e vice, em virtude do excesso de aplicação de recursos próprios na campanha, fixando multa de 100% da quantia excedente a ser recolhida ao Tesouro Nacional.

2. O limite de gastos de campanha foi estabelecido para ser observado de forma ampla na campanha disputada, considerados os cargos de prefeito ou vereador, a partir da soma dos investimentos efetuados pelos candidatos e pelos partidos. Assim, não há limites individualizados em razão do princípio da unicidade ou indivisibilidade da chapa majoritária, previsto no art. 91 do Código Eleitoral, § 1º, do art. 3º da Lei n. 9.504/97, e arts. 77, § 1º, e 28 da Constituição Federal, os quais restringem candidaturas isoladas para os cargos concebidos para ter natureza dúplice. O cargo de vice não pode ser considerado isolado do cargo de prefeito, o que corrobora a conclusão pelo acerto da sentença ao somar os recursos aplicados na campanha para fins de limite de autofinanciamento.

3. No caso dos autos, foram utilizados recursos próprios para candidatura que extrapolaram o limite da norma eleitoral, descumprindo a regra do art. 27, § 1º, da Lei n. 9.504/97. Ademais, o excesso de gastos operados com recursos próprios representa 15,02% do total de receitas declaradas. Manutenção da sentença que aprovou as contas com ressalvas.

4. A multa de 100% sobre a quantia excedente, encontra previsão no art. 27, §§ 1º e 4º, da Resolução TSE n. 23.607/19, e se afigura razoável e proporcional à falha verificada. Correção, de ofício, de erro material da sentença, pois a sanção por excesso do limite de autofinanciamento deve ser recolhida ao Fundo Partidário, na forma do art. 38, inc. I, da Lei n. 9.096/95.

5. Desprovimento.

 

Parecer PRE - 28563633.html
Enviado em 2021-09-21 00:07:56 -0300
Não há memoriais para este processo
Não há sustentações orais para este processo

Por unanimidade, negaram provimento ao recurso e retificaram a destinação da multa fixada na sentença em R$ 4.792,26, a fim de que seja recolhida ao Fundo Partidário.

PRESTAÇÃO DE CONTAS - DE CANDIDATO. CARGO - VEREADOR.
9 REl - 0600721-70.2020.6.21.0045

Des. Eleitoral Gerson Fischmann

Santo Ângelo-RS

ELEICAO 2020 SIMONE VARGAS LUNKES VEREADOR (Adv(s) ROGERIO COLPO CALLEGARO OAB/RS 0098885) e SIMONE VARGAS LUNKES (Adv(s) ROGERIO COLPO CALLEGARO OAB/RS 0098885)

<Não Informado>

RELATÓRIO

Trata-se de recurso interposto por SIMONE VARGAS LUNKES, candidata ao cargo de vereadora no Município de Santo Ângelo/RS, contra a sentença proferida pelo Juízo da 045ª Zona Eleitoral que desaprovou suas contas relativas ao pleito de 2020, em virtude do excesso de aplicação de recursos próprios na campanha que superam em R$ 292,55 o limite de gastos com autofinanciamento, fixando-lhe multa de 100% da quantia excedente e determinando seu recolhimento ao Tesouro Nacional, com fundamento nos arts. 27, §§ 1º e 4º, e 74, inc. III, da Resolução TSE n. 23.607/19 (ID 27267983).

Em suas razões, reconhece que extrapolou o limite legal para o autofinanciamento e que a quantia, por ser de pequena monta, não trouxe prejuízo aos demais candidatos na disputa. Argumenta que, devido à boa-fé e ao valor diminuto, é possível a incidência dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade para que as contas sejam aprovadas com ressalvas, circunstância que enseja a reforma da sentença. Postula o provimento do recurso e a aprovação das contas com ressalvas, conforme o art. 74, inc. II, da Resolução TSE n. 23.607/19 (ID 27268183).

A Procuradoria Regional Eleitoral opina pelo parcial provimento do recurso, para aprovar as contas com ressalvas, mantendo o recolhimento da multa ao Tesouro Nacional (ID 30160833).

É o relatório.

RECURSO. ELEIÇÕES 2020. PRESTAÇÃO DE CONTAS. VEREADOR. DESAPROVADAS. UTILIZAÇÃO DE RECURSOS PRÓPRIOS EM MONTANTE SUPERIOR A 10% DO LIMITE LEGAL. BAIXO PERCENTUAL. MANUTENÇÃO DA PENALIDADE IMPOSTA. CORREÇÃO DE OFÍCIO QUANTO À DESTINAÇÃO DA PENALIDADE DE MULTA. FUNDO PARTIDÁRIO. ART. 38, INC. I, DA LEI N. 9.096/95. APROVAÇÃO COM RESSALVAS. PARCIAL PROVIMENTO.

1. Insurgência contra sentença que desaprovou as contas relativas ao pleito de 2020 de candidato eleito ao cargo de vereador, em virtude do excesso de aplicação de recursos próprios na campanha, fixando multa de 100% da quantia excedente a ser recolhida ao Tesouro Nacional.

2. Utilização de recursos próprios em campanha que extrapolaram o limite da norma eleitoral, descumprindo a regra do art. 27, § 1º, da Lei n. 9.504/97. O parâmetro para aferição do limite de gastos de cada cargo visa à igualdade na disputa entre os concorrentes, como uma forma de mitigar eventual desequilíbrio no pleito em razão da diferença de capacidade patrimonial dos candidatos, o que poderia gerar interferência substancial nos resultados da campanha.

3. Irregularidade que representa 2,78% do total de receitas declaradas. Percentual e valor absoluto reduzidos, este, inclusive, inferior ao parâmetro de R$ 1.064,10 que a disciplina normativa das contas considera módico, de modo a permitir o gasto de qualquer eleitor pessoalmente e de dispensar o uso da transferência eletrônica interbancária nas doações eleitorais (arts. 43, caput, e 21, § 1º, da Resolução TSE n. 23.607/19). Nessa linha, este Tribunal admite a aplicação dos postulados da razoabilidade e da proporcionalidade para aprovar as contas com ressalvas. Circunstância que não afasta a condenação ao pagamento de multa, estipulada de forma adequada e proporcional à falha verificada, decorrente exclusiva e diretamente do uso de recursos próprios acima do limite legal, na forma do art. 23, § 3º, da Lei n. 9.504/97.

4. Correção, de ofício, de erro material da sentença, pois a sanção por excesso do limite de autofinanciamento deve ser recolhida ao Fundo Partidário, na forma do art. 38, inc. I, da Lei n. 9.096/95.

5. Parcial provimento. Aprovação com ressalvas.

 

Parecer PRE - 30160833.html
Enviado em 2021-09-21 00:08:03 -0300
Não há memoriais para este processo
Não há sustentações orais para este processo

Por unanimidade, deram parcial provimento ao recurso, para aprovar as contas com ressalvas, mantendo a sanção de multa no valor de R$ 292,55 e retificando sua destinação, a fim de que seja recolhida ao Fundo Partidário. 

PRESTAÇÃO DE CONTAS - DE CANDIDATO. CARGO - VEREADOR. CONTAS - DESAPROVAÇÃO/REJEIÇÃO DAS CONTAS.
10 REl - 0600473-79.2020.6.21.0118

Des. Eleitoral Gerson Fischmann

Estância Velha-RS

ELEICAO 2020 GILMAR PEREIRA DA SILVA VEREADOR (Adv(s) JOAO ANTONIO ARIGONY NETO OAB/RS 0029171) e GILMAR PEREIRA DA SILVA (Adv(s) JOAO ANTONIO ARIGONY NETO OAB/RS 0029171)

<Não Informado>

RELATÓRIO

Trata-se de recurso interposto por GILMAR PEREIRA DA SILVA, candidato ao cargo de vereador no Município de Estância Velha/RS, contra a sentença proferida pelo Juízo da 118ª Zona Eleitoral que desaprovou suas contas relativas ao pleito de 2020, em virtude do excesso de aplicação de recursos próprios na campanha que superam em R$ 1.568,01 o limite de gastos com autofinanciamento, fixando-lhe multa de 100% da quantia excedente, bem como devido à despesa com combustível no valor de R$ 149,06 sem o correspondente registro de locações, cessões de veículos, publicidade com carro de som ou despesa com geradores de energia (ID 40745783).

Em suas razões, alega que não extrapolou o limite de utilização de recursos próprios. Defende que o limite de autofinanciamento é o teto geral de gastos de R$ 18.919,88 estabelecido pelo Tribunal Superior Eleitoral para o cargo de vereador na cidade de Estância Velha no pleito de 2020. Postula o provimento do recurso e a aprovação das contas, afastando-se a sanção de multa (ID 40745883).

A Procuradoria Regional Eleitoral opina pelo desprovimento do recurso (ID 41060233).

É o relatório.

RECURSO. ELEIÇÕES 2020. PRESTAÇÃO DE CONTAS. CANDIDATO. DESAPROVAÇÃO. UTILIZAÇÃO DE RECURSOS PRÓPRIOS EM CAMPANHA ACIMA DO TETO REGULAMENTAR. DESPESA COM COMBUSTÍVEL SEM O CORRESPONDENTE REGISTRO DE CESSÃO. FALHAS DE VALOR ABSOLUTO ELEVADO. INVIÁVEL A APLICAÇÃO DA PROPORCIONALIDADE. RECOLHIMENTO AO TESOURO NACIONAL. APLICAÇÃO DA MULTA PREVISTA PARA O EXCESSO DE AUTOFINANCIAMENTO. DESTINADA AO FUNDO PARTIDÁRIO. DESPROVIMENTO.

1. Recurso contra sentença que desaprovou prestação de contas relativas ao pleito de 2020, em virtude do excesso de aplicação de recursos próprios na campanha, bem como devido à despesa com combustível sem o correspondente registro de locações, cessões de veículos, publicidade com carro de som ou despesa com geradores de energia. Aplicação de multa.

2. O parâmetro para aferição do limite de autofinanciamento de cada cargo em disputa visa à igualdade de oportunidades, ainda que relativa, entre os concorrentes, ou seja, uma forma de mitigar eventuais desequilíbrios patrimoniais prévios dos candidatos, que poderiam interferir de modo substancial nos resultados da campanha. O disposto no art. 27, § 1º, da Resolução TSE n. 23.607/19, não permite a conclusão de que o limite de autofinanciamento seja o valor máximo de despesa, mas sim, 10% desse montante. O teto de gastos do cargo não pode ser confundido com o limite de recursos próprios a serem utilizados para campanha.

3. Inexistência de insurgência quanto à realização de despesa com combustível sem o correspondente registro de locações, cessões de veículos, publicidade com carro de som ou despesa com geradores de energia, conforme estabelece o § 11 do art. 35 da Resolução TSE n. 23.607/19. Mantida a determinação de recolhimento da quantia equivalente ao Tesouro Nacional, na forma do art. 32 da Resolução TSE n. 23.607/19.

4. As falhas equivalem a 35,32% das receitas declaradas e perfazem importância que ultrapassa o parâmetro de R$ 1.064,10 que a disciplina normativa das contas considera módico, de modo a permitir o gasto de qualquer eleitor pessoalmente e de dispensar o uso da transferência eletrônica interbancária nas doações eleitorais (arts. 43, caput, e 21, § 1º, da Resolução TSE n. 23.607/19). Inviável a aplicação dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade.

5. Correção, de ofício, de erro material da sentença, a fim de destinar o valor da multa para o Fundo Partidário, na forma do art. 38, inc. I, da Lei n. 9.096/95.

6. Provimento negado.

Parecer PRE - 41060233.html
Enviado em 2021-09-21 00:08:09 -0300
Não há memoriais para este processo
Não há sustentações orais para este processo

Por unanimidade, negaram provimento ao recurso, mantendo a desaprovação das contas e a sanção de multa no valor de R$ 1.568,01, a qual deve ser destinada ao Fundo Partidário, bem como a determinação de recolhimento de R$ 149,06 ao Tesouro Nacional. 

PRESTAÇÃO DE CONTAS - DE CANDIDATO. CARGO - VEREADOR. CONTAS - DESAPROVAÇÃO/REJEIÇÃO DAS CONTAS.
11 REl - 0600372-75.2020.6.21.0107

Des. Eleitoral Gerson Fischmann

São Martinho-RS

ELEICAO 2020 JOSE ALFREDO RIBEIRO VEREADOR (Adv(s) MARILENI GESSI KRUPP OAB/RS 0069645) e JOSE ALFREDO RIBEIRO (Adv(s) MARILENI GESSI KRUPP OAB/RS 0069645)

<Não Informado>

RELATÓRIO

Trata-se de recurso interposto por JOSE ALFREDO RIBEIRO contra sentença do Juízo da 107ª Zona Eleitoral de Santo Augusto que desaprovou sua prestação de contas relativa às eleições municipais de 2020 para o cargo de vereador e determinou o recolhimento de R$ 314,29 ao Tesouro Nacional em face da omissão de um gasto eleitoral no valor de R$ 150,00, e do excesso de aplicação de recursos próprios na campanha que superam em R$ 821,43 o limite previsto no art. 27, § 1º, da Resolução TSE n. 23.607/2019, fixando-lhe multa de 20% sobre a quantia excedente.

Em suas razões alega que as falhas não possuem valor elevado que possam configurar a má-fé e o dolo, não passando de erro de lançamento que possibilita a aprovação das contas com ressalvas. Sustenta que por erros de interpretação superou o limite de gastos com recursos próprios, pois entendeu que a base de cálculo era o valor da declaração de renda anual da pessoa física do candidato. Refere que a nota fiscal relativa à despesa com combustível não declarada nas contas foi estornada porque não se tratou de gasto de campanha, juntando o documento ao recurso. Postula a aprovação das contas com ressalvas (ID 2762283). Junta documento (ID 27622633).

A Procuradoria Regional Eleitoral teve vista dos autos.

É o relatório.

RECURSO. ELEIÇÃO 2020. PRESTAÇÃO DE CONTAS. CANDIDATO. DESAPROVAÇÃO. OMISSÃO DE GASTO ELEITORAL. FALHA SANADA. AFASTADA A DETERMINAÇÃO DE RECOLHIMENTO DO VALOR AO TESOURO NACIONAL. EXCESSO DE APLICAÇÃO DE RECURSOS PRÓPRIOS NA CAMPANHA ELEITORAL. AUTOFINACIAMENTO ACIMA DO LIMITE REGULAMENTAR. APLICAÇÃO DE MULTA. DESTINADA AO FUNDO PARTIDÁRIO. FALHA DE VALOR ABSOLUTO DIMINUTO. PROPORCIONALIDADE. APROVAÇÃO COM RESSALVAS. PARCIAL PROVIMENTO.

1. Recurso contra sentença que desaprovou prestação de contas relativa às eleições municipais de 2020, para o cargo de vereador, e determinou o recolhimento de valor ao Tesouro Nacional em face da omissão de gasto eleitoral e do excesso de aplicação de recursos próprios na campanha, fixando multa de 20% sobre a quantia excedente.

2. Sanada, nesta instância recursal, a falha atinente à apontada omissão de gasto eleitoral. Apresentação da nota fiscal estornando o recebimento do valor, devendo ser afastada a determinação de recolhimento ao erário.

3. Persistência da irregularidade quanto ao excesso de autofinanciamento de campanha, em desacordo ao disposto no art. 27, § 1º, da Resolução TSE n. 23.607/2019. A alegação de desconhecimento ou erro na aplicação da legislação não exime o prestador de arcar com a penalidade pelo seu descumprimento.

4. Falha de valor absoluto diminuto, viabilizando a aplicação dos postulados da razoabilidade e da proporcionalidade para aprovar as contas com ressalvas. Circunstância que não afasta o dever ao pagamento da multa estipulada por excesso de recursos próprios na campanha. Correção, de ofício, de erro material da sentença, a fim de destinar o valor da sanção ao Fundo Partidário, na forma do art. 38, inc. I, da Lei n. 9.096/95.

5. Provimento parcial.

 

Parecer PRE - 44834630.html
Enviado em 2021-09-21 00:08:15 -0300
Parecer PRE - 40216733.html
Enviado em 2021-09-21 00:08:16 -0300
Não há memoriais para este processo
Não há sustentações orais para este processo

Por unanimidade, deram parcial provimento ao recurso, para aprovar as contas com ressalvas e afastar a determinação de recolhimento ao Tesouro Nacional do valor de R$ 314,29, mantendo apenas a multa fixada na sentença no patamar de R$ 164,29, a qual deve ser recolhida ao Fundo Partidário. 

PRESTAÇÃO DE CONTAS - DE CANDIDATO. CARGO - VEREADOR. CONTAS - DESAPROVAÇÃO/REJEIÇÃO DAS CONTAS.
12 REl - 0600470-98.2020.6.21.0062

Des. Eleitoral Amadeo Henrique Ramella Buttelli

Vila Maria-RS

ELEICAO 2020 ADRIANE ROVEDA DALLACORT VEREADOR (Adv(s) CASSIANO RIZZATTO OAB/RS 0061563, LUIS RICARDO BIANCHIN MAGNAN OAB/RS 0068315 e MARCOS ROBERTO DAMO OAB/RS 0065456) e ADRIANE ROVEDA DALLACORT (Adv(s) CASSIANO RIZZATTO OAB/RS 0061563, LUIS RICARDO BIANCHIN MAGNAN OAB/RS 0068315 e MARCOS ROBERTO DAMO OAB/RS 0065456)

<Não Informado>

RELATÓRIO

Trata-se de recurso interposto por ADRIANE ROVEDA DALLACORT, candidata ao cargo de vereadora no Município de Vila Maria, contra a sentença que julgou desaprovadas as suas contas, relativas ao pleito de 2020, em razão da não comprovação de despesas com publicidade em jornais e material impresso (santinhos), realizadas com recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), na quantia de R$ 1.000,00, determinando o recolhimento do valor ao Tesouro Nacional. A sentença ainda levou em conta impropriedades de pequena monta, como o atraso na abertura da conta-corrente de campanha, bem como falha formal na transferência de sobras de campanha para o órgão partidário de R$ 7,50.

Em suas razões, em sede recursal, a prestadora juntou os comprovantes dos gastos com o FEFC, apresentou esclarecimentos quanto às demais impropriedades e postulou a aprovação das contas com ressalvas e o afastamento da determinação de recolhimento do valor de R$ 1.000,00.

Nesta instância, a Procuradoria Regional Eleitoral opinou pelo conhecimento e provimento do recurso.

É o relatório.

RECURSO. ELEIÇÕES 2020. PRESTAÇÃO DE CONTAS. CANDIDATO. VEREADOR. DESPESAS ELEITORAIS. VERBAS DO FUNDO ESPECIAL DE FINANCIAMENTO DE CAMPANHA – FEFC. ATRASO NA ABERTURA DA CONTA-CORRENTE DE CAMPANHA. FALHA NA TRANSFERÊNCIA DE SOBRAS DE CAMPANHA. PRELIMINAR. CONHECIMENTO DOS DOCUMENTOS JUNTADOS. DESNECESSIDADE DE NOVA ANÁLISE TÉCNICA. IRREGULARIDADE COM RECURSO DE NATUREZA PÚBLICA SANADA. AFASTADA A DETERMINAÇÃO DE RECOLHIMENTO AO TESOURO NACIONAL. IMPROPRIEDADES REMANESCENTES. APROVAÇÃO COM RESSALVAS. PROVIMENTO.

1. Recurso contra sentença que julgou desaprovada prestação de contas, relativas ao pleito de 2020, em razão da não comprovação de despesas com publicidade em jornais e material impresso (santinhos), realizadas com recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC). Determinado o recolhimento do valor ao Tesouro Nacional. A sentença ainda levou em conta impropriedades de pequena monta, como o atraso na abertura da conta-corrente de campanha, bem como falha formal na transferência de sobras de campanha para o órgão partidário.

2. Preliminar. No âmbito dos processos de prestação de contas, expedientes que têm preponderante natureza declaratória e possuem como parte apenas o prestador, este Tribunal tem concluído, em casos excepcionais, com amparo no art. 266, caput, do Código Eleitoral, pela aceitação de novos documentos, acostados com a peça recursal e não submetidos a exame do primeiro grau de jurisdição, mesmo que o interessado tenha sido intimado para se manifestar, quando sua simples leitura pode sanar irregularidades e não há necessidade de nova análise técnica.

3. Apresentação de documentos que comprovam os gastos realizados com o FEFC, saneando a irregularidade apontada, devendo ser provido o recurso quanto a este ponto, afastando-se a determinação de recolhimento ao Tesouro Nacional. Persistência das impropriedades remanescentes, cujas explicações apresentadas denotam a boa-fé da prestadora mas não afastam o equívoco procedimental. Aprovação com ressalvas.

4. Provimento.

Parecer PRE - 42274483.pdf
Enviado em 2021-09-21 00:08:21 -0300
Não há memoriais para este processo
Não há sustentações orais para este processo

Por unanimidade, deram provimento ao recurso, para aprovar com ressalvas as contas e afastar a determinação de recolhimento ao Tesouro Nacional. 

PRESTAÇÃO DE CONTAS - DE CANDIDATO. CARGO - VEREADOR. CONTAS - APROVAÇÃO DAS CONTAS COM RESSALVAS.
13 REl - 0600460-70.2020.6.21.0089

Des. Eleitoral Amadeo Henrique Ramella Buttelli

Três de Maio-RS

ELEICAO 2020 GILCEIA DA SILVA LOSEKANN VEREADOR (Adv(s) JORGE LUIZ WACHTER OAB/RS 0015406) e GILCEIA ROLIM DA SILVA (Adv(s) JORGE LUIZ WACHTER OAB/RS 0015406)

<Não Informado>

RELATÓRIO

Trata-se de recurso interposto por GILCEIA DA SILVA LOSEKANN, candidata ao cargo de vereadora no Município de Três de Maio, contra a sentença que aprovou com ressalvas as suas contas, relativas ao pleito de 2020, em razão da extrapolação do limite legal de arrecadação de recursos próprios (autofinanciamento), em decorrência de uma doação em espécie na quantia de R$ 1.200,00, e devido à cessão de veículo próprio, em valor estimado de R$ 665,00, determinando-lhe o pagamento de multa de R$ 634,22, correspondentes a 100% da quantia em excesso.

Em suas razões, a recorrente alega que a extrapolação do limite de autofinanciamento ocorreu porque declarou a cessão de veículo próprio à campanha em valor estimável de R$ 300,00. Sustenta que poderia ter declinado valor menor, evitando a falha, razão pela qual entende que as doações estimáveis em dinheiro devem ser excluídas da base de cálculo para a verificação do limite de autofinanciamento. Requer a aprovação das contas, sem qualquer ressalva, e o afastamento da multa imposta.

Nesta instância, a Procuradoria Regional Eleitoral opinou pelo parcial provimento do recurso, tão somente para que seja corrigido erro material da sentença a fim de reduzir o valor da multa imposta.

É o relatório.

RECURSO. ELEIÇÕES 2020. PRESTAÇÃO DE CONTAS. CANDIDATO. VEREADOR. AUTOFINANCIAMENTO. LIMITE REGULAMENTAR EXCEDIDO. ART. 27, § 1º, DA RESOLUÇÃO TSE N. 23.607/19. LIMITE OBJETIVO. VALOR DA CEDÊNCIA DO VEÍCULO. ERRO MATERIAL. CORREÇÃO. REDUÇÃO DO VALOR DA MULTA. RECOLHIMENTO AO FUNDO PARTIDÁRIO. APROVAÇÃO COM RESSALVAS. PROVIMENTO PARCIAL.

1. Recurso contra sentença que aprovou com ressalvas prestação de contas relativas ao pleito de 2020, em razão da extrapolação do limite legal de arrecadação de recursos próprios (autofinanciamento), em decorrência de uma doação em espécie e de cessão de veículo próprio, determinando o pagamento de multa correspondente a 100% da quantia em excesso.

2. O art. 27, § 1º, da Resolução TSE n. 23.607/19, trata do autofinanciamento de campanha, estabelecendo que o candidato somente poderá empregar recursos próprios em sua campanha no valor máximo de 10% do limite previsto para gastos atinentes ao cargo em que concorrer, não havendo exceção a tal preceito.

3. O limite para custeio da campanha com recursos próprios é objetivo, aferido a partir de simples equação matemática em relação ao limite legal de gastos relacionados ao cargo em disputa e independe se os recursos próprios são em espécie ou estimáveis em dinheiro. O valor correto da cedência do veículo foi menor, razão pela qual cabe corrigir o erro material trazido na sentença, reduzindo-se o valor que deve ser recolhido ao Fundo Especial de Assistência Financeira aos Partidos Políticos (Fundo Partidário), como previsto no art. 38, inc. I, da Lei n. 9.096/95.

4. Provimento parcial do recurso. Readequação do valor da penalidade de multa, a qual deve ser destinado ao Fundo Partidário.

Parecer PRE - 44040233.html
Enviado em 2021-09-21 00:08:27 -0300
Não há memoriais para este processo
Não há sustentações orais para este processo

Por unanimidade, deram provimento parcial ao recurso para, corrigindo erro material da sentença, readequar o valor da penalidade de multa para R$ 269,22, a qual deve ser destinada ao Fundo Partidário. 

PRESTAÇÃO DE CONTAS - DE CANDIDATO. CARGO - VEREADOR. CONTAS - DESAPROVAÇÃO/REJEIÇÃO DAS CONTAS.
14 REl - 0600395-42.2020.6.21.0100

Des. Eleitoral Amadeo Henrique Ramella Buttelli

Tapejara-RS

ELEICAO 2020 JOAO DENORAN FERREIRA VEREADOR (Adv(s) VALERIA LAMB OAB/RS 0084247, LEONARDO FRIGERI OAB/RS 0111697, PAULA DEL SANT WOLFF OAB/RS 0087305 e SERGIO FEDERLE OAB/RS 0082782) e JOAO DENORAN FERREIRA (Adv(s) VALERIA LAMB OAB/RS 0084247, LEONARDO FRIGERI OAB/RS 0111697, PAULA DEL SANT WOLFF OAB/RS 0087305 e SERGIO FEDERLE OAB/RS 0082782)

<Não Informado>

RELATÓRIO

Trata-se de recurso interposto por JOÃO DENORAN FERREIRA, candidato ao cargo de vereador do Município de Tapejara, em face da sentença que desaprovou as suas contas referentes às eleições municipais de 2020, determinando-lhe o recolhimento de R$ 985,50 ao Tesouro Nacional, em razão do recebimento e utilização de recursos de origem não identificada, visto que aportou recursos próprios em favor de sua campanha eleitoral que não havia declarado por ocasião do registro de candidatura.

Em suas razões, o recorrente sustenta que, embora no registro de candidatura tenha declarado não possuir bens, tal situação, por si só, não caracteriza os recursos financeiros utilizados na campanha como de origem não identificada. Alega que o valor contestado estava em sua conta-poupança, tratando-se de reserva pessoal de pequena monta. Alega que a origem dos recursos restou plenamente demonstrada, visto que transferidos diretamente de sua conta pessoal para a conta de campanha. Ao final, pugna pela reforma da sentença, para que as contas sejam aprovadas, ainda que com ressalvas.

A Procuradoria Regional Eleitoral, em parecer, opinou pelo conhecimento e provimento do recurso (ID 44367183).

É o relatório.

RECURSO. ELEIÇÕES 2020. PRESTAÇÃO DE CONTAS. CANDIDATO. VEREADOR. RECURSOS DE ORIGEM NÃO IDENTIFICADA – RONI. USO DE RECEITAS PRÓPRIAS NA CAMPANHA ELEITORAL. DECLARAÇÃO DE AUSÊNCIA DE PATRIMÔNIO. REGISTRO DE CANDIDATURA. REMUNERAÇÃO MENSAL. CAPACIDADE FINANCEIRA COMPROVADA. VALOR MÓDICO. NÃO SUJEITO À CONTABILIZAÇÃO. ART. 43 DA RESOLUÇÃO TSE N. 23.607/19. INFERIOR A 10% DO LIMITE DE ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. APROVAÇÃO DAS CONTAS. PROVIMENTO.

1. Irresignação em face da sentença que desaprovou as contas referentes às eleições municipais de 2020, determinando o recolhimento ao Tesouro Nacional. Utilização de recursos próprios de candidato que  havia declarado ausência de patrimônio por ocasião do registro de candidatura, restando assim caracterizados como de origem não identificada.

2. O uso de recursos financeiros próprios em campanha em montante superior ao patrimônio declarado no registro de candidatura não é motivo suficiente, por si só, para desaprovar contas, quando compatível com a realidade financeira de candidato que declara sua ocupação. A situação patrimonial do candidato declarada no momento do registro da candidatura não se confunde com a sua capacidade financeira, a qual tende a acompanhar o dinamismo próprio do exercício de atividades econômicas, relacionando-se mais diretamente ao percebimento de renda, e não à titularidade de bens e direitos.

3. Agrega-se, ainda, o fato de que a monta do aporte em questão é inferior ao valor de R$ 1.064,10, que qualquer eleitor pode despender pessoalmente em favor de candidato, sem sujeição à contabilização, nos termos do art. 43 da Resolução TSE n. 23.607/19. Além disso, consoante prescreve o art. 10, § 8º, do mesmo diploma normativo, a aferição do limite de doação eleitoral por pessoas físicas, equivalente a 10% dos rendimentos brutos auferidos no ano anterior ao do pleito, quando se tratar de contribuinte dispensado da apresentação de Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda, deve ser realizada com base no limite de isenção previsto para o exercício financeiro do ano da eleição.

4. Descabe tomar-se como recursos de origem não identificada as verbas próprias vertidas à campanha pelo candidato. Dessa forma, inexistindo irregularidades no ajuste contábil, devem ser aprovadas as contas.

5. Provimento.

 

Parecer PRE - 44367183.html
Enviado em 2021-09-21 00:08:33 -0300
Não há memoriais para este processo
Não há sustentações orais para este processo

Por unanimidade, deram provimento ao recurso, para aprovar as contas e afastar a determinação de recolhimento ao Tesouro Nacional. 

PRESTAÇÃO DE CONTAS - DE CANDIDATO. CARGO - VEREADOR. CONTAS - DESAPROVAÇÃO/REJEIÇÃO DAS CONTAS.
15 REl - 0600423-02.2020.6.21.0038

Des. Eleitoral Oyama Assis Brasil de Moraes

Rio Pardo-RS

ELEICAO 2020 FERNANDO DE MACEDO BLANCO VEREADOR (Adv(s) VILTON FRAGA DA SILVA OAB/RS 0027605, SONIA MARIA ROSA DA CRUZ OAB/RS 0026671 e ANDRE PEREIRA REGO GESTA OAB/RS 38797) e FERNANDO DE MACEDO BLANCO (Adv(s) VILTON FRAGA DA SILVA OAB/RS 0027605, SONIA MARIA ROSA DA CRUZ OAB/RS 0026671 e ANDRE PEREIRA REGO GESTA OAB/RS 38797)

<Não Informado>

RELATÓRIO

FERNANDO DE MACEDO BLANCO interpõe recurso contra a sentença do Juízo da 38ª Zona Eleitoral que desaprovou suas contas de candidato a vereador de Rio Pardo, nas eleições 2020, em razão de (1) ausência de documentos comprobatórios de pagamento de despesas com recursos do FEFC; e (2) utilização irregular de recursos do FEFC com combustíveis. A decisão hostilizada determinou o recolhimento de R$ 2.110,00 ao Tesouro Nacional.

Em suas razões, sustenta que, por erro do profissional de contabilidade, os cheques não foram apresentados em conjunto com a prestação de contas. Aduz que se encontram nos autos as notas fiscais referentes aos gastos com combustíveis, pagos com cheques nominais. Acosta documentos. Requer a aprovação das contas.

Nesta instância, a Procuradoria Regional Eleitoral, em parecer, opinou pelo conhecimento e parcial provimento do recurso.

É o relatório.

 

RECURSO. ELEIÇÕES 2020. PRESTAÇÃO DE CONTAS. VEREADOR. DESAPROVAÇÃO. AUSÊNCIA DE DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS DE DESPESAS REALIZADAS COM RECURSOS PÚBLICOS. FUNDO ESPECIAL DE FINANCIAMENTO DE CAMPANHA. FALHA PARCIALMENTE SANADA. UTILIZAÇÃO IRREGULAR DE VERBAS DO FEFC COM COMBUSTÍVEL. ALTO PERCENTUAL. MANTIDA DESAPROVAÇÃO DAS CONTAS. REDUZIDO MONTANTE A SER RECOLHIDO AO TESOURO NACIONAL. PARCIAL PROVIMENTO.

1. Insurgência contra sentença que desaprovou prestação de contas, em razão de ausência de documentos comprobatórios de pagamento de despesas com recursos do FEFC, além da utilização irregular desta verba com combustíveis. Determinado o recolhimento da quantia irregular ao Tesouro Nacional.

2. As regras contidas na Resolução TSE n. 23.607/19 objetivam a identificação dos gastos de campanha eleitoral, mediante o estabelecimento de elos seguros entre os beneficiários dos pagamentos e os serviços prestados. Na espécie, reconhecidos pagamentos de despesas  com verbas do FEFC,  efetuados de forma diversa da prevista no art. 38 da Resolução TSE n. 23.607/19. A documentação acostada aos autos mostra-se apta a sanar apenas parcialmente a irregularidade, pois a ausência do cheque alegadamente nominal e cruzado impede a comprovação do vínculo entre pagamento e fornecedor, restando descumprida a regra posta no art. 60 e parágrafos da Resolução TSE n. 23.607/19.

3. Os gastos com combustível e manutenção de veículo usado por candidato são considerados despesas de natureza pessoal, sendo vedado o emprego de recursos de campanha para seu pagamento. No caso dos autos, constatada a utilização irregular de verbas do FEFC com despesas de combustível, sem, contudo, declarar o uso de veículo, conforme previsões constantes do art. 35, § 11, da Resolução TSE n. 23.607/19. Inaceitável o argumento da utilização de combustível em carreatas.

4. O montante das irregularidades representa aproximadamente 30,44% dos recursos recebidos e excede nominalmente o parâmetro legal de R$ 1.064,10, admitido pela jurisprudência como balizador para as prestações de contas de candidatos, devendo ser mantida a desaprovação.

5. Parcial provimento. Mantida a desaprovação das contas e reduzido o valor de recolhimento ao Tesouro Nacional.

Parecer PRE - 40088633.html
Enviado em 2021-09-21 00:08:38 -0300
Não há memoriais para este processo
Não há sustentações orais para este processo

Por unanimidade, deram parcial provimento ao recurso para, mantida a desaprovação das contas, reduzir o valor de recolhimento ao Tesouro Nacional para R$ 1.383,85. 

PRESTAÇÃO DE CONTAS - DE CANDIDATO. CARGO - VEREADOR. CONTAS - DESAPROVAÇÃO/REJEIÇÃO DAS CONTAS.
16 REl - 0600326-36.2020.6.21.0156

Des. Eleitoral Oyama Assis Brasil de Moraes

Capivari do Sul-RS

ELEICAO 2020 ELIS REJANE BUENO NUNES ALVES VEREADOR (Adv(s) WINNIE NUNES ALVES OAB/RS 0109022) e ELIS REJANE BUENO NUNES ALVES (Adv(s) WINNIE NUNES ALVES OAB/RS 0109022)

<Não Informado>

RELATÓRIO

ELIS REJANE BUENO NUNES ALVES interpõe recurso contra a sentença do Juízo da 156ª Zona Eleitoral que desaprovou suas contas ao cargo de vereadora de Capivari do Sul nas eleições 2020, em razão de (1) ausência de abertura de conta bancária para movimentar recursos do FEFC; (2) utilização irregular de recursos do FEFC com combustíveis, e (3) pagamento irregular de despesas com verbas do FEFC.

Em suas razões, sustenta que desconhecia a necessidade de abrir conta específica para recursos do FEFC, incorrendo em erro procedimental. Junta cópias dos instrumentos de cessão de veículos e cheques. Requer a aplicação dos princípios da boa-fé e da razoabilidade para o provimento do apelo e a aprovação das contas com ressalvas.

Nesta instância, a Procuradoria Regional Eleitoral, em parecer, opinou pelo conhecimento e desprovimento do recurso.

É o relatório.

 

 

RECURSO. ELEIÇÕES 2020. PRESTAÇÃO DE CONTAS. VEREADOR. DESAPROVADAS. AUSÊNCIA DE CONTA BANCÁRIA ESPECÍFICA. UTILIZAÇÃO IRREGULAR DE RECURSOS DO FUNDO ESPECIAL DE FINANCIAMENTO DE CAMPANHA - FEFC. PAGAMENTO IRREGULAR DE DESPESAS. FALHA SANADA. MANTIDA DESAPROVAÇÃO DAS CONTAS. PARCIAL PROVIMENTO.

1. Insurgência contra sentença que desaprovou prestação de contas, em razão de ausência de abertura de conta bancária específica para movimentar recursos do FEFC, utilização irregular de recursos públicos com combustível e pagamento irregular de despesas com verbas de natureza pública.

2. Da ausência de abertura de conta bancária específica para movimentação de recursos do FEFC. Os art. 8º e 9º da Resolução TSE n. 23.607/19, dispõem sobre a obrigatoriedade de abertura de contas distintas, conforme as verbas a serem movimentadas. A norma de regência tem por escopo viabilizar o controle da destinação e separação de valores de origem pública e privada. Na espécie, caracterizado o descumprimento da norma, impondo a aplicação do art. 14 da Resolução TSE n. 26.607/19.

3. Da utilização irregular de recursos do FEFC para adimplemento de despesa com combustíveis, sem contudo, declarar uso de veículo em qualquer das previsões constantes do art. 35, § 11, da Resolução TSE n. 23.607/19. Na espécie, diligências intempestivas e insuficientes, permanecendo a falha. Incabível ordem de recolhimento, uma vez que a sentença silenciou sobre o tema, e não há recurso no ponto.

4. Do pagamento irregular de despesas com recursos do FEFC, em afronta ao disposto no art. 38, inc. I, da Resolução TSE n. 23.607/19. Sanada a irregularidade, com a apresentação de cópias dos cheques, os quais confirmam o destino dos pagamentos, de forma que há razoável vínculo com as despesas, sobretudo se considerada, a declaração da funcionária da agência bancária.

5. Parcial provimento, tão somente para reconhecer a regularidade das despesas quitadas com cheques, mantendo, contudo, a desaprovação das contas.

 

Parecer PRE - 40221783.html
Enviado em 2021-09-21 10:18:57 -0300
Não há memoriais para este processo
Não há sustentações orais para este processo

Por unanimidade, deram parcial provimento ao recurso para, mantida a desaprovação das contas, reconhecer a regularidade de despesas quitadas com cheques.

PRESTAÇÃO DE CONTAS - DE CANDIDATO. CARGO - VEREADOR.
17 REl - 0600696-57.2020.6.21.0045

Des. Eleitoral Oyama Assis Brasil de Moraes

São Miguel das Missões-RS

ELEICAO 2020 FRANCISCO FANG VEREADOR (Adv(s) GILBERTO BATISTA DE MELO OAB/RS 0083665) e FRANCISCO FANG (Adv(s) GILBERTO BATISTA DE MELO OAB/RS 0083665)

<Não Informado>

RELATÓRIO

FRANCISCO FANG, candidato ao cargo de vereador no município de São Miguel das Missões nas eleições 2020, recorre contra a sentença do Juízo da 45ª Zona Eleitoral que desaprovou suas contas em razão da divergência entre a movimentação financeira registrada perante a Justiça Eleitoral e a constante nos extratos bancários, no montante de R$ 525,60.

Nas razões recursais, reconhece que os cheques não foram cruzados e argumenta que os destinos dos pagamentos estão devidamente informados. Cita jurisprudência. Requer a aprovação das contas com ressalvas.

Nesta instância, a Procuradoria Regional Eleitoral, em parecer, opinou pelo conhecimento e desprovimento do recurso.

É o relatório.

 

RECURSO. ELEIÇÕES 2020. PRESTAÇÃO DE CONTAS. CANDIDATO. CARGO DE VEREADOR. DESAPROVAÇÃO. DIVERGÊNCIA ENTRE A MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA REGISTRADA NA JUSTIÇA ELEITORAL E A CONSTANTE NOS EXTRATOS BANCÁRIOS. PAGAMENTOS FEITOS COM CHEQUES NÃO CRUZADOS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DESTINO DAS VERBAS PÚBLICAS. FALHA DE NATUREZA GRAVE. MANTIDO O AFASTAMENTO DE RECOLHIMENTO DE VALOR IRREGULAR. INEXISTÊNCIA DE RECURSO NO PONTO. VALOR ABSOLUTO INFERIOR AO PARÂMETRO. INCIDÊNCIA DO POSTULADO DA RAZOABILIDADE. APROVAÇÃO COM RESSALVAS. PARCIAL PROVIMENTO.

1. Insurgência contra sentença que desaprovou as contas de candidato a vereador em razão da divergência entre a movimentação financeira registrada perante a Justiça Eleitoral e a constante nos extratos bancários.

2. Divergência entre os fornecedores indicados no Sistema de Prestação de Contas Eleitorais - SPCE e os beneficiários dos cheques emitidos para pagamentos das respectivas despesas, quitadas com recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha – FEFC. Os arts. 38 e 60 da Resolução TSE n. 23.607/19 estabelecem os meios de quitação e de comprovação dos gastos eleitorais.

3. Incabível a tese no sentido de ser suficiente a declaração para comprovação do pagamento ao real fornecedor, pois a ausência de comprovação do destino das verbas públicas usadas para pagamento das despesas eleitorais é falha de natureza grave. Manutenção da decisão de afastamento do recolhimento do valor irregular, ante a inexistência de recurso quanto ao ponto.

4. O valor absoluto da irregularidade é inferior ao parâmetro de R$ 1.064,10 estabelecido no art. 43, caput, e referido no art. 21, § 1º, da Resolução TSE n. 23.607/19, utilizado por este Tribunal como autorizador da aplicação do postulado da razoabilidade, o que viabiliza a aprovação das contas com ressalvas.

5. Parcial provimento.

 

Parecer PRE - 30361233.html
Enviado em 2021-09-21 00:08:50 -0300
Não há memoriais para este processo
Não há sustentações orais para este processo

Por unanimidade, deram parcial provimento ao recurso para aprovar as contas com ressalvas.

PRESTAÇÃO DE CONTAS - DE CANDIDATO. CARGO - VEREADOR. CONTAS - DESAPROVAÇÃO/REJEIÇÃO DAS CONTAS.
18 REl - 0600313-60.2020.6.21.0019 (Embargos de Declaração)

Des. Federal Luís Alberto D`Azevedo Aurvalle

Encruzilhada do Sul-RS

ELEICAO 2020 ROBERT RIBEIRO ADOLFO VEREADOR (Adv(s) PAULO RENATO DE MORAIS SILVA OAB/RS 0105471 e NESTOR LANGASSNER ROSA OAB/RS 0084936) e ROBERT RIBEIRO ADOLFO (Adv(s) PAULO RENATO DE MORAIS SILVA OAB/RS 0105471 e NESTOR LANGASSNER ROSA OAB/RS 0084936)

<Não Informado>

RELATÓRIO

Trata-se de embargos de declaração opostos por ROBERT RIBEIRO ADOLFO contra o acórdão que deu parcial provimento ao recurso do embargante, para considerar sanada a irregularidade quanto à ausência de comprovação individualizada das despesas pagas à empresa COMERCIAL DE COMBUSTÍVEIS BISSIGO ROSA LTDA., no valor de R$ 1.177,50, mantendo o juízo de desaprovação das contas e o reconhecimento da irregularidade quanto à omissão de gastos eleitorais referentes a oito notas fiscais pagas à empresa AUTO POSTO DE ENCRUZILHADA DO SUL LTDA., no valor total de R$ 1.547,00, devendo tal importância (R$ 1.547,00) ser recolhida ao Tesouro Nacional, nos termos dos arts. 32 e 79, ambos da Resolução TSE n. 23.607/19.

Em suas razões, o embargante sustenta que a empresa emitente das notas cometeu equívoco informando o número do CNPJ do candidato, pois os abastecimentos realizados no AUTO POSTO eram da pessoa física, ROBERT RIBEIRO ADOLFO, e não da campanha eleitoral, visto que utilizados em seu veículo pessoal, ou seja, não são considerados gastos eleitorais sujeitos à prestação de contas, nos termos do art. 35, § 6º, al. “a”, da Resolução n. 23.607/19. Tal fato fora corroborado pela declaração fornecida pelo sócio da empresa, conforme documento ID 83650523, reanexado ao presente recurso. O prestador de contas buscou, justamente, efetuar os pagamentos dos combustíveis sujeitos à prestação de contas na COMERCIAL DE COMBUSTÍVEIS BISSIGO ROSA LTDA, com o intuito de não causar confusão, e permaneceu abastecendo o seu veículo no AUTO POSTO DE ENCRUZILHADA DO SUL como sempre fez. Pede o acolhimento dos embargos com efeitos infringentes, pois demonstrado que o erro foi de terceiro.

É o relatório.

 

 

 

 

 

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RECURSO. PRESTAÇÃO DE CONTAS. PARCIAL PROVIMENTO. ART. 275 DO CÓDIGO ELEITORAL E ART. 1.022 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. AUSENTES VÍCIOS A SEREM SANADOS. REJEIÇÃO.

1. Os aclaratórios servem para afastar obscuridade, omissão, contradição ou erro material, nos termos do art. 275 do Código Eleitoral e art. 1.022 do Código de Processo Civil. Oposição sem o apontamento de qualquer vício no acórdão, apenas inconformidades com o mérito da decisão.

2. Deliberada intenção de rediscussão da lide, inviável em sede de aclaratórios. A insatisfação com o resultado do julgamento deve ensejar o manejo do recurso adequado, dirigido à superior instância, com o objetivo de reforma da decisão.

3. Ausência de quaisquer das hipótese autorizadoras para a oposição dos embargos.

4. Rejeição.

 

 

Parecer PRE - 41059883.html
Enviado em 2021-09-21 10:24:56 -0300
Não há memoriais para este processo
Não há sustentações orais para este processo

Por unanimidade, rejeitaram os embargos de declaração.

PRESTAÇÃO DE CONTAS - DE CANDIDATO. CARGO - VEREADOR. CONTAS - DESAPROVAÇÃO/REJEIÇÃO DAS CONTAS.
19 REl - 0600204-31.2020.6.21.0121

Des. Federal Luís Alberto D`Azevedo Aurvalle

Quinze de Novembro-RS

ELEICAO 2020 FABIANO VALDECI RUPPENTHAL VEREADOR (Adv(s) DELVIO JUNG OAB/RS 0060020) e FABIANO VALDECI RUPPENTHAL (Adv(s) DELVIO JUNG OAB/RS 0060020)

<Não Informado>

RELATÓRIO

Cuida-se de recurso (ID 28122533) interposto por FABIANO VALDECI RUPPENTHAL contra a sentença do Juízo Eleitoral da 121ª Zona Eleitoral de Ibirubá que desaprovou as contas do recorrente, com fulcro no art. 74, inc. III, da Resolução TSE n. 23.607/19, tendo como fundamento a extrapolação do limite legal de doações com recursos próprios em R$ 269,23, fixando, assim, multa correspondente a 100% da quantia em excesso, com fundamento no art. 27, § 4º, da citada Resolução (ID 28122283).

Em suas razões, o recorrente alega que houve entendimento equivocado da lei por parte da contabilidade, salientando que, em momento algum, houve má-fé, dolo ou intenção de burlar a Lei Eleitoral a fim que obter alguma vantagem econômica em face dos demais candidatos. Postula, assim, a aprovação das contas sem qualquer ressalva.

Nesta instância, a Procuradoria Regional Eleitoral, em parecer, opinou pelo conhecimento e desprovimento do recurso (ID 40219033).

Em 17.09.2021, houve retificação do parecer pelo provimento parcial do recurso (ID 44834631).

É o relatório.

 

 

RECURSO. PRESTAÇÃO DE CONTAS. CANDIDATO. ELEIÇÕES 2020. VEREADOR. DESAPROVADAS. UTILIZAÇÃO DE RECURSOS PRÓPRIOS NA CAMPANHA. AUTOFINANCIAMENTO. EXTRAPOLAÇÃO DO LIMITE REGULAMENTAR. VALOR ABSOLUTO REDUZIDO. APLICADOS OS POSTULADOS DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE. MANUTENÇÃO DA PENALIDADE IMPOSTA. APROVAÇÃO COM RESSALVAS. PARCIAL PROVIMENTO.

1. Insurgência contra sentença que julgou desaprovadas contas de campanha relativas às eleições de 2020, tendo como fundamento a extrapolação do limite legal de doações com recursos próprios, fixando multa correspondente a 100% da quantia em excesso.

2. Independente da boa-fé do candidato na aplicação dos recursos próprios, a norma eleitoral deve ser respeitada e atendida, como forma de garantir paridade na disputa eleitoral. Assim, caracterizado o excesso, correta a sentença ao fixar a multa de 100% sobre o valor ultrapassado, nos termos do art. 27, § 4º, da Resolução TSE n. 23.607/19.

3. Apesar de a irregularidade representar 16,6% dos recursos declarados como recebidos, o valor absoluto é reduzido e, inclusive, inferior ao parâmetro de R$ 1.064,10 que a disciplina normativa das contas considera módico, de modo a permitir o gasto de qualquer eleitor pessoalmente, não sujeito à contabilização, e de dispensar o uso da transferência eletrônica interbancária nas doações eleitorais (arts. 43, caput, e 21, § 1º, da Resolução TSE n. 23.607/19). Aplicados os postulados da razoabilidade e proporcionalidade. Aprovação com ressalvas.

4. Parcial provimento.

 

Parecer PRE - 44834631.html
Enviado em 2021-09-21 00:08:56 -0300
Parecer PRE - 40219033.html
Enviado em 2021-09-21 00:08:56 -0300
Não há memoriais para este processo
Não há sustentações orais para este processo

Por unanimidade, deram parcial provimento ao recurso, para aprovar com ressalvas as contas, mantendo a determinação de pagamento da multa no valor de R$ 269,23. 

PRESTAÇÃO DE CONTAS - DE CANDIDATO. CARGO - VEREADOR. CONTAS - DESAPROVAÇÃO/REJEIÇÃO DAS CONTAS.
20 REl - 0600427-62.2020.6.21.0095

Des. Federal Luís Alberto D`Azevedo Aurvalle

Paim Filho-RS

ELEICAO 2020 ADRIANA SALETE DEBIASI VEREADOR (Adv(s) SARA VANZ OAB/RS 0106244) e ADRIANA SALETE DEBIASI (Adv(s) SARA VANZ OAB/RS 0106244)

<Não Informado>

RELATÓRIO

Trata-se de recurso (ID 29581533) interposto por ADRIANA SALETE DEBIASI contra sentença do Juízo da 095ª Zona Eleitoral de Sananduva que desaprovou as contas da recorrente, com fulcro no art. 74, inc. III, da Resolução TSE n. 23.607/19, em virtude de despesa referente à nota fiscal no valor de R$ 455,00, omitida na prestação de contas, determinando o recolhimento da quantia irregular ao Tesouro Nacional (ID 29581383).

Em suas razões, a recorrente sustenta que a nota fiscal foi cancelada, por isso não foi declarada na prestação de contas. Junta documentos, consistentes em diversas notas fiscais emitidas e canceladas, inclusive aquela lançada em nome da sua candidatura (ID 29581633), bem como boleto de pagamento bancário, no valor de R$ 650,00, tendo como beneficiário o prestador de serviço (ID 29581583). Requer provimento recursal e aprovação das contas.

A Procuradoria Regional Eleitoral, em parecer, opinou pelo conhecimento e pelo desprovimento do recurso (ID 40222833).

É o relatório.

RECURSO. ELEIÇÕES 2020. PRESTAÇÃO DE CONTAS. VEREADOR. DESAPROVAÇÃO. NOTA FISCAL CANCELADA. OMISSÃO DE GASTOS ELEITORAIS. VALOR ABSOLUTO REDUZIDO. MANTIDO O DEVER DE RECOLHIMENTO AO TESOURO NACIONAL. APROVAÇÃO COM RESSALVAS. PARCIAL PROVIMENTO.

1. Insurgência contra sentença que desaprovou prestação de contas, com fulcro no art. 74, inc. III, da Resolução TSE n. 23.607/19, em virtude de despesa referente à nota fiscal omitida na prestação de contas, determinando o recolhimento da quantia irregular ao Tesouro Nacional. Conhecidos os documentos apresentados com o recurso, pois o exame da documentação independe de novo parecer técnico.

2. Descumprimento dos requisitos encartados no art. 53, inc. I, al. “g”, da Resolução TSE n. 23.607/19. Despesa eleitoral não comprovada, uma vez que não restou esclarecido o fornecedor que efetivamente recebeu a quantia referente à nota fiscal cancelada. Dessa forma, o procedimento adotado subtraiu da Justiça Eleitoral o controle do destino dos recursos de campanha, maculando a transparência da contabilidade do prestador.

3. Caracterizada a omissão de gastos eleitorais, impondo o dever de ressarcimento ao Tesouro Nacional. A irregularidade representa 22,75% das receitas declaradas. Embora o percentual seja significativo frente ao somatório arrecadado, o valor absoluto é reduzido e, inclusive, inferior ao parâmetro de R$ 1.064,10 que a disciplina normativa das contas considera módico, de modo a permitir o gasto de qualquer eleitor pessoalmente, não sujeito à contabilização, e de dispensar o uso da transferência eletrônica interbancária nas doações eleitorais (arts. 43, caput, e 21, § 1º, da Resolução TSE n. 23.607/19). Cabível a incidência dos postulados da razoabilidade e proporcionalidade para aprovar as contas com ressalvas.

4. Parcial provimento.

Parecer PRE - 40222833.html
Enviado em 2021-09-21 00:09:02 -0300
Não há memoriais para este processo
Não há sustentações orais para este processo

Por unanimidade, deram parcial provimento ao recurso, para aprovar com ressalvas as contas, mantendo a determinação de recolhimento da importância de R$ 455,00 ao Tesouro Nacional. 

PRESTAÇÃO DE CONTAS - DE CANDIDATO. CARGO - VEREADOR. CONTAS - DESAPROVAÇÃO/REJEIÇÃO DAS CONTAS.
21 REl - 0600164-81.2020.6.21.0078

Des. Federal Luís Alberto D`Azevedo Aurvalle

Piratini-RS

ELEICAO 2020 JOSE TIAGO F MONTANHO VEREADOR (Adv(s) WILBOR DUARTE PINHEIRO OAB/RS 0104080) e JOSE TIAGO F MONTANHO (Adv(s) WILBOR DUARTE PINHEIRO OAB/RS 0104080)

<Não Informado>

RELATÓRIO

Trata-se de recurso (ID 20468933) interposto por JOSÉ TIAGO FAMOSO MONTANHO contra sentença do Juízo da 078ª Zona Eleitoral de Piratini que desaprovou as contas do recorrente, pois não comprovado o pagamento da despesa no montante de R$ 849,50, realizada com verbas do Fundo Especial de Financiamento de Campanha – FEFC, por meio de cheque nominal cruzado ou comprovante de transferência bancária, na forma determinada pelo art. 38 da Resolução TSE n. 23.607/19 (ID 20468733).

Em suas razões, o recorrente sustenta que realizou o pagamento do gasto eleitoral de forma adequada, juntando comprovantes. Refere que o cheque emitido é nominal e que não foi cruzado pois a contratada não teria como descontá-lo em conta própria. Requer provimento recursal e aprovação das contas.

A Procuradoria Regional Eleitoral, em parecer, opinou pelo conhecimento e pelo desprovimento do recurso (ID 27604133).

É o relatório.

RECURSO. ELEIÇÕES 2020. PRESTAÇÃO DE CONTAS. CANDIDATO. CARGO DE VEREADOR. DESAPROVAÇÃO. NÃO COMPROVADO PAGAMENTO DE DESPESA REALIZADA COM VERBAS DO FUNDO ESPECIAL DE FINANCIAMENTO DE CAMPANHA – FEFC. CHEQUE NÃO CRUZADO. QUANTIA INEXPRESSIVA. INCIDÊNCIA DOS POSTULADOS DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE. APROVAÇÃO COM RESSALVAS. PARCIAL PROVIMENTO.

1. Insurgência contra sentença que desaprovou prestação de contas, pois não comprovado o pagamento de despesa realizada com recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha – FEFC, por meio de cheque nominal cruzado ou comprovante de transferência bancária, na forma determinada pelo art. 38 da Resolução TSE n. 23.607/19.

2. Exibido cheque nominal, não cruzado, em desacordo com o que determina o art. 38 da Resolução TSE n. 23.607/19. Ademais, conforme extrato bancário eletrônico disponibilizado pelo TSE, não é possível identificar o destinatário do pagamento. A falta de comprovação do emprego de recursos públicos acarreta a obrigação de ressarcimento do valor equivalente ao Tesouro Nacional, conforme disposto no art. 79, § 1º, da Resolução TSE n. 23.607/19.

3. A irregularidade representa 73,58% das receitas declaradas. Contudo, perfaz quantia inexpressiva, permitindo a aprovação das contas com ressalvas em homenagem aos postulados da razoabilidade e da proporcionalidade. Nesse sentido, jurisprudência do TSE e desta Corte.

4. Parcial provimento.

Parecer PRE - 27604133.pdf
Enviado em 2021-09-21 00:09:08 -0300
Não há memoriais para este processo
Não há sustentações orais para este processo

Por unanimidade, deram parcial provimento ao recurso, para aprovar com ressalvas as contas, mantendo a determinação de recolhimento da importância de R$ 849,50 ao Tesouro Nacional. 

Próxima sessão: qui, 23 set 2021 às 14:00

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