RE - 27315 - Sessão: 10/10/2016 às 17:00

RELATÓRIO

EDER MACHADO NUNES interpõe recurso em face de sentença do Juízo da 37ª Zona – Rio Grande, que, acolhendo a impugnação apresentada pelo Ministério Público Eleitoral, indeferiu seu registro de candidatura em virtude de ausência de quitação eleitoral, por ausência às urnas (fls. 36-37).

Em suas razões, o recorrente sustenta que o pagamento de multa eleitoral, antes do julgamento do pedido de registro, possibilita o reconhecimento da quitação eleitoral. Requer o provimento do recurso e o consequente deferimento de seu pedido de registro (fls. 39-45).

Com contrarrazões, nesta instância, a Procuradoria Regional Eleitoral lançou parecer pelo provimento do recurso (fls. 55-57v.).

É o relatório.

 

VOTO

O recurso é tempestivo, pois interposto dentro do tríduo legal, conforme estabelece o art. 52, § 1º, da Resolução n. 23.455/15 do TSE.

No mérito, o recorrente teve seu pedido de registro indeferido por ausência de quitação eleitoral, em razão de ausência às urnas, pois não pagou a respectiva multa até 15 de agosto de 2016.

O candidato juntou aos autos a prova do pagamento da multa, feito na data de 28 de agosto de 2016, que impedia a sua quitação eleitoral (fls. 30-31).

Demonstrado o pagamento da sanção, mesmo após o pedido de registro de candidatura, deve ser afastada a ausência de quitação eleitoral, conforme pacífica jurisprudência, expressada nas Súmulas ns. 43 e 50 do TSE, cujo teor segue:

Súmula 43: As alterações fáticas ou jurídicas supervenientes ao registro que beneficiem o candidato, nos termos da parte final do art. 11, § 10, da Lei n° 9.504/97, também devem ser admitidas para as condições de elegibilidade.

Súmula 50: O pagamento da multa eleitoral pelo candidato ou a comprovação do cumprimento regular de seu parcelamento após o pedido de registro, mas antes do julgamento respectivo, afasta a ausência de quitação eleitoral.

Assim, fato superveniente que beneficia o candidato, no caso a quitação da multa eleitoral em data anterior à prolação da sentença, deve afastar o óbice ao deferimento do registro.

No mesmo sentido, julgado recente desta Corte:

Recurso. Registro de candidatura. Cargo de vereador. Condição de elegibilidade. Quitação Eleitoral. Eleições 2016. Decisão do juízo a quo que indeferiu o registro de candidatura, por falta de quitação eleitoral em razão de ausência às urnas. Pendência com referência ao pagamento da respectiva multa. Tendo o candidato demonstrado o pagamento da sanção, mesmo após o pedido de registro de candidatura, deve ser afastada a ausência de quitação eleitoral, conforme pacífica jurisprudência contida nas Súmulas 43 e 50 do Tribunal Superior Eleitoral. Reforma da sentença. Deferimento do registro. Provimento.

(TRE-RS RE 32994, Relatoria do Dr. Jamil Andraus Hanna Bannura, julgado em 21.9.2016.) (Grifei.)

Ante o exposto, VOTO pelo provimento do recurso para deferir o registro de candidatura de EDER MACHADO NUNES ao cargo de vereador em Rio Grande.

Tendo em vista a alteração jurídica na situação do candidato, determino que o Cartório Eleitoral proceda às anotações no Sistema de Candidaturas, de modo a atender ao que estabelece o art. 183 da Res. 23.456/15 do TSE.